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Como é possível um cristão apoiar ideias bolsofascistas? – por Nezimar Borges.

A polarização política no país se acentua e faz grupos políticos se posicionarem entre civilização e barbárie; democracia e ditadura; sabedoria e ignorância. Quem avalia é o e editor do DMM, Nezimar Borges. O jornalista analisa movimento de grupo de pastores evangélicos, que declararam apoio ao candidato de extrema direita Jair Bolsonaro, em evidente contradição com ensinamentos de Cristo: “Os fariseus modernos parecem se locupletar do alimento do ódio ao Partido dos Trabalhadores, ou seja, distorcem a mensagem evangélica em suas “verdades” e para impô-las vale tudo, até passar por cima do humanismo doutrinário das pregações de Cristo”, observa. Borges aponta o abismo entre as ações de Cristo e Bolsonaro, enquanto este atiça ódio, intolerância e efetivação da morte através da violência; aquele pregou a paz e a perpetuação da vida através do amor. Ele nomeia dois grupos distintos de evangélicos propensos a votar contra a filosofia de Cristo nessas eleições, um por inocência e outro, por má fé. “Maioria das pessoas (...) por inocência e limitações intelectuais, podem ser facilmente levados a ofender a filosofia de Cristo; sem consciência cristã são os primeiros cometer a violência de atirar a primeira pedra”. Borges justifica cegueira ao apego a uma “verdade absoluta e fundamentalista” e mostra o antídoto contra o fascismo – o conhecimento: “A máxima filosófica socrática “Só sei que nada sei” parece imprescindível ao debate diante do dilema de escolha da sociedade brasileira, entre civilização e barbárie; sintetiza exemplarmente sabedoria diante de tantas realidades “fakes”, entende-las pode ser o primeiro passo à compreensão e valoração da alteridade concatenada ao conhecimento de si mesmo, como um degrau a mais na ascensão da infinita escada do conhecimento, para talvez chegar ao ensinamento máximo de Cristo: “Amar o próximo como a ti mesmo” E emenda: “No país dos verdadeiros cristãos, o bolsofascismo evanjegue não passará!” LEIA ÍNTEGRA.


Como é possível um cristão apoiar ideias bolsofascistas? – por Nezimar Borges.

A polarização política a três semanas da eleição presidencial faz maioria do eleitorado se posicionar entre o lulismo de um lado e antilulismo de outro; dentre os movimentos, chama atenção o efeito manada de parcela de religiosos principalmente evangélicos, em flertar com fascismo em evidente incompatibilidade com os dogmas filosóficos da religião cristã.

Observa-se que os fariseus modernos parecem se locupletar do alimento do ódio ao Partido dos Trabalhadores, ou seja, distorcem a mensagem evangélica em suas “verdades” e para impô-las vale tudo, até passar por cima do humanismo doutrinário das pregações de Cristo no livro sagrado. Ação controversa que faria mais uma vez surgir em Roma a fúria nas hostes da dinastia flaviana.

O apoio da Confederação de Pastores do Brasil ao candidato de viés fascista, Jair Bolsonaro é “case” para ser estudado nos cursos de ética pela evidente deformação moral, sobretudo uma anomalia religiosa. Atitude deixa em berlinda o resultado do controverso absurdo do caldo final desta incongruência quando comparado à aplicação dos dogmas do Cristianismo.

Dentro deste considerado cesto de pastores, certamente há os que são dignos de fazer inveja aos protofascistas da década de 30 do século passado, oportunistas e obcecados defensores da família, como se houvesse alguém contrário a ela; respiram ar de superioridade por serem evangélicos com pretensa moral, puritanos, se julgam como a palmatória do mundo a punir os que vivem e pensam diferentes; atacam com violência a tal “vida mundana” como se Cristo não iniciasse seu ministério em uma festa, transformando água em vinho; são visceralmente intolerantes, chegando ao ponto de apedrejar criança vestida em ritual do candomblé, religião de matriz africana; modus operandi que pode infelizmente ser o liame entre religião e fascismo. Diante desta triste realidade, que supor, por exemplo, das ações dos rebanhos vulneráveis ao proselitismo político e religioso?

Compreensão passa aparentemente pelas características de três grupos distintos: um, em certa medida, por inocência, é manipulado, pois sua fé destoa completamente das escrituras e transfigura papel pacificador de Cristo ao sacerdote, líder da igreja. O fiel tem a falsa consciência de que a palavra do pastor é infalível e, como bovino, se deixa levar pela onda fascista. Dois, compreende a dinâmica manipulável e refuta o líder religioso, se apegando às palavras do Salvador e talvez se afaste da igreja. Três, compreende a manipulação e por desonestidade intelectual usa da má fé em apoio incondicional às elucubrações fascistas do líder religioso.

Maioria das pessoas está contida na estratificação do primeiro grupo exposto e, por inocência e limitações intelectuais, podem ser facilmente levados a ofender a filosofia de Cristo; sem consciência cristã são os primeiros cometer a violência de atirar a primeira pedra, ao redizer que "bandido só é bom quando morto", contrapondo a Cristo, que abominou qualquer tipo de violência, oferecendo inclusive a outra face. Na cruz, perdoou o ladrão e o assassino que estavam ao seu lado, enquanto o candidato da extrema direita defende simplesmente a matança generalizada a fim de "resolver" a complexidade dos problemas sociais.

Como compreender, entretanto, apoio de milhões de cristãos a ideias que Cristo tanto combateu em vida terrena?

Por esta causa Ele se deixou ofender, humilhar, se deixou torturar, se deixou violentar contra ideias hoje assumidas por Bolsonaro, que prega o ódio e a deturpação do evangelho em praça pública: misógino, racista, tem desprezo pelos pobres, fracos e oprimidos, desprezo pelas mulheres, tem desprezo pelos indígenas, faz abertamente apologia do estupro; prega a intolerância; faz apologia da violência; exala odor fétido do preconceito e da decomposição da vida ao desejar armar a população.

Cristo acolheu todos os marginalizados pelo preconceito; beijou leproso, defendeu prostitutas da sanha intolerante, expulsou os vendilhões do templo. O contrário prega Bolsonaro, defende o estado neoliberal e a venda do patrimônio do povo a estrangeiros. Açula ódio e preconceito contra as minorias vulneráveis da sociedade, reforçando intolerância contra gays, lésbicas, travestis, transexuais, com a ideia fajuta de que são doentes. A crueldade de Bolsonaro não tem limites contra os mais fracos – ações inquestionáveis de um genuíno anticristão.

A propósito, quem simpatiza com figura abjeta que presta homenagens a sádicos torturadores?

No impeachment de Dilma, homenageou torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, algoz da presidenta, que por tantas vezes introduziu cabo vassoura em vaginas de mulheres durante a ditadura.

Quem votará em pária esdrúxula que deixa nas entrelinhas do seu discurso intolerante a pretensão de matar gays, lésbicas, travestis e transexuais em detrimento dos valores de solidariedade e amor ao próximo como queria Cristo?

Quem?

A questão passa possivelmente por apego a algo como verdade absoluta e fundamentalista. Assim, infelizmente, chega-se ao desprezo pela dialética na concepção do conhecimento, e, por consequente negação da pluralidade e diversidade, como ferramentas imprescindíveis à democracia - antídoto eficaz contra o fascismo.

A certeza absoluta é prejudicial a percepções dos simulacros de realidades e calçar as sandálias da humildade é função precípua para solapar o preconceito e a intolerância e afastar a ignorância.

A máxima filosófica socrática “Só sei que nada sei” parece imprescindível ao debate diante do dilema de escolha da sociedade brasileira, entre civilização e barbárie; sintetiza exemplarmente sabedoria diante de tantas realidades “fakes”, entende-las pode ser o primeiro passo à compreensão e valoração da alteridade concatenada ao conhecimento de si mesmo, como um degrau a mais na ascensão da infinita escada do conhecimento, para talvez chegar ao ensinamento máximo de Cristo: “Amar o próximo como a ti mesmo”.

No país dos verdadeiros cristãos, o bolsofascismo evanjegue não passará.
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Como é possível um cristão apoiar ideias bolsofascistas? – por Nezimar Borges. Como é possível um cristão apoiar ideias bolsofascistas? – por Nezimar Borges. Reviewed by DMM on sexta-feira, setembro 21, 2018 Rating: 5

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