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Joãosinho Trinta e Jack Vasconcelos - o carnavalesco que denunciou o golpe na Sapucaí.

O carnavalesco da Escola de Samba 'Paraíso do Tuiuti', Jack Vasconcelos, revelação do Carnaval carioca virou centro das atenções depois de levar para avenida na Marquês da Sapucaí, no Rio de Janeiro, a história da escravidão que se desenrola dos tempos quase imemoriais, até a escravidão moderna após reformas neoliberais do governo golpista de Michel Temer (MDB). Na pesquisa do site UOL com internautas, cerca de 90% escolheram a Paraíso do Tuiuti como a campeã do domingo de desfiles na Marquês de Sapucaí. A Agremiação teve origem no Morro do Tuiuti, no bairro de São Cristóvão, na Zona Central da cidade do Rio.


A Escola mostrou coragem ao romper silêncio em torno das reformas draconianas do governo Temer, apoiada pelo maior grupo de televisão do país, a rede Globo. Não só a Globo empresta apoio as reformas, mas a mídia de forma geral tem se aliado ao governo golpista em sua sanha na retirada dos direitos dos trabalhadores.

A performance de Jack Vasconcelos no desfile da Tuiuti, na noite do último domingo, deu o que falar nas redes sociais. Em sua página do Facebook, a simples reprodução da foto do carnavalesco da escola rendeu cerca de 2 mil compartilhamentos.

---“carnavalesco comunista” --- escreveu uma navegante descontente com a repercussão do artista nas redes sociais.

De fato, o Samba-Enredo “Meu Deus, meus Deus, está extinta a escravidão?” questiona duramente o suposto fim da escravidão, criticou o golpe parlamentar de 2016, a perda de direitos, tirou sarro dos ‘manifantoches’ que pediram o impeachment de Dilma Rousseff e mostrou Michel Temer fantasiado de Vampirão. As críticas tiveram de ser tudo televisionado ao vivo pela TV Globo, coautora do golpe.

O sucesso da escola na avenida mexeu com os brasileiros nas arquibancadas e nas redes sociais, mais pela ousadia em denunciar papel da mídia corporativa na manipulação dos patos e paneleiros para derrubada da presidente eleita Dilma Rousseff, do que os míseros 35 segundos da Escola no Jornal Nacional. No processo fraudulento do impeachment, tal manipulação criminosa na cobertura da Globo e congêneres, abriu caminho para a ‘escravidão moderna’: o assalto aos direitos sociais dos brasileiros.

Em fevereiro de 2017, o carnavalesco Jack Vasconcelos deu entrevista ao site especializado Carnavalesco, na qual disse que uma de suas principais influencias foi Joãozinho Trinta, que criou o mítico Ratos e Urubus em 1989, pela Beija Flor, uma ácida crítica social que teve a imagem de um Cristo mendigo proibida.

Leia parte da entrevista.

– Quando você descobriu que tinha dom para artes e como foi?

Jack Vasconcelos: Eu desenhava na escola. Tentava imitar os traços do Daniel Azulay, que tinha um programa de TV e eu assistia muito.

Comecei rabiscando, e no colégio eles viram que eu tinha aptidão para desenho. Mas nesta fase, nunca passou pela minha cabeça seguir essa área, e minha família não tinha nenhuma interação com o carnaval.

Mas eu gostava da área de desenho, e só mais tarde passei a acompanhar carnaval, e fui gostando mais, investi na parte de desenho.

– E como entrou no mundo carnavalesco?

Jack Vasconcelos: Certa vez fui a Viradouro e o Joãozinho Trinta que me recebeu. Ele me mostrou os desenhos e foi quando eu vi que eu não desenhava nada. Ali eu pensei que precisava estudar mais desenho.

Eu pensava que desenhava alguma coisa e saí de lá me sentindo humilhado. Ele me aconselhou a estudar, porque eu era novo, adolescente e eu quis investir muito nisso. E a área do carnaval me atraiu, eu achei que podia fazer.

No mesmo dia que o João me falou aquilo, isso ali pelos anos 90, eu já estava me inscrevendo num curso de desenho artístico. Fiquei no curso por uns quatro anos, e foi um divisor de águas para mim.

Eu me interessei por carnaval vendo o produto final dele, que é a parte mais fácil. Mas ele por dentro eu pensava que era uma coisa e era outra completamente diferente. E já não tinha como voltar atrás.

Eu já estava apaixonado por esse universo.

– Em casa, a família incentivou quando você disse que ia trabalhar em barracão de escola de samba?

Jack Vasconcelos: Minha família me apoiou completamente, desde sempre. Claro que havia preocupação, porque quem envereda pelo lado artístico trabalha numa inconstância a vida toda.

Na verdade, hoje em dia, nem ser concursado dá instabilidade; isso ficou lá atrás.

O conselho do João foi crucial porque a gente as vezes pensa que está pronto para algo, mas a verdade é que a gente nunca está.

Sou eternamente grato a ele. Eu tenho esse hábito de estar sempre estudando. Manter-se bem informado é um estudo. Se você tem hábito de se informar sempre, ler um jornal, é estar estudando.

Eu gosto disso. Eu acabei me apaixonando pela área artística quando fui fazer Belas Artes, e acabei me interessando por outras áreas para saber como elas poderiam me ajudar no carnaval.

Fiz teatro, fiz TV, então fui pegando as oportunidades que apareceram e isso foi me dando gosto. Meus pais trabalhavam com livros, então eu já era íntimo de sempre querer aprender, me informar sempre mais.

Beija-FLor: 1989.



Paraíso do Tuiuti: 2017.



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Joãosinho Trinta e Jack Vasconcelos - o carnavalesco que denunciou o golpe na Sapucaí. Joãosinho Trinta e Jack Vasconcelos - o carnavalesco que denunciou o golpe na Sapucaí. Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on terça-feira, fevereiro 13, 2018 Rating: 5

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