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Na Folha: Lula planejou os passos de sua prisão de olho para a história

"Pessimista com Judiciário, Lula planejou todos os passos de sua prisão. Certo de que não sairia logo da cadeia, ex-presidente organizou despedida de olho na história", diz reportagem de Daniela Lima e Marina Dias na Folha de S.Paulo.


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Quando sua prisão foi decretada, Luiz Inácio Lula da Silva estava fechado em uma sala do instituto que leva seu nome, em São Paulo. Conversava com um deputado do PT e com a mulher dele, que queria dar um abraço no ex-presidente. Por um momento desconectados do noticiário, mantinham-se alheios à informação que se espalhava pelo país.


Àquela altura, ainda estavam no local alguns assessores de Lula e três aliados: a ex-presidente Dilma Rousseff, a senadora e presidente do partido, Gleisi Hoffmann (PT-PR), e o ex-governador Cid Gomes (PDT-CE). Concordaram que seria melhor esperar o retorno dos advogados para falar com o petista.

Dentro do imóvel em que comandou as principais articulações políticas da esquerda desde sua saída do governo, em 2010, Lula foi o último a saber que seu destino estava selado.

Coube a Dilma interromper a conversa amena do petista com o deputado. Ela entrou na sala sem bater e parou em pé ao lado do sofá escuro no qual seu padrinho político se acomodara. Em seguida chegou Gleisi. Não precisaram falar nada. O ex-presidente se levantou e as acompanhou até outro recinto, onde recebeu a notícia da boca de seus defensores.

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O ex-presidente não externou surpresa com o resultado. Tratando os aliados como ingênuos, disse que só eles tinham esperança de um desfecho diferente. “Eu vou ser preso. E não vão me prender para me soltar em três dias.”

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Nos dias que antecederam a decretação da prisão, Lula ouviu uma série de sugestões. Houve desde apelos para se asilar em embaixadas de países simpáticos a sua causa até a proposta de sair de cena após um grande ato em Garanhuns (PE), sua cidade natal, rodeado por nordestinos.

O ex-presidente ignorou os mais radicais, como fez ao longo de toda sua vida. Decidiu que, após a ordem de prisão, se acantonaria no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, entidade que comandou nos anos 1970 e que o projetou como personagem da política nacional. Transformaria o local num bunker cercado por militantes de diversos partidos, bem como de movimentos sociais e sindicais.

Sua principal preocupação era com a imagem daquele momento. Queria deixar para a posteridade a sensação de que estavam levando para a cadeia o maior líder popular da história recente do país.

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Ainda durante a missa em homenagem a Marisa Letícia, um emissário do ex-presidente deixou o sindicato rumo à PF. Emidio de Souza foi o escolhido para, de dentro da superintendência, fazer a conexão entre policiais e petistas para que Lula se entregasse.

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Lula encerrou o discurso e voltou ao sindicato nos braços da militância. A caminhada proporcionou a cena de despedida que o PT tanto queria: uma fotografia aérea em que o ex-presidente aparece ao centro, rodeado por uma multidão toda voltada para ele.

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Antes de deixar o sindicato, Lula despediu-se dos companheiros em pequenos grupos. Teve conversas reservadas com Fernando Haddad, possível herdeiro político, com Gleisi, que transformou em sua porta-voz, e com Luiz Marinho, o ex-prefeito de São Bernardo que tem percorrido gabinetes de ministros do STF na tentativa de convencê-los a libertar o ex-presidente.

Lula deixou claro que, em qualquer situação, ainda está disposto a ser o senhor de seu próprio destino — e do destino do partido que criou.
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Na Folha: Lula planejou os passos de sua prisão de olho para a história Na Folha: Lula planejou os passos de sua prisão de olho para a história Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on domingo, abril 15, 2018 Rating: 5

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