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Vinte e sete verdades e três mentiras — por Ademir Pedrosa.

O controvertido escritor Ademir Pedrosa pegou a onda das redes sociais sobre "verdades & mentiras" de um lance, de um dia, de uma época, enfim. Pedrosa surfa com pitadas de humor sobre as "mentiras & verdades" da sua vida.


Resolvi entrar na onda. Estão aí 27 verdades e 3 mentiras. Há verdades nesse questionário que de tão inacreditáveis você certamente vai dizer que são mentiras. Quem não gosta de ler textão convém não entrar na brincadeira, acho melhor se alfabetizar primeiro. Eis:

1 – Só fui falar quando eu tinha quase 5 anos de idade porque eu não ouvia direito. E até hoje eu sou parcialmente surdo.

2 - Fiz 5 vezes a prova de matemática do Supletivo do 2° Grau – e não passei. Na 6ª vez, me deram o gabarito com as respostas e fui aprovado.

3 – Perdi o livro Leite Derramado, de Chico Buarque, no aeroporto de Macapá. No dia seguinte, procurei na seção de Achados e Perdidos, da Infraero; e os fiscais encontram e me devolveram o livro. Quando cheguei em casa, verifiquei que aquele exemplar não era o “meu” livro, pois havia nele dedicatória para uma pessoa querida que eu nem ao menos conhecia. Decididamente, não era o mesmo livro que eu havia perdido. Ou seja, eu e outra pessoa distraída perdemos o livro do mesmo título, no mesmo aeroporto e no mesmo dia. Caíram dois raios no mesmo local...

4 – Já fui expulso de uma escola de freiras. Fui expulso da Apes-Associação Amapaense de Escritores e da Amcap-Associação dos Músicos e Compositores do Amapá.

5 - Sou equilibrista circense, ando no arame bambo – literalmente.

6 – Quando era garimpeiro contraí 16 malárias das quais a mais grave foi concomitante de vivax e falciparum. Fui internado como indigente num hospital em Guajará-Mirim, Rondônia. Por uma atrapalhada dos agentes de plantão, não fui cadastrado. Eu jazia esquecido num leito de enfermaria sem nenhuma assistência médica. Quando os médicos me descobriram, eu delirava de febre – e entrei em coma. Quando despertei, os médicos e enfermeiras passaram a me chamar de Lázaro, tamanho foi o milagre de minha ressurreição. Amarguei 35 dias de internação. Ao sair do hospital, eu pesava 41 quilos. Papai quando me viu, chorou...

7 – Fui namorado da cantora Cássia Eller.

8 – Eu considero o Big Brother um dos melhores programas da Globo. Prefiro o BBB ao Jornal Nacional – é mais verossímil e menos alienatório.

9 – Fui sócio do escritor Paulo Renato Bandeira de uma boate chamada Iglu, em Itaituba(PA). A casa, pra justificar o nome, fazia um frio siberiano, e era escura pra caralho. Sentei à mesa de duas moças, comecei a paquerar a que estava sentada defronte de mim. A amiga saiu à francesa, e ficou só eu ela. Papo vai e papo vem, chegou a hora de fechar a casa. Os garçons prestaram conta comigo, dispensei os funcionários e encerrei o expediente. Acendi a luz da boate, e levei um susto. A pequena estava grávida – num estado avançado de gestação. Ela percebeu meu embaraço, e perguntou de chofre: ‘Há algum problema? Eu disse não, e fui dormir com a Amélia – ela tinha esse nome de mulher de verdade. Foi uma noite ma-ra-vi-lho-sa. Quando acordei, ela não estava ao meu lado na cama. Chamei por ela: Amélia! Silêncio. Sentei na beira da cama – e a ficha caiu. Alcancei a calça que se misturava aos lençóis da cama, verifiquei os bolsos: vazios. Amélia levou toda a renda da casa. Ah, miserávi! Quando eu contei, o Paulo quis me matar....

10 – Bebi uísque num bar com o escritor João Ubaldo Ribeiro em Frankfurt, na Alemanha.

11 – Sou flamenguista.

12 – Quando eu me apresentei para o alistamento militar, eles conferiram a minha altura, e eu media 1,67. Dia desses eu fui me medir, e estou com 1,64 – encolhi 3 centímetros...

13 – Nasci no Ceará, em Juazeiro do Norte.

14 – Meu nome completo é Ademir Pedrosa Araújo. O compositor de Disparada e Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores, Geraldo Vandré, cujo nome verdadeiro é Geraldo Pedrosa de Araújo, é apenas meu primo...

15 – Na eleição de 2002, eu votei no Waldez...

16 – Conheci Leonel Brizola num banheiro. Ele tinha acabado de
mijar, mas eu apertei a mão dele mesmo assim...

17 – O saudoso Padre Jorge Basile da Igreja Matriz de São José de Macapá já lavou meus pés.

18 - A casa da Profª Edna (mãe do Rogério) vive sempre cheia de gente. Está sempre habitada por uma mulherada simpática, festiva – e que presta muito. Morava nesse período, na casa da Edna, uma moça muito interessante – loura, branquinha e dotada de umas nádegas exuberantes. A baby exibia um corpo escultural - era de encher os olhos. E só. Certo dia, a Edna deu por falta de um dos seus CDs – do Zeca Baleiro. E botou a boca no trombone: “Quem foi que pegou o meu CD do Zeca Baleiro?” A baby se saiu com essa: “Olha, Edna, não fui eu. Pra começo de conversa, eu não sei nem quem é esse tal de Zeca Baleiro.” A Edna, diante de uma resposta tão categórica e convincente, disse: “É evidente, Uíle, que não foi você...”

19 - O cantor Ronery depois que virou pastor, resolveu exumar os seus pecados da vida pregressa e pedir perdão àqueles contra quem ele pecou. Eu fui um. Ronery me confessou que surrupiou minha carteira porta-cédula, que eu, por descuido, deixei cair do bolso no Bar do Lennon. Subtraiu o dinheiro e jogou os meus documentos fora. Naquela época eu era empresário do ouro e minha carteira devia conter uma grana preta. Tirar a 2ª via de um documento era um exercício laborioso, e durava uma eternidade. Dirigi, por exemplo, sem minha carteira de habilitação durante 1 ano e meio. Quando Ronery me confessou essa patacoada, eu fiquei estarrecido diante de tamanho cinismo. Ele me olhou nos olhos, me deu um abraço apertado e profetizou: “Deus vai te dar em dobro tudo o que eu te tirei.” Eu que não creio, não me restou alternativa senão dizer alto e bom som: Amém!...

20 – Fiz curso de culinária, corte e costura, encadernação e datilografia pela extinta LBA...

21 – Num encontro de escritores, em Roraima, o poeta Tiago de Melo convidou a mim e o escritor Archibaldo Antunes para passar uma semana em sua residência e conhecer seu amigo escritor Gabriel Garcia Marques. Quando regressamos a Macapá para arrumar as malas, fui vítima de uma manobra maquiavélica arquitetada pelos golpistas Herbert Emanuel, Márcia Corrêa, Alcinéa e Alcilene Cavalcante. Fui destituído do Conselho de Cultura do qual eu era presidente – e o sonho acabou. Adeus, Gabi, de Cem Anos de Solidão...

22 - Queimei, em praça pública, o livro do Hélio Pennafort, Barcellos - Síntese de Dois Governos.

23 – Eu estava Rondônia e aguardava o rio Madeira baixar o nível das águas para a gente começar a garimpagem. Houve uma implosão demográfica em Porto Velho, e os hotéis não tinham vagas. Por conta disso, a gerência do hotel me pediu que eu dividisse meu apartamento com um jornalista; afinal, no meu quarto havia duas camas de solteiro. Sem problemas. No meio da noite, eu acordei com o jornalista me fazendo um boquete. Saltei da cama com a cueca no meio das pernas e embarafustei corredor a fora. No dia seguinte, ele me pediu desculpas – e partiu...

24 – Já fui funcionário da Odebrecht.

25 – Classifiquei minha música no 44°Fenac – Festival Nacional da Canção, em Minas Gerais. Solicitei apoio ao Senador Capiberibe pra ir ao festival: 3 passagens aéreas e ajuda de custo de R$1.500,00. Capi, que nunca se furtou em ajudar, confirmou o apoio que lhe pedi, e passou a incumbência ao seu chefe de gabinete, Caio Santana. Passei ao Caio os dados de minha conta bancária e a planilha com informações para passagens, com 15 dias de antecedência. Recebi, véspera da viagem, minha passagem e da dançarina Luciana, e apenas um terço do valor da ajuda de custo, R$500,00. A passagem do intérprete, Augusto Hijo, com saída de Belém, seria emitida no dia seguinte. Seguimos viagem – eu e a Luciana. Ao chegar em Minas liguei, e o Caio ordenou que o Hijo fosse à agência da TAM, no aeroporto, que sua passagem já estava confirmada – ele já podia embarcar. Hijo passou a madrugada inteira no aeroporto e a maldita passagem não chegou. Comecei a ligar freneticamente pro Caio, mas ele não mais atendia às minhas ligações. Passei a enviar-lhe mensagens, às quais ele respondia laconicamente: “Tô resolvendo”. O tempo foi ficando exíguo demais, e eu comecei a pensar na inacreditável possibilidade de o Hijo não chegar em tempo de participar do festival. Foi quando recebi o tiro de misericórdia, a singela mensagem do Caio: “Não deu pra comprar passagem, tá muito cara.” O Hijo não viajou. Perdemos o festival por WO. Se eu contar ninguém acredita – nem o Capi...

26 – Na ditadura, fui preso e fichado pelo SNI, no 53° BIS...

27 – Liguei pra uma pequena e marquei um encontro para o dia seguinte - num bar. Eu estava em Santarém(PA) e ela, em Florianópolis(SC). Eu compareci, e ela também. O amor é lindo...

28 - O Rogério Xavier é uma criatura especial, diferente – portador da Síndrome de Down. É um garoto querido, romântico e namorador. Gosta de música, dança e cinema. O filme que ele mais gosta é “Beethoven”, que conta a história de um cachorro muito divertido. Rogério já viu esse filme mais de 70 vezes - sem exagero. Ele é dotado de uma memória espantosa. Se você revelar a data de seu aniversário, ele nunca mais esquece. E sabe com exatidão o dia da semana em que acontecerá, a cada ano, o seu aniversário – experimente. A propósito, Rogério fez aniversário há dois dias (24-04-2017). Eu que não tenho a memória dele, esqueci de lhe dar os parabéns. Meu garoto completou 34 aninhos. Parabéns, meu ilustre botafoguense – feliz aniversário...

29 – Eu nunca aprendi a letra do Hino Nacional.

30 – Cesarino Góes Cavalcante (irmão dos Miccione) me levou pra conhecer, em Belo Horizonte, a Ladeira do Amendoim. É uma rua sobrenatural que desafia a lei da gravidade, onde os carros deixados desligados e em ponto morto sobem a ladeira ao invés de descer. Incrível. Cesarino, que é engenheiro de minas, me afirmou que se deve a magnetite ou rocha magnética, de minérios imantados naquele lugar. Fiquei pretérito com aquele fenômeno paranormal – palavra...

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Vinte e sete verdades e três mentiras — por Ademir Pedrosa. Vinte e sete verdades e três mentiras — por Ademir Pedrosa. Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on quarta-feira, abril 26, 2017 Rating: 5



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