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Solidariedade: Negro expulso do show do Coldplay em SP assiste à banda em Porto Alegre.

A história de solidariedade a negro expulso do show da branda britânica Coldplay, em São Paulo. Uma corrente do bem foi constituída por uma boa causa - por gente até desconhecida - principalmente nesses dias, de obscurantismo por qual passa o país, quando se acentua o crescimento da besta fascista.


Por Vicente Carvalho, no RPA.
Como vocês devem saber, a banda britânica Coldplay está no Brasil fazendo shows de sua turnê de sucesso e que, entre um show e outro, tiraram um tempo para visitar a brinquedoteca do Incor e dar uma palhinha para pacientes internados – relembre aqui.

Mas, infelizmente houve também um acontecimento bastante triste durante a passagem deles por aqui, que mostra o racismo escancarado que tanto acontece em nosso país.

No show que aconteceu no dia 07 de novembro, em São Paulo – SP, o Gabriel, um homem negro, que na estava no Allianz Parque e, assim como todo mundo que comprou o seu ingresso, esperava pelo início do show do Coldplay. A polícia, então, chegou no local e não apenas o deteu, mas também, o agrediu e algemou.

O incidente começou quando duas mulheres brancas reclamaram que Gabriel estava “na frente delas”. “A polícia entendeu que o negro não pertence ao show do Coldplay, mesmo tendo comprado ingresso”, disse Helena Vasconcellos, amiga de Gabriel, em uma publicação no Facebook. Ela ainda passou um trecho mais completo do que aconteceu:

“As minas foram reclamar que ele (e elas) e todo mundo estava em pé no vão das escadas (como todo mundo faz nas cadeiras superiores pq tem superlotação), e chamaram a PM porque ele estava na frente delas, porém o tiro saiu pela culatra, pois a PM retirou todos das escadas. Quando a PM foi embora, todos voltaram, e pasme, só o negro foi preso. Começaram a puxar ele pelo braço pra sair, ele disse que não ia sair pq pagou o ingresso e Coldplay é a banda da vida dele. O policial insistiu e daí virou o show de horror que temos gravado, documentado e noticiado. Os policiais chamaram ele de “neguinho de merda”, e insinuaram que plantariam drogas nas coisas dele se ele não baixasse a cabeça e pedisse desculpas. A alegação foi desacato à autoridade, pq ele ficou chateado de ser o único a ter que sair do show, e não queria sair, com toda razão! Quem não ficaria puto? Mais empatia, por favor.”

O post teve milhares de curtidas, compartilhamentos e comentários, a maioria se solidarizando pelo ocorrido. E não parou por aí…

Corrente do bem e a força do trabalho em equipe

Acontece que a Ana Rodrigues, uma outra amiga de Gabriel, não queria deixar essa história passar batida. Resolveu fazer um post no Facebook pedindo ajuda para levá-lo para assistir o show da banda, em Porto Alegre. “As providências legais já haviam sido tomadas, mas o sonho dele continuava esperando pra ser realizado”, disse ela na publicação.

E foi aí então que ela “viu em pouco tempo uma rede de solidariedade”, eles não só conseguiram passagem, como uma vaquinha se formou para comprar o ingresso dele.

Na publicação em agradecimento ela disse: “Por meio do Iata Anderson Brandão Alves, piloto da Azul Linhas Aéreas Brasileiras, conseguimos emitir o bilhete de ida do Gabs pra POA. Foi um trabalho em equipe. O único voo disponível chegava às 22:46, então mais amigos entraram e conseguimos remarcar pro das 6:10 da manhã de hoje. Mas a passagem era de stand by, e todos os voos de Campinas pra POA estavam lotados. Foi então que entraram mais dois anjos na história: Mariana e Elisa, agentes do aeroporto de Viracopos.

Ele foi reconhecido na fila, e os passageiros do voo já estavam planejando escondê-lo no bagageiro pra ele chegar, mas ele pegou. Pegou o último lugar, no voo das 9:30h pra POA. Entrou no avião e foi recebido com comemoração de todos os passageiros!”. Vejam a publicação que ela fez pouco depois do embarque dele:
Helena, em outra publicação disse: “Ao longo do dia, pessoas lindas entraram em ação pra corrigir a injustiça e garantir que o meu amado amigo assistisse ao show que lhe foi tolhido.”

A equipe da empresa aérea Azul foi extremamente solícita, segundo Ana, em conversa com a redação do Razões, em fazer o possível e impossível para conseguir embarcar o Gabriel para ir de encontro ao tão sonhado show de sua vida. Ela diz:

“Eu queria deixar o meu agradecimento especial a essa equipe maravilhosa da Azul, que provou da melhor maneira possível que, apesar do nome, cor é o que menos importa nesse mundo. Se temos amor, solidariedade e principalmente humanidade, as distâncias ficam pequenas. Principalmente a distância entre as pessoas. Deixo aqui os nomes dos funcionários que tanto nos ajudaram:
Iata Anderson Brandão
Mariana Tonin Moscardini
Elisa Oliveira Aparecido
Base MCZ”
Alguns dos funcionários da Azul. (Reprodução Facebook)
Ao final dessa história toda, fica uma grande certeza que sempre falamos aqui no Razões e que a Helena escreveu em seu post: “O bem vence o mal, e tem muito mais gente boa no mundo do que gente má e truculenta! (…) Estou transbordando! Gratidão a toda a corrente do bem, a todos que proferiram palavras de apoio e torceram por nós! E pra quem duvidou da gente ou destilou ódio, desejo luz pra vocês pois vocês precisam!”.

E pra finalizar, nada melhor que vez a cara de felicidade do Gabriel, já dentro do show em Porto Alegre, pronto para assisti-lo e curtir muito o som de Coldplay, e como a própria Ana citou um trecho de Yellow, do Coldplay:

“Your skin, oh yeah your skin and bones… Turn into something beautiful…”
Que em português, fica: “a sua pele, oh yeah, a sua pele e ossos.. se transformam em algo bonito…”

Isso aí Gabriel! Parabéns a todos envolvidos nessa história que nos deu muitas e muitas razões para acreditar  [...]

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Solidariedade: Negro expulso do show do Coldplay em SP assiste à banda em Porto Alegre. Solidariedade: Negro expulso do show do Coldplay em SP assiste à banda em Porto Alegre. Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on segunda-feira, novembro 13, 2017 Rating: 5

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