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Pra Sonhar, de Marcelo Jeneci — por Nezimar Borges

O DMM traz uma difícil interpretação para a canção “Pra Sonhar”, de Marcelo Jeneci, pois trata-se de composição extremamente singela. Se ouvi-la pode ser que queiras se apaixonar e casar!

Quando te vi passar fiquei paralisado
Tremi até o chão como um terremoto no Japão
Um vento, um tufão
Uma batedeira sem botão
Foi assim, viu
Me vi na sua mão
A canção traz o sonho afetivo a casais que pretendem partilhar emoções até os derradeiros momentos da vida, fazer história se amando mutuamente, com perdão do excesso (redundante). Já nas primeiras linhas o amor está no ar. Vem à tona o tocante apelo à sensibilidade dos corações predispostos a amar, e revelam intensa emoção neste primeiro encontro inesquecível, “Quando te vi fiquei paralisado”, preconiza a gênese de um grande amor, terno e eterno enquanto existir.

Pede-se passagem ao contraditório na versão do Rei da MPB para verificar o drama do lado obscuro de certas relações “amorosas”, “Vi!/Todo o meu orgulho em sua mão/Deslizar, se espatifar no chão/Eu vi o meu amor/Tratado assim...”, se enquadra no caso do crepúsculo que atomiza o bem querer ou no sentido a uma tarde que se acabou.

Na versão de Jeneci, não, não ocorre a finitude do amor enquanto houver sobrevida, pois presume-se que há o princípio, meio e o irremediável fim para além das comemorações das bodas de brilhante.
Neste começo, existe o apelo irresistível aos corações no primeiro olhar, envolto de sentimentalismo avassalador, o amor para ser revelado após o primeiro sinal do vislumbre da paixão arrebatadora, “Tremi até o chão como um terremoto no Japão/Um vento, um tufão”.

Assim inicia o intenso amor de Joãos e Marias, de Matheus e Marietas, de outras Clarices e Josés, de Romeus e Julietas, enfim, acorre o esperado dia para Penélope (re)encontrar o seu eterno irmão namorado, o grande Ulisses; um emocionante começo para aliança que promete felicidade infinita sem antes, porém, ao finalizar a primeira estrofe, abusar do recurso imprescindível da metáfora à poesia, o frio no ventre como “Uma batedeira sem botão/Foi assim, viu/Me vi na sua mão”.
Perdi a hora de voltar para o trabalho
Voltei pra casa e disse adeus pra tudo que eu conquistei
Mil coisas eu deixei
Só pra te falar
Largo tudo
Depois do primeiro encontro, a avalanche de sonhos e realidade, o mundo da lua, “Perdi a hora de voltar para o trabalho”, revela vontade desmedida e até descontrolada pelo reencontro.

Nesta estrofe, a certeza de ter encontrado a alma gêmea, “Voltei pra casa e disse adeus pra tudo que eu conquistei”, mostra sólida aliança diante do momento especial do casal, para ela sobretudo, por causa do arcabouço de sensibilidade revelado no depoimento do sucesso associado à vida a dois: o sacrifício da dosagem no braço a torcer para que a relação siga promissora em harmonia, “Mil coisas eu deixei/Só pra te falar/Largo tudo”. Os namorados estão decididos a ficar junto, dividir os ônus e compartilhar os abonos dos momentos especiais, como este pedido de casamento.
Se a gente se casar domingo
Na praia, no sol, no mar
Ou num navio a navegar
Num avião a decolar
Indo sem data pra voltar
Toda de branco no altar
Quem vai sorrir?
Quem vai chorar?
Ave Maria, sei que há
Uma história pra sonhar
Pra sonhar
Neste momento os olhos certamente ficaram tremeluzentes diante do sonho do enlace perpétuo: ‘aceita casar comigo? ’.

Não importa para ambos o lugar, pode ser até debaixo d’água, na terça, no Templo, no sábado, na Sinagoga, no sítio, na Mesquita, pois não se pode prescindir é da felicidade do amor em reciprocidade, o local do nó oficial não tem relevância e pode ser “Na praia, no sol, no mar/Ou num navio a navegar/Num avião a decolar/Indo sem data pra voltar”, porém há busca pela benção do divino à história do grande amor, “Toda de branco no altar/Quem vai sorrir?/Quem vai chorar?/Ave Maria, sei que há/Uma história pra sonhar/Pra sonhar”.
O que era sonho se tornou realidade
De pouco em pouco a gente foi erguendo o nosso próprio trem
Nossa Jerusalém
Nosso mundo, nosso carrossel
Vai e vem vai
E não para nunca mais
A consumação do sonho do par certeiro através da combinação harmoniosa torna-se realidade, o conúbio, a construção da família, o ninho do casal, a casa, o jardim, as flores e os amores comum a dois, “O que era sonho se tornou realidade/De pouco em pouco a gente foi erguendo o nosso próprio trem/Nossa Jerusalém/Nosso mundo, nosso carrossel”.

Como dois passeriformes em labuta na concepção da vida, não descansam enquanto não finalizam o verdadeiro objetivo da união, a perpetuação do amor através da cria, como um “Vai e vem vai/E não para nunca mais. ”
De tanto não parar a gente chegou lá
Do outro lado da montanha onde tudo começou
Quando sua voz falou
Pra onde você quiser eu vou
Largo tudo
Pode se aferir ao lugar onde efetivamente reside a felicidade, o paraíso de Shangri-la, no coração de ambos? “De tanto não parar a gente chegou lá/Do outro lado da montanha onde tudo começou”. O companheirismo não os abandonará, jamais, “Quando sua voz falou/Pra onde você quiser eu vou/Largo tudo”, aqui sobressai o casamento para posteridade, sólido, forte entrelaço através do amor verdadeiro: “ Largo tudo/ Se a gente se casar domingo”.
Se a gente se casar domingo
Na praia, no sol, no mar
Ou num navio a navegar
Num avião a decolar
Indo sem data pra voltar
Toda de branco no altar
Quem vai sorrir?
Quem vai chorar?
Ave Maria, sei que há
Uma história pra contar

Domingo
Na praia, no sol, no mar
Ou num navio a navegar
Num avião a decolar
Indo sem data pra voltar
Toda de branco no altar
Quem vai sorrir?
Quem vai chorar?
Ave Maria, sei que há
Uma história pra contar
Pra contar
 O casal se entrega ao transbordamento da felicidade e tem uma história de amor para contar aos filhos e netos.
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Vídeo: Assista ao videoclipe de "Pra Sonhar", feito de forma colaborativa, com cenas de casamentos reais enviadas por casais do Brasil todo.




Versão ao vivo - MArcelo Jeneci e Laura Lavieri. 



Versão - pedido de casamento.


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Pra Sonhar, de Marcelo Jeneci — por Nezimar Borges Pra Sonhar, de Marcelo Jeneci  — por Nezimar Borges Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on domingo, junho 11, 2017 Rating: 5



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