Polícias do Amapá se tornaram as mais assassinas do Brasil em 2019, diz site

As polícias do Amapá se transformaram nas forças policiais mais letais do país em 2019. Enquanto o número de homicídios no Estado caiu 25%, o número de mortes causados por agentes de segurança pública cresceu mais de 100% em relação a 2018. Ao todo, os policiais do Amapá mataram 125 pessoas enquanto estavam de serviço ao longo de todo o ano passado. Apesar de os números absolutos serem bem menores do que os registrados em estados como o Rio de Janeiro ou São Paulo, comparativamente ao número de habitantes do Amapá, eles são os mais altos do Brasil.

Reprodução Yahoo
Por Por Yan Boechat no Yahoo - Dono da segunda menor população do País, o Amapá registrou em 2019 mais de 15 mortes decorrentes de ações policiais para cada grupo de 100 mil habitantes, a medida oficial utilizada no Brasil e no mundo para contabilizar quão violenta é uma sociedade. É um número 50% maior do que o registrado no Rio de Janeiro, o estado com a segunda polícia mais letal do País. “As coisas saíram do controle, é um crescimento que jamais vimos na história, os policiais tem liberdade para matar aqui impunemente”, diz o integrante da Comissão de Direitos Humanos da OAB-AP e da OAB Nacional, o advogado Maurício Pereira, um dos principais críticos da política de segurança pública no Estado.

O Amapá já vinha registrando um crescimento na letalidade policial ao longo da década e sempre foi considerado um dos estados com a polícia mais violenta do país. No entanto, o crescimento nas mortes cometidas por agentes de segurança no ano passado é inédito. De acordo com dados do Atlas da Violência e da Secretaria de Segurança e Justiça do Estado, as mortes cometidas por policiais em serviço cresceram mais de 500% nos últimos cinco anos no Estado. Em 2015, por exemplo, a taxa de mortes pela polícia para cada 100 mil habitante era de 2,6. Naquele ano, os policiais do Amapá haviam eliminado 20 pessoas. Nos anos seguintes houve incrementos importantes (veja gráfico) nas mortes cometidas pela polícia, mas nada semelhante como agora.

De acordo com o secretário de Segurança e Justiça do Estado, o coronel da Polícia Militar, Carlos Souza, o aumento no número de mortes cometidas pelos policiais é consequência de um maior enfrentamento do Estado aos grupos criminosos que estão instalados no Amapá. “Eu posso lhe garantir que a maior parte dessas mortes são de criminosos que fazem parte de alguma facção criminosa que opera aqui”, diz ele. De acordo com o secretario, hoje estão instaladas ao menos sete facções criminosas no Amapá, entre elas o Comando Vermelho, o PCC e a Família do Norte. “Esse pessoal não se entrega, eles partem para o confronto e ai dá nisso”, diz ele, que garante não ter um só policial incriminado por homicídio. “Foram todas operações legítimas.

Segundo a própria Secretaria de Segurança e Justiça, os policiais do Amapá foram responsáveis por cerca de 32% de todas as mortes intencionais violentas registradas no Estado em 2019. No Rio de Janeiro, novamente o tradicional líder na letalidade policial, as polícias foram responsáveis por 30% das mortes violentas totais no ano passado e a polícia de São Paulo por 21%. “São números chocantes, houve uma bopetização da polícia do Amapá, o discurso do ódio e do enfrentamento foi adotado pelo governador do Amapá, há total impunidade com as mortes”, diz o integrante da Comissão de Direitos Humanos da OAB. “Muitas dessas pessoas eram inocentes, sem nenhuma ligação com o crime organizado”.

O Amapá é governado por Waldez Goés (PDT), reeleito em 2018. Ele já havia governado o estado entre 2003 e 2010 e é o político que mais tempo ficou no cargo desde que o então Território Federal do Amapá foi transformado em Estado, em 1988. Em sua campanha para a reeleição Goés adotou um discurso de enfrentamento na segurança pública, prometeu mais investimentos para a área e adotou uma linha dura ao nomear para o comando da polícia militar do estado o coronel Paulo Matias, um ex-oficial do Batalhão de Operações Especiais, o Bope, considerado um dos mais letais do Estado.

Apesar de dizer que não pode afirmar ao certo quantos dos mortos pela polícia em 2019 eram integrantes de grupos criminosos, o secretário de Segurança e Justiça do Estado diz que “99% dos bandidos faccionados foram mortos pelo BOPE e pela Força Tática”. O secretário também afirmou que acredita que esse ano o número de mortes pela polícia deva ser reduzido por conta da contenção dos grupos criminosos. “Estamos construindo novas penitenciárias, teremos mais controle sobre os presos e com isso vamos reduzir o poder das facções, isso levará a uma queda nas mortes”. De acordo com a Comissão de Direitos Humanos da OAB, apenas nesse ano as polícias do Amapá já mataram cerca de 15 pessoas.
___
Polícias do Amapá se tornaram as mais assassinas do Brasil em 2019, diz site Polícias do Amapá se tornaram as mais assassinas do Brasil em 2019, diz site Reviewed by DMM on quinta-feira, fevereiro 13, 2020 Rating: 5

Nenhum comentário


SE O LEITOR TEM ALGUMA NOTÍCIA PARA COMPARTILHAR, ENVIE PARA O WHATSAPP (96)98135-3197.

O Diário do Meio do Mundo é espaço dedicado ao jornalismo independente. Contribua para mantê-lo online. Obrigado! Se não tem conta no PayPal, não há necessidade se inscrever para doar ou assinar, basta apenas usar o cartão de crédito ou de débito. Para quem prefere fazer depósito em conta: Banco do Brasil; Agência: 2825-8; CC: 219.880-0.


Post AD