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A história por trás da composição “Atrás da Porta”, de Chico Buarque.

Nelson Motta escreveu sobre o ambiente que precedeu composição de “Atrás da porta”, uma das mais emocionantes músicas brasileiras, eternizada pela gravação marcante de Elis Regina. A letra de Chico Buarque e a música de Francis Hime.


No livro “Noites tropicais”, Motta revela que “Atrás da porta” foi concebida em uma noitada de verão regada a wisky na casa da Olivia, mulher do Francis, em Petrópolis no Estado do Rio. O Francis tocou a melodia da música, e o Chico fez a primeira parte da letra ali mesmo, não conseguindo finalizá-la, talvez pelo excesso de bebida, pela falta de inspiração, ou por ambas as coisas.

O ano era 1972 e Elis tinha acabado de sair de um tempestuoso divórcio quando conheceu a música, levada por Menescal. Ela e César (seu pianista e diretor musical) ficaram apaixonados pela música e a gravação foi marcada para dentro de três dias. Nesse meio tempo Elis resolveu chamar alguns amigos, entre eles César, para ver Morangos Silvestres, um clássico filme de Bergman – enquanto Menescal e Francis tentavam dar uma pressão em Chico para terminar a letra. No meio do filme Elis enviou um bilhete amoroso pra César, que foi ao banheiro ler e se espantou. Leu e releu sem acreditar. Era o seu grande desejo secreto. Mas devido a sua fascinação por ela, e sua insegurança, ele acabou amedrontado e sumiu por dois dias. Porém no dia da gravação, na hora marcada, ele estava no estúdio. Nelson conta no livro: “Menescal se sentiu aliviado e Elis sorriu sedutora. César dispensou os músicos, pediu para todo mundo sair, para colocarem o piano no meio do estúdio, baixarem as luzes e deixarem só ele e Elis, para a gravação do piano e da voz-guia de “Atrás da porta”.

Extravasando seus sentimentos, misturando as dores da separação com as esperanças de um novo amor, Elis cantou, mesmo sem a segunda parte da letra, com extraordinária emoção, com a voz tremendo e intensa musicalidade. Na técnica, quando ela terminou, estavam todos mudos. Elis chorava abraçada por César. Juntos, César e Menescal foram levar a fita para Chico, que ouviu, chorou, e terminou a letra ali mesmo, no ato.”

Finalmente a música estava completa:

Quando olhaste bem nos olhos meus, E o teu olhar era de adeus. Juro que não acreditei. Eu te estranhei, me debrucei, sobre teu corpo, E duvidei, e me arrastei, e te arranhei, E me agarrei nos teus cabelos, nos teus pelos, Teu pijama, nos teus pés, ao pé da cama, Sem carinho, sem coberta, No tapete atrás da porta, Reclamei baixinho.

Dei pra maldizer o nosso lar, Pra sujar teu nome, te humilhar, E me vingar a qualquer preço. Te adorando pelo avesso. Só pra mostrar que ainda sou tua. Até provar que ainda sou tua.

E Nelson Motta finaliza: “Assim, Elis Regina cantou a versão definitiva de uma das mais poderosas e dilacerantes letras de amor e ódio da música brasileira, produziu uma gravação antológica e emocionou o Brasil com sua arte. E ganhou um novo namorado, com quem esperava crescer na música e na vida.” 

Vídeo..

(Com informações http://lounge.obviousmag.org)
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A história por trás da composição “Atrás da Porta”, de Chico Buarque. A história por trás da composição “Atrás da Porta”, de Chico Buarque. Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on sábado, fevereiro 04, 2017 Rating: 5



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