Professor que relacionou LGBT’s à Aids responderá por crime de ódio, diz delegado

Nesta terça-feira (3), a comissão organizadora da Parada do Orgulho LGBT+ apresentou denúncia contra o professor Milton Santos após uma postagem feita por ele no Facebook, que relacionou a manifestação a caso de Aids, no ultimo domingo (1°). Os representantes do movimento foram recebidos pelo delegado-geral da Polícia Civil do Amapá, Uberlândio Gomes, e entregaram diversas cópias de publicações que eles consideram como crime de ódio.


Ao receber a denúncia, Uberlândio Gomes informou que a pessoa que publicou as ofensas irá responder criminalmente pelo cometimento de vários delitos, inclusive com várias vítimas.

“O STF já disse que esses comportamentos homofóbicos são caracterizados como racismo, então há uma sansão expressiva, trata-se de crime imprescindível. Iremos apurar com detalhes e com muita responsabilidade a origem dessas postagens. A gente sabe que ele não ofendeu simplesmente uma pessoa, foram várias classes de pessoas e será apurado na forma da lei, no aspecto criminal”, destacou.

O delegado-geral ressaltou que é possível que esse movimento possa entrar com uma ação de indenização civil para que o professor repare o dano causado a essas vítimas. Ainda não é possível afirmar qual seria a pena paga pelo acusado, caso seja condenado.

“Isso é muito relativo ao quantitativo de números de vítimas, quanto mais vítimas comparecem na delegacia, maior será o critério da pena. Temos uma delegacia específica no Araxá que trata sobre os crimes praticados contra essas minorias e grupos de vulnerável. O delegado Neuton ficará responsável pelo caso”, detalhou.

Uberlândio disse ainda qual será o próximo passo. “Hoje mesmo estou repassando para o delegado, o inquérito será tombado e em seguida será instruído esse procedimento. Daremos agilidade para que haja uma resposta à sociedade, porque nos tempos de hoje não se pode tolerar esse tipo de propalação ofensiva à dignidade e direitos humanos. Lembrando que quem compartilhou e tem o mesmo pensamento do autor da postagem pode também responder”, finalizou.

De acordo com estatísticas da Polícia Civil, em 2018 o caso de crimes nas redes sociais no Amapá foram de 332 ocorrências. Em 2019, em apenas sete meses, o número já passa de 600 casos. A ideia é criar ainda este ano uma delegacia específica de crimes cibernéticos.

Segundo André Lopes, coordenador da Parada do Orgulho LGBT, as cópias provam que o professor não comete somente crimes contra a população LGBT, mas também contra pessoas que vivem e convivem com HIV e Aids, além da população em geral.

“A gente apresenta todas essas cópias e solicita, através da nossa legislação, fazer um processo educacional, porque em pleno século XXI é inaceitável agressão contra os direitos legais dessa população e a injustifica, porque a Parada do Orgulho LGBT precisa cada ano ser mais forte, porque ainda há pessoas que querem nos retirar direitos e ainda nos negar o direito à vida”, disse.

O caso

Uma postagem feita no Facebook neste domingo (1º), dia da Parada do Orgulho LGBT, na orla de Macapá, virou caso de polícia e deve também parar nos tribunais. A coordenação do evento classificou a mensagem como homofóbica, e decidiu que vai processar o professor da rede estadual do Amapá que relacionou a manifestação a casos de Aids.

“Hoje, a orla de Macapá só cheira a Aids”, dizia uma postagem com tema colorido publicada pelo professor Milton Santos, servidor da Escola Estadual Castelo Branco, colégio situado no bairro do Beirol.

“Impossível acreditar que alguém assim seja professor”, reagiu um internauta.
“Inacreditável que venha de um professor”, disparou outro.

Foram vários comentários. A postagem teve mais de 1,2 mil reações (entre curtidas e protestos), mais de 1 mil comentários, e 259 compartilhamentos até a tarde desta segunda (2). Diante da reação indignada de alguns internautas, o professor manteve o tom ríspido e bateu boca com quem o criticou.
“Naquela bosta de movimento tem meu dinheiro sem a minha permissão. Eu falo do jeito que eu quiser, seu fresco”, respondeu.

Apesar da polêmica, as postagens não foram apagadas pelo professor Milton Santos. Ele ainda não respondeu aos questionamentos do Portal SelesNafes.Com.

A direção do movimento LGBT e a coordenação da parada deste domingo informaram que irão registrar boletim de ocorrência numa delegacia de polícia nesta terça-feira (3), além de procurar o Ministério Público do Estado.
 
“O Brasil já superou faz muito tempo esse estigma de que só a comunidade LGBT está diretamente ligada ao casos de HIV. Foi uma ignorância”, avaliou o coordenador da Parada LGBT, André Lopes.

Sobre a utilização de dinheiro público na Parada, André garante que cada R$ 1 investido gerou outros R$ 3, graças ao movimento no comércio formal e informal no entorno do evento.
“A Parada também gera renda. Ele (o professor) precisa perguntar se os comerciantes e ambulantes estão chateados com o evento. (…) Essa é uma postura que tenta nos estigmatizar, e que pode ser enquadrada como racismo, de acordo com defensores com quem já conversamos”, acrescentou.

O coordenador disse esperar que o professor seja condenado pela justiça a prestar serviços em uma entidade dedicada a pessoas da comunidade LGBT.

“A justiça também pode ajudar as pessoas que não conseguem compreender que a Parada do Orgulho LGBT é um direito garantido por lei. Isso não passa de um grande assédio moral. Além da violência física, sofremos com a violência simbólica”, frisou.

Segundo os organizadores, a Parada do Orgulho LGBT arrastou cerca de 70 mil pessoas pela orla de Macapá durante toda a programação.

Fonte: Seles Nafes
__
Professor que relacionou LGBT’s à Aids responderá por crime de ódio, diz delegado Professor que relacionou LGBT’s à Aids responderá por crime de ódio, diz delegado Reviewed by DMM on quarta-feira, setembro 04, 2019 Rating: 5

Nenhum comentário


SE O LEITOR TEM ALGUMA NOTÍCIA PARA COMPARTILHAR, ENVIE PARA O WHATSAPP (96)98135-3197.

O Diário do Meio do Mundo é espaço dedicado ao jornalismo independente. Contribua para mantê-lo online. Obrigado! Se não tem conta no PayPal, não há necessidade se inscrever para doar ou assinar, basta apenas usar o cartão de crédito ou de débito. Para quem prefere fazer depósito em conta: Banco do Brasil; Agência: 2825-8; CC: 219.880-0.


Post AD