Header AD

Defender Lula é defender a democracia brasileira – por Nezimar Borges.

O julgamento do ex-presidente Lula marcado para ocorrer no próximo dia 24, em Porto Alegre, é assunto recorrente e pertinente ao mundo político dos democratas, que ultrapassa, talvez, as discussões superficiais em redes sociais e possibilita uma discussão mais ampla sobre a arena política engolida pelo poder Judiciário. Para o jornalista Nezimar Borges, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofre perseguição política. “Alija-lo do processo da disputa eleitoral que se aproxima é condenar o que ele representa para esmagadora maioria dos pobres brasileiros, é condenar a base social do Cristianismo: a busca pelo vislumbre da igualdade social”, avalia.


Defender Lula é defender a democracia – por Nezimar Borges

O julgamento do ex-presidente Lula, marcado para ocorrer a exato duas semanas no Tribunal Regional Federal (TRF4ª), será um marco na história da democracia, vilipendiada por golpes de estado desde a independência brasileira. De fato, o retrospecto revela que a nação esteve mais tempo sob regimes de exceção, alheio à vontade popular, do que sob a legitimidade do sufrágio universal.

Por que defender Lula, todavia, é defender retorno da democracia? Ora — sem se ater, por enquanto, a seu feito de catapultar o Brasil ao topo do mundo — ao se debruçar sobre leitura da sentença que o condenou, não se encontra indícios fortes dos fatos do crime atribuído ao ex-presidente, embora um delator o acuse de ser proprietário de um imóvel sem, no entanto, apresentar provas - ou seja – Sérgio Moro o condenou apenas em depoimento de um criminoso confesso e em delação premiada.

Alheio à sentença de condenação, imersa em linguagem “Juridiquês” de difícil entendimento por parte de algumas pessoas, neste libelo evoca-se o argumento aventado pela artista plástica e escritora, Márcia Tiburi, ao chamar atenção para fato simples sobre a condenação do ex-presidente, que talvez faça juntar um neurônio com outro, para o cidadão médio chegar à conclusão de indispensável obviedade: "Pode alguém, apontado como autor de um crime contra um réu, julgá-lo?.”

Tiburi se refere a uma das decisões teratológicas do juiz Sérgio Moro, aquela em que o magistrado fez divulgar para rede Globo, ao arrepio da lei, interceptação ilegal de conversa telefônica entre Lula e Dilma Rousseff. Tal fato está tipificado como crime no Código de Processo Penal e, portanto, o juiz do caso teria em tese praticado crime contra o réu. Detalhe, em nenhuma democracia do mundo, tal ilegalidade é tolerada. Neste caso, o juiz seria interceptado pelo poder Judiciário por suspeição ou por impedimento.

Voltando ao argumento da defesa do ex-prsidente, para tal, não necessariamente é preciso vestir camisa petista. É imensamente maior do que isso, é sair em defesa da democracia brasileira. Alija-lo do processo da disputa eleitoral que se aproxima é condenar o que ele representa para esmagadora maioria dos pobres brasileiros, é condenar a base social do Cristianismo: a busca pelo vislumbre da igualdade social.

Para defendê-lo, ainda com defeitos que acompanham seres humanos, sobretudo, governos, poderia aprofundar em diversas proezas de inclusão social para pobres, negros, para mulheres protegidas pela lei Maria Penha, indígenas, para estudantes universitários, et caterva, ou a máxima proeza de elevar o país ao status de potência econômica, junto com Rússia, índia e China, através dos Brics, porém, aqui se atem apenas a um programa, o ‘Bolsa Família’, sistematicamente atacado pelas elites e por cidadãos dignos, talvez, de pena, que consideram ‘bolsa esmola’, ou “bolsa para vagabundos”.

Não se imagina, contudo, quantas crianças de até um ano de idade foram salvas da morte certa nos cantos e recantos do Brasil pelos objetivos do Bolsa Família, apesar do argumento grosseiro, contrário, como aquele que acusa este feito de Lula de servir à corrupção. Ora, aponta-se algo perfeito quando se trata de relações humanas, ainda mais se tratando de recursos financeiros? Ok! Façamos exercício de raciocínio imprescindível para essas linhas: se o programa de inclusão social, ao invés de salvar da morte dez crianças desnutridas, salva sete delas e apenas três sucumbem a morte supostamente por única e exclusiva culpa dos desvios de recursos no processo de rateio entre supostos necessitados, e diante desta inequívoca imperfeição, você destruiria o programa por completo em detrimento daquelas vidas de crianças salvas? Aqui, apela-se à sensibilidade das almas cristãs, afinal, assim pronunciava o Nazareno antes de ser crucificado na Cruz, através de Mateus, 25:35: “tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber”.

Condenar Lula alimentará monstruosidade do golpe continuado, será danoso para os brasileiros, sobretudo àqueles que mais precisam do estado do bem-estar social.

Com base somente nos fatos reais, alheio à manipulação midiática, é certo que o ex-presidente sofre perseguição política, através do uso da Justiça do Estado para fins políticos, adequadamente denunciado pelos advogados de defesa do petista como Lawfere, ou 'guerra jurídica', Entre as ilegalidades apontadas está: (1) Manipulação do sistema legal, com aparência de legalidade, para fins políticos; (2) Instauração de processos judiciais sem qualquer mérito; (3) Abuso de direito, com o intuito de prejudicar a reputação de um adversário; (4) Promoção de ações judiciais para desacreditar o oponente; (5) Tentativa de influenciar opinião pública com utilização da lei para obter publicidade negativa; (6) Judicialização da política: a lei como instrumento para conectar meios e fins políticos; (7) Promoção de desilusão popular; (8) Crítica àqueles que usam o direito internacional e os processos judiciais para fazer reivindicações contra o Estado; (9) Utilização do direito como forma de constranger o adversário; (10) Bloqueio e retaliação das tentativas dos adversários de fazer uso de procedimentos e normas legais disponíveis para defender seus direitos; e (11) Acusação das ações dos inimigos como imorais e ilegais, com o fim de frustrar objetivos contrários.

A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas, dizia estadista inglês. No Brasil atual, defender Lula é defender esse regime democrático, apesar de combalido, estuprado ao longo dos anos pelo poder econômico, que compra, de fato, considerada parcela do poder político.

Aqui, apela-se mais uma vez ao bom senso, à razão, à inteligência para gravidade do golpe em curso, pois quem não é capaz de tremer e de se indignar diante de uma INJUSTIÇA, ao menos cale-se diante das consequências dela quando atingir todos, sem exceção, através de reformas sociais esdrúxulas, que abraçarão com braços de estivador também os filhos daqueles que torcem pela condenação sem provas do ex-presidente.
___

Defender Lula é defender a democracia brasileira – por Nezimar Borges. Defender Lula é defender a democracia brasileira – por Nezimar Borges. Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on quarta-feira, janeiro 10, 2018 Rating: 5

Nenhum comentário


SE O LEITOR TEM ALGUMA NOTÍCIA PARA COMPARTILHAR, ENVIE PARA O WHATSAPP (96)98135-3197.

O Diário do Meio do Mundo é espaço dedicado ao jornalismo independente. Contribua para mantê-lo online. Obrigado! Se não tem conta no PayPal, não há necessidade se inscrever para doar ou assinar, basta apenas usar o cartão de crédito ou de débito. Para quem prefere fazer depósito em conta: Banco do Brasil; Agência: 2825-8; CC: 219.880-0.


Post AD