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CUT e petistas condenam ‘aluguel de tempo de TV do PT’.

Aluguel de tempo de TV’ do PT para o PTB gera duras críticas de dirigentes da CUT e do PT. Petistas defendem candidatura do PT ao Senado e condenam apoio a Waldez e golpistas. 


A decisão deste sábado, 10, do Encontro Estadual de Tática Eleitoral do PT, foi um verdadeiro banho de água fria nas pretensões políticas de lideranças e grupos internos que possuem cargos no governo Waldez Góes e que a qualquer preço tentam negociar o tempo de TV da legenda em busca de mais espaços e secretarias no governo, objetivando fortalecer projetos eleitorais para as disputas da Assembleia Legislativa e Câmara Federal.

 O presidente do PT-AP, Antônio Nogueira e o vice-presidente Marcos Roberto, seriam os principais articuladores da negociata que pretende alugar o tempo de TV do PT para Waldez e para o PTB, partido da sua base que tem como pré-candidato ao Senado, o ex-deputado Lucas Barreto.
A ala de Nogueira defende uma aliança para deputado federal com o PTB, partido que nacionalmente é presidido pelo ex-deputado Roberto Jefferson, pivô do famigerado escândalo do Mensalão e que recentemente teve a indicação do nome da sua filha para o Ministério do Trabalho no governo Temer, barrado pelo STF.

O PTB tenta viabilizar uma aliança formal com o PT do Amapá a contragosto das diretrizes do Diretório Nacional petista. O partido de Roberto Jefferson assedia os petistas para alugarem o tempo de TV da legenda e emplacar o nome do ex-deputado Lucas Barreto.

O nome de Lucas chegou a ser envolvido no famoso escândalo dos Atos Secretos do Senado, onde era apontado como afilhado político do ex-senador José Sarney (MDB). Recentemente o jornal O Globo noticiou que Sarney saiu do Amapá e transferiu seu domicílio para o Maranhão, mas deve depositar suas fichas no seu pupilo Lucas Barreto para o Senado.

Lucas Barreto também declarou esta semana em entrevista ao jornal A Gazeta que já fechou aliança e apoio para ser a primeira opção na disputa para o Senado no palanque do govenador Waldez Góes. Para isso, o PTB de Lucas Barreto contaria com o tempo de TV do PT, oferecido como moeda de troca pelo presidente da legenda Antônio Nogueira e outros dirigentes, durante uma reunião da Comissão Eleitoral do PT com o presidente do PTB, Eduardo Seabra, que teria selado o acordo.

O outro candidato ao Senado deve sair do MDB que enfrenta uma disputa interna entre a Secretária das Mulheres do governo Temer, Fátima Pelaes e o ex-senador Gilvam Borges. Ou ainda do PPS, que lançou a pré-candidatura de Jorge Amanajás para o Senado. Amanajás ocupa o cargo de Secretário de Transpores no governo Waldez e afirma que o PPS não abrirá mão do seu nome para o Senado e a indicação do nome do empresário Josmar Pinto para vice na chapa de Waldez.

Os petistas estarão diante de um dilema caso a vontade do grupo de Nogueira de apoiar Waldez ao governo saia vitoriosa no embate colocado internamente no PT, pois no palanque do atual governador irão prevalecer dois candidatos ao senado de partidos (PMDB, PTB, PPS) que apoiaram o golpe e que combatem ferrenhamente a candidatura de Lula no Amapá e a nível nacional.

A proposta de alugar o tempo de TV do PT, segundo denunciam os petistas, não tem apoio entre os filiados, militantes e nem mesmo na base dos filiados e militantes do grupo de Nogueira e das outras correntes com assento na Executiva Estadual do PT. A tentativa de entregar o PT no colo de Waldez, sofreu duras críticas de dirigentes do PT e da CUT-AP, que denunciam que o grupo de Nogueira quer se aliar com partidos que apoiaram o golpe parlamentar de 2016 contra Dilma e que combatem de forma violenta a liderança da ex-presidente Lula, defendendo a sua prisão, devido a sua condenação em segunda instância no TRF4.

CUT e dirigentes do PT defendem candidatura do PT ao Senado Por outro lado, cresce no meio da militância o sentimento de que o PT deve disputar uma das vagas para o Senado e usar a oportunidade do tempo de TV para fortalecer a narrativa do golpe e denunciar a perseguição judicial contra Lula.

Na última sexta-feira, a discussão sobre os rumos do PT no Amapá já iniciava com entrevistas do presidente da CUT e um dirigente do PT ao programa Ponto da Pauta da rádio 99,9 FM e prometia incendiar o debate no Encontro Eleitoral. Geovane Granjeiro, que é presidente da CUT-AP e delegado no Encontro realizado no sábado, tem sido um crítico ferrenho da aliança com Waldez Góes, que deve ter em seu palanque partidos como PMDB, PTB, PPS, PR e outras legendas que votaram maciçamente para a derrubada de Dilma Roussef da presidência no processo de impeachment de 2016. “O PT deve ter a consciência de que a classe trabalhadora não aceitou o golpe de 2016 que continua por meio dos ataques das reformas de Temer e no Amapá se intensifica com os ataques do governo Waldez e seus aliados golpistas”, avalia o sindicalista.

A professora Kátia Cilene, presidente do Sinsepeap, o maior sindicato do Amapá que representa os trabalhadores da Educação Pública, é outra liderança cutista que defende uma candidatura própria do PT para o Senado. A professora que também era delegada no Encontro realizado ontem em Macapá, chegou a afirmar que enxerga com preocupação as alianças que o grupo majoritário do PT tenta impor para sua base, pois o partido pode enfrentar forte revés eleitoral e resistência na base sindical do PT, criando dificuldades para a defesa da candidatura de Lula no Amapá.

O jornalista Heverson Castro, que é membro do Diretório Estadual do PT, tem sido a voz mais crítica do que chama de alianças espúrias dentro da direção do partido e promete levar ao conhecimento do Diretório Nacional, o que vem acontecendo no Amapá. “Uma aliança com esses partidos representa um desrespeito às diretrizes nacionais de enfrentar os partidos golpistas, que tiraram de forma ilegítima do poder uma presidente eleita pelo povo. O PTB, PPS também participam de uma campanha violenta para destruir e prender Lula, que é a maior liderança popular do país e o nosso pré-candidato à presidência em 2018”, denuncia o dirigente que pertence a corrente O Trabalho, uma das mais radicais da esquerda do PT.

Castro diz que a resolução aprovada ontem, apesar de ter representado uma derrota para o grupo que defendia um alinhamento automático ao governo Waldez e ao PTB, também fere a linha programática do partido que apontou em resolução do seu último Congresso Nacional que a prioridade seria fazer alianças com paridos do campo progressista e ampliar sua bancada na Câmara e no Senado Federal.
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CUT e petistas condenam ‘aluguel de tempo de TV do PT’. CUT e petistas condenam ‘aluguel de tempo de TV do PT’. Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on domingo, março 11, 2018 Rating: 5

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