Coronavírus acelera crash americano e anima socialismo

Para analista político César Fonseca, a bancarrota de Tio Sam acelera a Nova Política Monetária, a que não vê restrição ao Estado para gastar, porque quanto mais gasta, mais arrecada, como demonstra o PC chinês, que conduz o BC da China; essa alternativa, avalia, se faz ainda mais necessária, não para salvar bancos, como rolou no crash de 2008, mas milhões de desempregados, que exigem garantias de aposentadorias, seguros desempregos, gastos sociais em ampla expansão.


Império balança - por César Fonseca

O tombo violento de 33% do PIB americano no 2º trimestre assusta o mundo e faz renascer o espectro do comunismo, em plena pandemia do novo coronavírus.

Não é à toa que o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, alarmado, alerta que o grande inimigo da humanidade é o Partido Comunista Chinês.

Claro, o PC garantirá, em 2020, crescimento de 1,5% a 2% do PIB chinês, ao contrário de Tio Sam, em bancarrota, que terá PIB negativo de 10%.

Estima-se que a arrancada chinesa em 2021, enquanto Tio Sam se arrasta em PIB negativo, deverá ser de crescimento de 15%, em comparação a 2020.

Desmorona-se o capitalismo americano e ascende o comunismo chinês.

A emergência socialista nos Estados Unidos, no rastro do desemprego, que especialistas dizem deverá chegar aos 40% da população economicamente ativa, produz renascimento do New Deal de Roosevelt.

Sem ele, o presidente americano não teria superado a crise de 1929, graças à ampliação do déficit público americano, que, em 1944, alcanço 146% do PIB.

A indústria automobilística que puxava a economia despencou: produzia 5 milhões de carros/ano e passou a produzir, nos anos 1930, apenas, 700 mil, para uma frota nacional de 27 milhões de veículos.

Roosevelt acelerou gastos que se multiplicaram na criação de emprego, renda e consumo, por meio de economia de guerra, acelerando produção bélica e espacial, nova dinâmica do PIB de Tio Sam.

Hoje, no New York Times, o colunista David Brooks, externa o que já está conduzindo os democratas, para tentar derrotar Trump, isto é, ampliação do déficit público, na pandemia do coronavírus.

Vai na mesma linha da União Europeia, que, semana passada, anunciou gastos extras de 750 bilhões de euros(R$ 4,5 trilhões), para adicionar aos 1,5 trilhão de euros já reservados para o orçamento fiscal europeu.

Só quem fala em ajuste fiscal são os malucos neoliberais brasileiros bolsonaristas comandados por Paulo Guedes.

Bolsonaro já deve estar percebendo a necessidade de mandar Guedes embora, quando se vê ovacionado pelos nordestinos, que receberam R$ 600 de Auxílio Emergencial aprovado pelo Congresso que ele se apropria politicamente.

Se renegar os R$ 600 e defender o que Guedes contrapropõe, algo em torno de R$ 300 ou R$ 400, a metade, vai sofrer desgaste político em tempo eleitoral.

Trump, o guru de Bolsonaro, está, portanto, entre a cruz e a caldeirinha.

Ou joga na lata de lixo o discurso neoliberal republicano de Chicago, que faz cabeça de Guedes, e perde a eleição ou repete Roosevelt e ganha chances de conquistar segundo mandato.

Por enquanto, apavorado, quer adiar eleições, matar democracia americana.

O coronavírus, agora, jogando a economia americana no mais profundo abismo de sua história, diz, claramente, o que Trump deve fazer, se quiser continuar na Casa Branca.

Tem que dar cavalo de pau no neoliberalismo que deixou de ser útil para acelerar ainda mais o keynesianismo que domina a economia americana desde o pós-guerra.

Será obrigado a levar a dívida pública americana a quase 200% do PIB, tal como fazem os japoneses, há mais de 20 anos.

Tio Sam terá gás para suportar endividamento que precisará ser feito para evitar emergência socialista?

Basta lembrar Adam Smith, para responder aos que veem excesso de dívida pública como obstáculo.

“Dívida pública não se paga, renegocia, sempre”, diz autor de “A riqueza das nações”.

Quem sabe ele não cortará um zero na moeda americana?

A bancarrota de Tio Sam acelera a Nova Política Monetária, a que não vê restrição ao Estado para gastar, porque quanto mais gasta, mais arrecada, como demonstra o PC chinês, que conduz o BC da China.

Essa alternativa se faz ainda mais necessária, não para salvar bancos, como rolou no crash de 2008, mas milhões de desempregados, que exigem garantias de aposentadorias, seguros desempregos, gastos sociais em ampla expansão.

Se não acontecer isso, cresce a instabilidade social, perigo de revolução, ascensão socialista etc, como voltou a acontecer na Europa, como demonstraram eleições legislativas na França.

Os democratas estão com Roosevelt diante dos republicanos reticentes.

Mas, o novo coronavírus está aí, mesmo, para justificar emergência de novo Trump, vestindo Keynes, aquele que tem de jogar fora o republicanismo neoliberal para abraçar o keynesianismo, ainda mais, radical.

Artigo publicado em Independência Sulamericana
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Coronavírus acelera crash americano e anima socialismo Coronavírus acelera crash americano e anima socialismo Reviewed by DMM on sexta-feira, julho 31, 2020 Rating: 5

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