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Onda bolsonarista pode explicar aumento de mais de 300% de mortes no Amapá

Os registros de mortes de civis em confrontos com as forças de segurança do Estado no Amapá aumentaram em mais de 300%, em três meses, entre 1º de janeiro e a última quarta-feira (17). No mesmo período do ano passado foram 10 casos. 'Foi assassinado. Não estava armado', denuncia pai de jovem morto em um dos casos de suposto tiroteio com a Polícia


No G1/AP — Após a morte de Leandro Pereira, de 21 anos, num confronto com a Polícia Militar (PM) em 22 de março numa periferia de Macapá, moradores do entorno gritavam e questionavam os policiais que cercavam o local sobre o motivo da morte.

Eles se mobilizaram e alegavam que o jovem, preso em outras oportunidades por suspeita de assalto e porte ilegal de arma, foi executado pelos policiais e que não houve confronto. A versão da PM de troca de tiros foi mantida e o caso foi tratado como morte em decorrência de intervenção.

Na estatística da Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Amapá (Sejusp), a morte de Leandro é uma das 33 que ocorreram nos primeiros 100 dias de 2019 após confrontos armados com equipes da PM. Nas ocorrências, nenhum policial foi morto ou ferido.

Os registros de mortes de civis em confrontos com as forças de segurança saltaram mais de 300% entre 1º de janeiro e esta quarta-feira (17). No mesmo período do ano passado foram 10 casos.

A ação policial que levou à morte de Leandro é questionada pelo pai do jovem, o vigilante Pedro Furtado dos Santos. Ele diz que o filho foi executado pelos militares.

"Se meu filho tivesse armado, eu entendo. Que confronto é esse que eles falam? Confronto se eu não me engano, um atira do lado e outro atira do outro. Nesse caso foi um assassinato. Não matou só o meu filho, matou a mim também", disse, chorando, o vigilante.

Para a Sejusp, as execuções atribuídas à PM são resultado do aumento da criminalidade no Amapá, onde bandidos estão cada vez mais armados e dispostos a reagir para não serem presos.

"Acredito fielmente que essas tropas policiais estão na rua para defender a nossa sociedade e esse enfrentamento é devido ao aumento do crime organizado no estado. Esse policial precisa a todo custo antes de proteger as pessoas, proteger a si mesmo", declarou Carlos Souza, titular da Sejusp.

A elevação tripla dos casos de mortes em confronto com a polícia, entre um ano e outro, é vista pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) como uma tendência em função da impunidade atribuída aos casos.

"A possibilidade de uma dessas medidas do pacote anticrime que vem isentar os policias que matam em serviço, tem dado incentivo para que esses números aumentam. Esses números tem a ver com uma política pública equivocada", argumenta Maurício Pereira, da Comissão de Direitos Humanos da OAB.

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Onda bolsonarista pode explicar aumento de mais de 300% de mortes no Amapá Onda bolsonarista pode explicar aumento de mais de 300% de mortes no Amapá Reviewed by DMM on quinta-feira, abril 18, 2019 Rating: 5

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