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Diante de nova tentativa de golpe, Venezuela expulsa diplomatas dos EUA

Depois da tentativa de golpe em 2002 há 16 anos, EUA voltam a patrocinar ruptura democrática na Venezuela. Em meio a atos pró e contra Maduro, líder opositor Juan Guaidó se autodeclara presidente e recebe apoio estadunidense

Venezuelanos foram às ruas para defender Maduro nesta quarta-feira (23) / AVN

No Brasil de Fato - Em meio a uma multidão de apoiadores reunidos em frente ao Palácio de Miraflores, sede do governo, o presidente venezuelano Nicolás Maduro anunciou o rompimento das relações diplomáticas e políticas com os Estados Unidos. A declaração foi dada após o novo líder da oposição, o deputado e presidente da Assembleia Nacional em desacato, Juan Guaidó, se autoproclamar presidente do país – o que contou com o reconhecimento de países como os EUA e o Brasil.

"Como chefe de Estado, jurei diante do povo defender a soberania da Venezuela. Por isso decidi romper relações diplomáticas com o governo dos EUA", declarou Maduro, ovacionado pela população. O presidente deu 72 horas para o corpo diplomático estadunidense abandonar o país. "Estamos em uma batalha pela independência. Aqui ninguém vai baixar a guarda", enfatizou Maduro.

Ele também criticou o que considera ser uma "intervenção em assuntos internos" da Venezuela. "É uma gravíssima irresponsabilidade dos EUA tentar impor um governo".

Nesta quarta-feira (23), opositores e chavistas convocaram atos contra e pró o governo de Maduro. Diante do que chama de "manipulação da imprensa", o presidente eleito denunciou a cobertura estrangeira sobre o país. "Os grandes meios internacionais só mostraram a marcha da oposição. Nós não existimos para eles, mas nós ainda somos maioria nesse país", afirmou.

"Aqui, quem elege o presidente é o povo. Qualquer pessoa pode se declarar presidente. Mas quem escolhe aqui, através do voto, são os venezuelanos", sentenciou.

Maduro tomou posse no último dia 10 de janeiro em cerimônia no Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), já que a Assembleia Nacional encontram-se em desacato por desrespeitar as decisões dos demais poderes do país. Na ocasião, o presidente foi parabenizado por diversas lideranças políticas internacionais. As eleições que reelegeram Maduro para um segundo mandato foram realizados em maio de 2018, em uma disputa com três candidatos opositores, sendo o segundo colocado o candidato de centro-direita Henri Falcón.

Ingerência norte-americana

Enquanto o povo venezuelano marchava em paz e com liberdade, contra e a favor, pelas ruas da capital, o governo dos EUA emitiu um comunicado onde reconhecia o deputado Juan Guaidó como "presidente legítimo" da Venezuela. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, instou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, a deixar o cargo para "favorecer o líder legítimo que reflete a vontade do povo venezuelano".

Outros países da região seguiram a posição estadunidense e também declararam reconhecer a Guaidó, entre eles os membros do chamado Grupo de Lima, como Brasil, Argentina, Chile e Canadá.

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