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Corrupção: revista Veja revela tentáculos de Eike Batista no Amapá.

Jornalista Sérgio Praça, da revista Veja, escreve sobre as relações do empresário Eike Batista, preso pela Polícia Federal nesta segunda-feira, 30, com o Estado do Amapá. Além da história de como Márcio Thomaz Bastos e vários políticos livraram o ex-bilionário da Polícia Federal em 2008.


Da Veja OnLine.

Como Eike escapou da Polícia Federal em 2008 - por Sérgio Praça

Nos últimos anos, eu e muitos outros cientistas políticos elogiamos a capacidade e autonomia da Polícia Federal. Principalmente a partir de 2003, no início do governo petista, esta agência governamental ganhou relevância ao levar muito mais a sério a tarefa de combater corrupção. As iniciativas do governo FHC nesse sentido foram pífias. Para ter uma ideia, o diretor-geral da Polícia Federal em 2002 era filiado ao PSDB e foi candidato a deputado federal (não eleito) naquele ano. A partir do ano seguinte, partidarização semelhante tornou-se impensável na Polícia Federal.

Eike Batista, preso hoje de manhã no Rio de Janeiro, joga um pouco de água nessa interpretação. Não estou falando da possibilidade de ele ter sido avisado de sua prisão alguns dias antes. Nem do fato de alguns de seus seguranças terem sido agentes da Polícia Federal. Mas sim de Eike ter se beneficiado de contatos políticos não apenas para obter empréstimos do BNDES, como também para evitar investigações delicadas durante seu auge como “empreendedor” de projetos.

Tudo começou em 2004, quando a Polícia Federal investigou um esquema de propina no governo do Amapá. Policiais grampearam o telefone de um funcionário corrupto da Receita Federal, conhecido como lobista do governador. Perceberam que um dos interlocutores frequentes do burocrata era Flávio Godinho, um dos principais funcionários da MMX, empresa de mineração de Eike. Os policiais anotaram o fato no relatório final daquela operação. Mas isso foi ignorado até 2007, quando um novo superintendente da Polícia Federal no Amapá desenterrou o caso.

À época, a MMX era dona de uma mina de ferro na região da Serra do Navio. Havia forte interesse da empresa na licitação da concessão da estrada de ferro do Amapá, que levaria minério do interior do estado para o Porto de Santana. De acordo com a investigação da Polícia Federal, a empresa de Eike fraudou a licitação em 2006, na qual saiu vencedora, recebendo a concessão da ferrovia por vinte anos. Naquele ano, Eike foi o maior doador individual da campanha do então governador Waldez Goes, do PDT, preso em 2010 por desviar verbas de educação. (As informações sobre a licitação da estrada de ferro estão no ótimo “Tudo ou Nada”, de Malu Gaspar.)

Mas investigar a MMX não foi fácil. Os policiais federais que retomaram a investigação iniciada em 2004 tiveram imensa dificuldade para convencer Romero Menezes, diretor-executivo do órgão, a realizar a operação. Menezes acabou sendo preso por favorecer seu irmão nas investigações, cuja empresa de vigilância prestou serviços a Eike Batista. Ou seja: Eike contratou a empresa do irmão do número dois da Polícia Federal, e ambos foram presos.

Depois desse percalço, Eike comprou o expertise do ex-ministro da Justiça de Lula, o advogado criminalista Márcio Thomaz Bastos, por R$ 15 milhões. Apresentou-o a seus investidores (obviamente preocupados com a investigação) como “o homem que implementou a Policia Federal como é hoje”. Um modo pouco sutil de dizer: fiquem tranquilos, contratei influência no órgão que me investiga.
PS. Eike Batista 'doou' recursos para campanha de Lula, Serra, Marina, DEM, Gabeira, Aécio, Cabral e Cristovam Buarque. Nas eleições de 2006, no Amapá, doou volumosos recursos para campanha de Sarney e Waldez Góes, que concorriam ao senado e governo, respectivamente. Naquele ano, também doou para o candidato a governador, João Capiberibe, do PSB.
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Corrupção: revista Veja revela tentáculos de Eike Batista no Amapá. Corrupção: revista Veja revela tentáculos de Eike Batista no Amapá. Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on terça-feira, janeiro 31, 2017 Rating: 5



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