Header AD

Lava jato: cavalo de Troia brasileiro – por Nezimar Borges

Editor do DMM Nezimar Borges analisa tragédia brasileira provocada pela operação lava jato. Borges compara a operação lavajateira à operação cavalo de Troia, maquinada pelos gregos para derrotar seus inimigos troianos. Para ele, ‘enquanto aquela utilizou o poderoso mito religioso – representado por um pretexto em forma de cavalo - como manobra de invasão e dominação”; a lava jato brasileira “usou outra vez o famigerado mote ‘moralizador’ do ‘combate à corrupção’ para vencer a então barreira intransponível das eleições eleitorais, e daí partir para arrasar os ativos dos brasileiros – tanto bens materiais quanto direitos sociais”. Borges lamenta associação feita por muitos brasileiros, da lava jato com combate à corrupção. Leia:


Lava jato: cavalo de Troia brasileiro – por Nezimar Borges

A estratégia de combate à corrupção utilizada pela operação lava jato provoca mudanças profundas no Brasil, assim como o instrumento lendário apresentado por Homero, em A Odisseia - a campanha grega para subverter a sólida muralha da cidade troiana, guerra que durou aproximadamente 10 anos em XII a.C; é inegável portanto que tanto em Troia quanto no Brasil houve dois momentos distintos: o antes e depois do estratagema para solapar a ordem política vigente, através das operações cavalo de troia e lava jato.

Enquanto aquela utilizou o poderoso mito religioso – representado por um pretexto em forma de cavalo - como manobra de invasão e dominação; esta usou outra vez o famigerado mote do ‘combate à corrupção’ para vencer a então barreira intransponível das eleições eleitorais, e daí partir para arrasar os ativos dos brasileiros – tanto bens materiais quanto direitos sociais.

Na Troia antiga não existia cousa mais sagrada que o culto aos deuses; a história mostra que uma sociedade fundamentalista religiosa torna-se perigosa a si mesma. De fato, troianos se depararam com um dilema: negar o suposto presente dos deuses e ao mesmo tempo ofender ou apaziguá-los. Convenhamos, o resumo dessa escolha os levou a uma tragédia sem precedentes históricos ou lendários.

No Brasil, os representantes da classe dominante foram derrotados em quatro eleições, diante do quadro desalentador e com perspectiva de insucesso na quinta seguida, utilizaram mais uma vez o expediente ‘moralizador’ do ‘combate à corrupção’ a fim de distorcer os desígnios da incipiente democracia no país. Em sociedade sob o jugo dos meios burgueses de comunicação, não foi difícil convencer a população de que “a causa de todas as mazelas do país é a corrupção”. Logicamente quando lhe convém, a elite brasileira superdimensiona a problemática da corrupção para derrubar governos nacionalistas e com isso alimentar o falso moralismo. Assim ocorreu com Getúlio Vargas, apontado como corrupto pela mídia velha e diante de militares à sua porta, não resistiu, tirou a própria vida. João Goulart esteve diante da mesma retórica, quando acusado de corrupção, partiu para o exilio; da mesma forma Juscelino Kubistchek, acusado de possuir um “tríplex” na famosa Vieira Souto, no Rio, teve de deixar o país para evitar a prisão política.

Não obstante a épocas distintas, qual a diferença entre a operação grega cavalo de Troia e a operação lava jato brasileira?

Poucas? Talvez nenhuma!

Talvez nenhuma porque há convencimento de que a única e exclusiva diferença recai sobre as características das duas guerras. Aquela Grego-troiana, típica guerra convencional, tradicional, sangrenta; enquanto a guerra Brasil-Estados Unidos, ao contrário, anormal, sútil, sofisticada e híbrida.

No livro ‘Guerras híbridas – das revoluções coloridas aos golpes’ o escritor norte-americano Andrew Korybko, o primeiro a concatenar o conceito de ‘guerra híbrida’, explica as novas táticas dos Estados Unidos para derrubar governos. Segundo o prefácio do texto “guerra híbrida é a combinação de revoluções coloridas e guerras não convencionais para substituir governos”.

Korybko parte do estudo de case como o da Ucrânia. O autor constrói um novo conceito cujo modo de operação pode ser facilmente identificado em outros conflitos como a guerra da Síria, no Oriente Médio e Brasil, na América Latina.

Trecho do livro de Korybko esclarece sobre estratagema para golpes brancos utilizado em curso no século XXI; entretanto, não perca de vista a devastação econômica promovida pela operação lava jato, apoiada pela agência norte-americana de inteligência (NSA) como a ferramenta pontiaguda dessa nova forma de guerra não convencional:  “Se o padrão que os EUA vêm aplicando atualmente na Síria e na Ucrânia for indicativo de algo, no futuro a guerra indireta será marcada por “manifestantes” e insurgentes. As quintas-colunas serão compostas menos por agentes secretos e sabotadores ocultos e mais por protagonistas desvinculados do Estado que comportam-se publicamente como civis. As mídias sociais e tecnologias afins substituirão as munições guiadas como armas de ‘ataque cirúrgico’ da parte agressora, e as salas de bate-papo online e páginas no Facebook tornar-se-ão o novo ‘covil dos militantes’. Em vez de confrontar diretamente os alvos em seu próprio território, conflitos por procuração serão promovidos na vizinhança dos alvos para desestabilizar a periferia dos mesmos. As tradicionais ocupações militares podem dar lugar a golpes e operações indiretas para troca de regime, que são muito mais econômicos e menos sensíveis do ponto de vista político”.

Não são poucas personalidades, preocupadas com desgraça econômica provocada pela república de Curitiba, que denunciam o processo de destruição gerada pela guerra híbrida contra o Brasil e seu braço instrumentalizado na lava jato: Jandira Feghali, Jessé Souza, Marcelo Freixo, Jean Wyllys, Luiz Inácio Lula da Silva, et caterva. Ciro Gomes, por exemplo, lembra que o ex-juiz Sérgio Moro fora homenageado por potências estrangeiras que se beneficiaram com a destruição econômica do Brasil.

As revelações do site The Intercept Br provam que o pusilânime Juiz Sérgio Moro, ao liderar uma quadrilha no Ministério Público Federal do Estado do Paraná, cometeu vários crimes contra o país, contra as leis; assim, prestar auxílio fundamental ao impeachment sem provas da presidente Dilma Rousseff, condenar e prender o ex-presidente Lula com esvaziados indícios; com isso, fraudar o processo eleitoral de 2018 e possibilitar, enfim, a eleição do extremista Jair Bolsonaro.

A voz interessante a se insurgir contra destruição da economia e de empresas como Odebrecht (uma das nove das dezesseis empreiteiras investigadas que faliram) pelo tsunami lava jato, arma precípua da guerra híbrida contra o Brasil, vem de um empresário que apoiou derrubada de Dilma Roussef, contribuiu para prisão política de Lula e militou pela eleição de Bolsonaro, João Carlos Saad, dono da rede Bandeirantes de comunicação. Sua fala demostra que a elite nacional, enfim, acorda para os crimes cometidos pela lava jato.  “Eu acho que falta um dado importante nessa analise que é a destruição de grandes empresas nacionais, de setores inteiros que foram destruídos”. Saad ressalta o combate à corrupção, mas sem destruir a economia do país e criticou a atuação lavajateira. “A elite que está aqui sentada, com o Poder Judiciário, com o Poder Legislativo, com a CGU, tem instrumentos para que possa se revolver isso. (…) [Para] nós voltarmos a ser como era antigamente: antes de você prender uma pessoa, investigue. Busque provas, comprove aquilo. E depois você prende. Senão você vai destruindo carreiras, profissões, nomes, empresas, setores”, (...). “nenhuma das empresas internacionais que se envolveu no escândalo da Petrobras ou em outros escândalos foi destruída. Penalize quem fez, mas não se penalize a empresa”, completou. Carlos Saad, no entanto, não se preocupa (por motivos óbvios) com a venda na bacia das almas de todas as subsidiárias da Petrobras.

A operação lava jato, tal qual à operação cavalo de Troia – para os troianos e às vistas alheias ao senso comum -, tornou-se um engodo monumental. Lamentavelmente há milhões de brasileiros que ainda associam lava jato com sinônimo de ‘combate à corrupção’. Ela vende ao público desinformado a recuperação de cerca de um ou dois bilhões de reais; porém, não revela que em detrimento dos cofres exclusivamente da Petrobras, os lavajateiros forçaram a ex-gigante do petróleo nacional a pagar cerca de R$10 bi a acionistas americanos. Os prejuízos, porquanto, gerados à economia do país são imensuráveis. Especula-se a casa de dezenas de trilhões de reais.

Uma rápida passagem pelo Google dá-lhe a dimensão aproximada da tragédia brasileira e troiana.

___
Lava jato: cavalo de Troia brasileiro – por Nezimar Borges Lava jato: cavalo de Troia brasileiro – por Nezimar Borges Reviewed by DMM on domingo, junho 23, 2019 Rating: 5

Nenhum comentário


SE O LEITOR TEM ALGUMA NOTÍCIA PARA COMPARTILHAR, ENVIE PARA O WHATSAPP (96)98135-3197.

O Diário do Meio do Mundo é espaço dedicado ao jornalismo independente. Contribua para mantê-lo online. Obrigado! Se não tem conta no PayPal, não há necessidade se inscrever para doar ou assinar, basta apenas usar o cartão de crédito ou de débito. Para quem prefere fazer depósito em conta: Banco do Brasil; Agência: 2825-8; CC: 219.880-0.


Post AD