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Imprensa Operária faz duras críticas à educação militar copiada pelo governo do AP de gestões tucanas.

Em resposta ao projeto em andamento do governo do Amapá, que pretende implantar neste ano em algumas escolas o ensino militar, Editorial do Mobilização Operária denuncia que prática educacional é retrocesso, realizada por antigas ditaduras, como a do "Duce", de Mussolini, e as formuladas pelos ditadores após golpe de 1964 no Brasil. Modelo de educação é patrocinada principalmente por governos tucanos.


Do Mobilização Operária.
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Embora seja apresentada como uma ideia “nova”, a militarização das escolas já é bem antiga, retrocedendo ao período sanguinário da Ditadura Militar iniciado com o Golpe de 64 e, em muitos casos, até um pouco antes como um projeto-piloto através de disciplinas conservadoras que propunham a educação “moral” e “cívica”, ou seja, um selecionado de matérias subjetivas que negam a divisão da sociedade em classes e impõem valores não apenas relativos, mas ideológicos da classe que dirige a sociedade, portanto, a burguesia, partindo do princípio de que os filhos da classe trabalhadora não teriam “civilidade” e “moral” – leiam-se os valores ideológicos e culturais burgueses – e que precisariam necessariamente de um “corretivo” militar de uma educação pública que nunca foi intelectual e emancipadora, mas moralista e reacionária até à medula.

No Amapá, evidentemente, o governador Waldez age, como sempre, por imitação de estados como Goiás, governado pelo tucano Marconi Perillo (PSDB) que somente em 2014 militarizou 15 escolas sob o argumento de “combate à violência”; ou talvez como o prefeito de Manaus Artur Vigílio Neto (PSDB-AM), cuja escola militarizada sob sua gestão acabou forçando a saída em massa de professores que não aceitaram o autoritarismo reinante em seu local de trabalho, mesmo com a remuneração extra de dois salários mínimos em caso de meta alcançada em relação à qualidade de ensino que, por sinal, também é outro argumento usado pelos governos que adotaram o modelo como forma obter dividendos políticos em face de supostos bons resultados desse projeto de contornos claramente fascistas, ainda que os dados estatísticos do Estado não resistam a uma crítica minimante apurada.

Nesse cenário caótico em que se encontra a educação pública no Brasil – sobretudo nos estados em que essa política foi levada adiante, tal como o Amapá – o que se percebe não é qualquer preocupação com o ensino ou com a valorização do professor, pois, do contrário, não haveria cortes nos orçamentos destinados à educação como efetivamente ocorreu no caso amapaense desde o início do mandato de Waldez que prefere – ao invés de investir em educação – tratar a escola pública como “caso de polícia”, iniciando um processo de militarização das escolas que, na prática, camufla sua tradicional precarização, estabelecendo uma gestão autoritária e, na essência, antipedagógica na rede pública estadual que, também tem como finalidade impedir a livre organização de estudantes e professores e, portanto, a liberdade de expressão e de pensamento que sempre deram base às denúncias cotidianas de destruição do ensino público que sacudiram governos anteriores e agora o seu o governo, particularmente no ano passado, em diversos e grandiosos atos de estudantes e educadores.

De fato, a discussão perpassa diversos planos, tal como o pedagógico, político, de direito e histórico. Neste último caso, é redundante pontuar a polêmica que envolve a PM, isto é, uma corporação sabidamente legada pela Ditadura Militar e responsável por incontáveis atrocidades não apenas nesse período obscuro da história brasileira, mas em todo o processo histórico posterior com o mesmo modus operandi racista, marcado pela seletividade repressiva que resulta sempre na perseguição, tortura e morte majoritária de jovens negros e pobres nas periferias de todo o país e o Amapá não é uma exceção, ou seja, a mesma intuição “gloriosa” que usa a “pedagogia” pautada no terror de Estado do “atire primeiro e pergunte depois” sob o argumento de “combate ao crime” é aquela que usará seu autoritarismo como pedagogia travestida de disciplina, obviamente, pautada não no respeito, mas no medo, exatamente como confirmou uma pesquisa realizada pelo Datafolha em 2015.

De acordo com Engels, em sua Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, a origem da polícia está indissociavelmente ligada à origem do Estado moderno, a defesa violenta da propriedade privada e, logicamente, da classe social de proprietários que detém o controle da sociedade, isto é, a burguesia. Nesse caso, a necessidade dessa força pública deriva exatamente da divisão da sociedade em classes e da dificuldade da classe possuidora em deter os antagonismos de classe, o que equivale a dizer a reação da classe que só dispõem de sua força de trabalho, também apropriada pela burguesia. Nesse sentido, não é difícil compreender a essência da polícia de ontem e de hoje, seu caráter antipedagógico, reacionário e histórico como acessório repressor do Estado nas mãos da classe que a controla em benefício da manutenção dessa ordem pautada no terrorismo de Estado, cujos alvos são os trabalhadores e, neste caso específico, os filhos desta classe na condição de estudantes de escolas militarizas.

A partir disso, observa-se que Waldez e seus colegas tucanos estão iniciando não um simples processo de militarização ou, como eufemisticamente chamam “gestão compartilhada”, mas colocando em prática um projeto autoritário que visa a fascistização do ensino público que difere pouco do que foi implantado por Mussolini na Itália em meados de 1920, negando a discussão e o debate aos setores diretamente evolvidos no processo de ensino-aprendizagem, ou seja, professores, alunos, pais de alunos, a comunidade escolar como um todo e, por extensão, toda a população amapaense. Isso não ocorre de maneira despropositada, já que a introdução do ensino militar na Itália, por exemplo, partia de premissa semelhante ao que o governo do Amapá está propondo, isto é, crianças e jovens eram o alvo da reforma político-educacional do “Duce” e deveriam receber do Estado fascista uma instrução ideológica que determinava pela força e sem qualquer possibilidade de questionamentos que “valores” os alunos deveriam seguir, como se comportar, a quem e o que deveriam venerar e mesmo que funções ou papeis sociais deveriam assumir na sociedade fascista. Na prática, a educação era sexista e determinava para os meninos o papel de bons pais de família e, considerando o ensino militar, bons soldados; já às meninas não restou melhor sorte que não fosse exercer o papel de “donas” do lar que deveriam respeitar e cuidar dos maridos, dos filhos e da casa no melhor estilo ultraconservador.

Nesse sentido, repudiar essa medida autoritária não somente pelo seu caráter, mas pela sua finalidade direitista, subjetiva e nefasta, assim como barrá-la através da luta organizada nas ruas é um dever dos educadores, estudantes, comunidade escolar e a população amapaense como um todo, dado os antecedentes históricos dessa experiência política, cujo resultado prático é bastante conhecido por quem os vivenciou e sobreviveu frente a regimes que tinham em mente esse propósito muito bem delimitado.
Na última semana de fevereiro, o governador Waldez Góes assinou acordo de cooperação entre a Secretária de Estadual de Educação (SEED), Polícia Militar e Bombeiros, visando a implantação do modelo de Ensino Militar na rede estadual, [ver aqui]. A assinatura aconteceu no Palácio do Setentrião e serão ofertados para os ensinos fundamental e médio cerca de 2 mil vagas.

---'As escolas de ensino militar visam contribuir para a condição social dos nossos estudantes, onde o diferencial desse modelo de ensino é o resgate de valores como o civismo, a cidadania, valores hoje muito esquecidos pelos nossos jovens' ---, comentou na ocasião a secretária de educação, Goreth Sousa.

Com a devida vênia, a educação amapaense está vivenciando crise sem precedente, com salários de professores parcelados e sem reajuste nos últimos 3 anos, com escolas saqueadas inúmeras vezes em curto período de tempo, além do sucateamento e falta de infraestrutura das unidades escolares.
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Imprensa Operária faz duras críticas à educação militar copiada pelo governo do AP de gestões tucanas. Imprensa Operária faz duras críticas à educação militar copiada pelo governo do AP de gestões tucanas. Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on sábado, março 04, 2017 Rating: 5



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