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Jornalista condena matéria sobre mulher estuprada no Oiapoque.

A jornalista Jacke Carvalho condenou matéria publicada no site do jornalista Seles Nafes, com título “'Festinha', estupro e HIV” em que noticia caso de mulher estuprada, depois de ser convidada para uma "festa" no município de Oiapoque, a 590 quilômetros de Macapá.


---‘ Num país que violenta 5 mulheres a cada 1h, usar um fato como o estupro da moça no Oiapoque para alavancar a audiência do site de notícias é cruel, desumano e completamente sem ética.’--- critica Jacke Carvalho.

Para a jornalista, o texto da reportagem “insinua que a culpa é da vítima” ao expor doença incurável, pois a mulher estuprada era soropositivo, doença estigmatizada pela sociedade.

De acordo com informações do SelesNafes.Com, mulher de 31 anos estava caminhando pela cidade na noite da última terça-feira, 8, quando foi abordada por um homem em um carro acompanhado de outras mulheres. Convidada para uma festa em uma residência, ela foi estuprada com requintes de perversidade, teria sido suja com fezes humanas. A vítima foi abandonada inconsciente em uma lixeira pública da cidade. Leia detalhes, aqui.

Leia íntegra do repúdio da jornalista Jacke Carvalho.

Ser jornalista é, acima de tudo, ser um fio condutor entre o público e o fato. Nunca pensei no jornalismo como sendo apenas como moeda de troca, ou alguns punhados de likes ou compartilhamentos na Era das redes sociais. Mais que fazer textos, seja pirâmide invertida ou outra técnica, é você se botar no lugar do seu receptor e de como ele vai digerir o que você escreve.

Num país que violenta 5 mulheres a cada 1h, usar um fato como o estupro da moça no Oiapoque para alavancar a audiência do site de notícias é cruel, desumando e completamente sem ética.

Primeiro porque insinua que a culpa é da vítima. O que nunca é. Segundo que expõe a vítima à condição de soropositivo, doença incurável e altamente estigmatizada pela sociedade até hoje.

Comecemos pelo título da matéria:

"Festinha", estupro e HIV.

Título totalmente asqueroso e purulento. Que faz menção clara à doença da vítima. Que insinua a todo momento que participar de festinhas legitima a violência. Sem falar da foto da vítima estapada no site.

O jornalismo amapaense sangra com esse tipo de profissional. Que não tem qualquer sentimento, culpa ou peso na consciência em expor uma moça que sofreu um dos piores abusos que uma mulher pode sofrer. Isso reflete o caráter, a índole, tanto na vida profissional quanto na pessoal, de não medir seus atos. Espero sinceramente que, no mínimo, essa matéria, saia do ar. Porque meu maior desejo é que esse site saia do ar. Lembrando que não é a primeira vez qur alguém é exposto publicamente. O padrasto acusado de violentar o enteado com mais de 1 ano de vida, sofreu os piores abusos no IAPEN, pra depois ser comprovado que ele não era culpado.

Vamos melhorar. Vamos nos colocar no lugar da vítima, da família e da sociedade. Temos que tentar sermos pessoas melhores todos os dias. E acreditar sempre num mundo mais humano e menos violento.
Atualizado em 07-12-2016, às 22h59'
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Jornalista condena matéria sobre mulher estuprada no Oiapoque. Jornalista condena matéria sobre mulher estuprada no Oiapoque. Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on sábado, novembro 12, 2016 Rating: 5

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