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A sina desmoralizante de Marina Silva em Macapá.

Editor do DMM discorre sobre a trajetória política da ex-senadora e presidenciável Marina Silva, depois da participação da pré candidata no encontro que reuniu artistas, ativistas, ambientalistas e líderes políticos em "Ato Mundial em defesa da Amazônia", contra a privatização da Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca). Evento realizado no último sábado (02), em Macapá.

Do Editor.
Marina Silva/; Uol.
Atualizado em 06/09/2017, às 07h47' — Se existe o termo feminino para vacilão, Marina Silva aqui designada de MS, pode ser considerada vacilona ou vacilã, como queiram, por causa de suas ações políticas incoerentes, principalmente diante de situações oportunas para candidato a posição de estadista.

Há diferentes desenganos com suas atitudes políticas.  Gente que já foi admirador de sua trajetória política lá pelos idos da década passada, mas se perdia a emoção de acompanhá-la quando ficara evidente a mudança de rumo à medida que a acreana ia sendo preterida por Lula nos anos anteriores à sucessão presidencial de 2010.

Não só Marina deu meia volta volver rumo à direita depois de ser rifada por Lula como sucessora, mas também o senador planaltino Cristovão Buarque que a acompanha na mesma esteira da desmoralização sobretudo depois do golpe parlamentar de 2016.

A pseudoambientalista deu diversas mostras de sua incapacidade para traçar minimamente coerência em seu discurso, quando precisou tomar posição diante de alguns fatos relevantes para o país: posição diante do mensalão, o apoio ao candidato tucano Aécio Neves no 2ºTurno das eleições de 2014, o silêncio diante do desastre ambiental em Mariana, apoio ao golpe parlamentar contra a democracia em 2016. Só para ficar entres os destaques. Não à toa, por inúmeros vacilos, o jornalista Paulo Henrique Amorim cunhou-a com o pseudônimo de Blá-blarina, alusão ao seu discurso político que não passa de blablablá.

A traquinagem da elite política e econômica para retomar o poder, ante sucesso das duas gestões do presidente Lula, tomou forma jurídica com o processo do mensalão, ao lançar mão do famigerado “domínio do fato” para condenar uma das principais lideranças políticas do PT. Tal condenação foi criticada por juristas renomados, obrigando inclusive jurista alemão Claus Roxin, teórico do domínio do fato, a repreender ministros da Suprema Corte brasileira. Na avaliação do pai do “domínio do fato”, é interessante saber que no caso do mensalão houve o clamor por condenações severas, mesmo sem provas suficientes. O problema é que isso não corresponde ao direito. Contudo, o que vem ao caso nessas linhas é a desfaçatez de Marina, pretensiosa do Planalto Central, abandonar antigos companheiros e esboçar condená-los mesmo antes da farsa do julgamento do mensalão.
Não há imagem mais devastadora e desmoralizante para MS do que aquela fotografia em que o candidato tucano, o corrupto Aécio Neves, beijava suas mãos no 2ºTurno das eleições de 2014. Sem mais comentários.

Mais uma ação contraditória entre discurso e prática veio mais uma vez à baila em novembro de 2015, com o maior desastre ambiental do país, em Mariana, no estado de Minas Gerais, causando a morte do Rio Doce e deixando 19 pessoas mortas. MS manteve a retórica contraditória como se fosse eximia ambientalista de ocasião, não emitiu uma nota, uma palavra sequer, um silêncio obsequioso que a condena aonde quer que vá.

O vacilo de Marina que pode ter causado mais estragos ao seu incipiente partido, o Rede e Sustentabilidade, foi ter apoiado o golpe parlamentar contra a democracia no país, que colocou uma quadrilha bem articulada no poder. Ela chegou a peitar o único senador da Rede, e entrou em rota de colisão com Randolfe Rodrigues(Rede-AP) por causa do processo do impeachment no Congresso. O senador Randolfe chegou a ser repreendido por MS por causa de apoio a Dilma Rousseff - contra o golpe.

O atrito contra o Randolfe pode ter sido a gota d’água para que diversos intelectuais abandonassem a REDE. Em carta aberta, eles informaram a saída da legenda anunciando o principal motivo para a debandada geral, o autoritarismo de Marina em relação a temas-chave para o Brasil, como o apoio ao PSDB e ao impeachment de a ex-presidente Dilma Rousseff. Esses intelectuais acompanhavam MS desde longos anos e acusaram-na de não ouvir o partido em decisão a favor do impeachment de Dilma Rousseff.

Trecho da carta faz jus ao perfil vacilante de MS ao concluir que o partido REDE está sem rumo. Concluem que o que ocorreu com o partido, com apoio ao corrupto Aécio Neves e ao golpe parlamentar de 2016, foi um mergulho em direção ao passado e às tradições políticas que esses intelectuais pretendiam superar, mas com Marina no comando isso se tornou inviável.

No discurso em "Ato Mundial em defesa da Amazônia", contra a privatização da Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), evento ocorrido neste sábado em Macapá, Marina Silva foi a voz destoante em uma festa que havia tudo para terminar linda. MS pode ainda não compreender o grave momento que vive o país, pois seu desenho de críticas aos petistas Lula e Dilma mostram mais uma vez que, infelizmente por hora, ainda não se despiu do hábito de golpista.
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A sina desmoralizante de Marina Silva em Macapá. A sina desmoralizante de Marina Silva em Macapá. Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on segunda-feira, setembro 04, 2017 Rating: 5

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