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Artionka sobre infortúnio de Marielle Franco: 'O luto deve virar luta'.

Antropóloga Artionka Capiberibe resumiu sentimento emergido em muitos brasileiros que lutam por uma Nação melhor, ao comentar assassinato da vereadora e ativista dos Direitos Humanos, Marielle Franco (Psol-Rj). “Percebi, de maneira profunda, que há ainda mais dimensões de perdas. Marielle era mulher, negra, vinda da favela e lésbica, detentora de um mandato que representava todas essas categorias e que podia fazer diferença para a vida das pessoas que ela representava”. Que “o LUTO deve virar LUTA”.


Por Artionka Capiberibe — Professora do Departamento de Antropologia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp/SP) — em seu perfil do Facebook.
A primeira vez que chorei o assassinato de uma pessoa foi quando morreu Paulo Fonteles, militante e defensor de camponeses, como se chamavam os sem-terra na época. Tinha 16 anos e lembro do sentimento de tristeza e de preocupação principalmente com o fato de ele ter deixado filhos. Ficava pensando, num egoísmo próprio da adolescência, e se fosse meu pai?

Ao longo dos anos, chorei em muitos atos em homenagem a pessoas como Paulo Fonteles. Isso faz parte de ser filha de militantes para quem as vidas dos excluídos da proteção do Estado importam. Mas o sentimento foi se modificando com o tempo, a cada assassinato chorado, a cada grito de "Presente" para uma pessoa ausente, a tristeza e preocupação com uma família que perdia um ser querido foi se ampliando. Primeiro eu mesma passei a me sentir órfã; depois inclui nessa dor um conjunto maior de pessoas (aquelas que compartilham da ideia de que a desigualdade social é um mal profundo que precisa ser erradicado) e, por fim, passei a sentir que a sociedade como um todo ficava órfã a cada assassinato.

Ontem, quando soube do extermínio violento de Marielle, fiquei transtornada. No ato feito no IFCH percebi, de maneira profunda, que há ainda mais dimensões de perdas. Marielle era mulher, negra, vinda da favela e lésbica, detentora de um mandato que representava todas essas categorias e que podia fazer diferença para a vida das pessoas que ela representava. Hoje, é também por isso que choro.

E, é por sua família, por seus amigos, pelos mais de 46 mil votos e por todas as categorias que ela representava que o LUTO deve virar LUTA.

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Artionka sobre infortúnio de Marielle Franco: 'O luto deve virar luta'. Artionka sobre infortúnio de Marielle Franco: 'O luto deve virar luta'. Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on sexta-feira, março 16, 2018 Rating: 5

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