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Filme sobre golpe de 2016 é exibido em Berlim (GER).

Brasileiro Antônio Salvador, residente em Berlim, escreveu em seu perfil no Facebook como foi a exibição do documentário “O Processo”, na capital da Alemanha.


No perfil do Facebook de Antônio Salvador.

O PROCESSO
O filme “O Processo” de Maria Augusta Ramos, sobre o impeachment da Presidenta Dilma, foi ovacionado ontem no Festival de Berlim. Sala lotada. Nem sombra de ingressos, desde segunda-feira.

Percorrendo os corredores sombrios do Congresso Nacional, o filme consegue a proeza de penetrar as dramáticas personagens da História brasileira recente e exibí-las para além de suas personas. As lentes e, mais propriamente, o olho da diretora souberam captar a fragilidade, o terror, os pensamentos hediondos, o humano, enfim. O resultado é, estética e dramaturgicamente, perfeito.

Em termos históricos, a diretora produziu o documento cinematográfico mais relevante do nosso tempo.

A reação do público foi uma narrativa à parte. Apenas para se ter uma ideia, o alemão não costuma aplaudir. Quando o faz, é discreto e não se demora. Gritos, nem pensar. Ao final das sessões da Berlinale, há em geral um bate-papo rápido com os diretores.

Pois bem. Eu nunca havia presenciado tamanha explosão no Festival. E não apenas ao final do filme, mas também durante. Houve de tudo: gritos, palmas, gargalhadas. Na fileira em que eu estava, só havia alemães. Eles tem a mania de dar um tapa no ar, quando consideram algo absurdo ou ridículo. Era essa a reação frequente tão logo assomasse na tela a cara de Janaína Paschoal, Aécio, Cunha, Aloysio.

Uma mulher ao meu lado repetia incessantemente “unglaublich…” (inacreditável). Fiquei cismado sobre se as pessoas compreendiam o enredo kafkiano do processo. Ao final, perguntei à mulher e ela evocou os olhos dos julgadores! “Schau mal die Augen!” Só compreendi depois. Com efeito, assim é o cinema... Amplia-se um olho e ele logo contradiz a boca. Assim é a vida.

O estertor de aplausos foi demorado. Os gritos de “bravo!”, idem. Muitos críticos, jornalistas de todo o mundo, gente de cinema. Salvo engano, foi em 2012 que conheci Maria Augusta. Aqui e acolá nos encontramos. Em comum, o fato de pertencermos à diáspora de artistas brasileiros.

Quando tudo acabou, ela me disse: “Parece que eles entenderam, não?”.
Visivelmente.

ANTONIO SALVADOR

*Texto escrito originalmente para a coluna "O Coice" do Cultura e Mercado.

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Filme sobre golpe de 2016 é exibido em Berlim (GER). Filme sobre golpe de 2016 é exibido em Berlim (GER). Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on sexta-feira, fevereiro 23, 2018 Rating: 5

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