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Autor de feminicídio concorda: ‘bandido bom é bandido morto!’

O policial militar Kássio Mangas, que matou a namorada, também policial militar, Emily Karine Monteiro, escreveu em uma rede social o jargão bastante utilizado pela extrema direita política, em relação à bandidagem: bandido bom é bandido morto! A postagem é de 29 de maio de 2016, quando ainda não havia cometido crime que chocou a opinião pública e causou revolta e tristeza na sociedade macapaense.

Atualizado em 15/08/2018, às 22h08 min.

O assassino confesso Kássio de Mangas deixou recado –  através da expressão "bandido bom é bandido morto", popularizada na década de 80 pelo delegado de polícia do Rio de Janeiro, José Guilherme Godinho. “Fdc os direitos humanos! bandido bom é bandido morto! E minha opinião não muda!”, disse o PM.

No mesmo post, além de desprezar a defesa dos Direitos Humanos, ele concorda com pena de morte para estupradores. “Nada justifica estupro! Não interessa a vestimenta que ela utilizava! Estuprar é nojento, é porco, não é humano! Merece morrer mesmo!”.

No depoimento à Polícia, indiciado por feminicídio, quando se entregou às autoridades na tarde desta terça-feira (14), o PM teve que ser protegido pelos policiais civis e militares diante da revolta dos presentes que o hostilizaram. Alguns com a disposição ao linchamento, como se pode notar nas imagens, aqui.

O crime cometido por Kassio Mangas ocorreu no final da tarde do último domingo (12), dia dos pais, no bairro do Pacoval, na residência da vítima. Ele desferiu três tiros na companheira, um na cabeça, outro na altura do peito e outro na coxa direita.

Kássio Mangas não aceitava o fim do relacionamento, e por isso o crime é tipificado como feminicídio, segundo informou o delegado Ronaldo Coelho.

O crime de Feminicídio

Segundo o dossiê do feminicídio, a expressão fatal das diversas violências que podem atingir as mulheres em sociedades marcadas pela desigualdade de poder entre os gêneros masculino e feminino e por construções históricas, culturais, econômicas, políticas e sociais discriminatórias.

---“A subjugação máxima da mulher por meio de seu extermínio tem raízes históricas na desigualdade de gênero e sempre foi invisibilizada e, por consequência, tolerada pela sociedade. A mulher sempre foi tratada como uma coisa que o homem podia usar, gozar e dispor.”, afirma Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, juíza de Direito do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

De acordo com Eleonora Menicucci - ex-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres entre 2012 e 2015, “trata-se de um crime de ódio. O conceito surgiu na década de 1970 com o fim de reconhecer e dar visibilidade à discriminação, opressão, desigualdade e violência sistemática contra as mulheres, que, em sua forma mais aguda, culmina na morte".

Para Menicucci, "essa forma de assassinato não constitui um evento isolado e nem repentino ou inesperado; ao contrário, faz parte de um processo contínuo de violências, cujas raízes misóginas caracterizam o uso de violência extrema. Inclui uma vasta gama de abusos, desde verbais, físicos e sexuais, como o estupro, e diversas formas de mutilação e de barbárie.”

PS. Conforme lei 13.104/2015, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff, o crime do feminicídio agrava a pena, em caso de condenação, também considerado crime hediondo.

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Autor de feminicídio concorda: ‘bandido bom é bandido morto!’ Autor de feminicídio concorda: ‘bandido bom é bandido morto!’ Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on quarta-feira, agosto 15, 2018 Rating: 5

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