Header AD

O estádio Zerão e a batalha do público versus privado.

O estádio do Zerão, palco de espetáculos futebolísticos e do atletismo, está sendo destruído por omissão e descompromisso da gestão estadual. Palco é montado em cima da pista de atletismo.

Da Editora.

Na política existem duas vertentes que manuseiam o trato da coisa pública, o agente que preserva o patrimônio público frente o privado; mas há também o ator político que predominantemente privilegia o privado em detrimento do público e da coletividade.

No país, exemplo recente disso acorre com os juros do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal que por anos, durante os governos de Dilma e Lula, promoveram a política de juros baixos frente aos elevados índices de juros da rede privada bancária, com objetivos de satisfazer a coletividade no fomento à economia.

Já com o governo golpista de Michel Temer assim que tomou o poder retornou à política dos anos 90, de juros altíssimos em bancos públicos, para assim, talvez, fomentar maior fluxo de clientes à rede bancária privada.

No Amapá, o exemplo recente do sucateamento do estádio Zerão é mais um caso de depredação do patrimônio público, proporcionado pelo descaso de um governo que tem histórico de abandono da coisa púbica e privilégios ao que é privado. O que ocorre com o Zerão é sem dúvida elucidativo à compreensão desta dinâmica política.

Certamente em terras tucujus, há também dois polos diametralmente opostos em relação à política da defesa do que é público e à defesa do privado. Não só no caso recente do Zerão, mas existem também outros exemplos de sucateamento de setores importantes do patrimônio amapaense, durante a década passada, como o da Companhia de Eletricidade do Amapá – CEA, que foi vilipendiada, ou do abandono da saúde e da educação pública do Amapá que ficou [e está] a  mercê do tempo e do descaso governamental.

O Zerão passou maior parte dos anos da década de 2000 abandonado pelo poder público e somente a partir de 2011 houve uma política séria de reconstrução e reforma do estádio. Foram anos de intenso trabalho para a entrega do palco do futebol local à coletividade, em 2014.

Atualmente, o governo do Amapá representa eximiamente o domínio do privado sobre o público em diversos setores, já citados, e no esporte ocorre com a banalização da utilização do estádio deste início do ano passado.

Lá, setores privados já pintaram o sete, com realizações de eventos que vão desde shows pirotécnicos à festa melody, confirmando, infelizmente, a subtração da natureza pública do tecido estatal, levando para distante da sociedade o interesse do coletivo, impedindo a realização de suas diretrizes no tocante à universalidade e equidade social.

O descaso dos mandatários de plantão com estádio Zerão é compreensível quando se avalia a genética do governo atual. Ao avistar seu DNA, não é necessário equipamento tecnológico para visualizar este relaxo, impregnado do clientelismo, pois está à vista de quem tem mínimo de discernimento da vida cotidiana entre a organização e a desordem.

Para quem ama o futebol e o atletismo, notar a depredação do estádio Zerão nos faz remeter aos anos sem o prazer que lamentavelmente deixou de proporcionar o patrimônio para o povo, que nos dias de jogos em finais de campeonato nos faria fugir da realidade cruel do dia-dia por míseros momentos de alegria. Triste.

O que será do Zerão nos próximos anos se perdurarem o descompromisso de governantes com a coisa pública? Será o retorno à década perdida do futebol amapaense — os anos que decorreram a partir do ano 2000?

___
O estádio Zerão e a batalha do público versus privado. O estádio Zerão e a batalha do público versus privado. Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on terça-feira, outubro 18, 2016 Rating: 5

SE VOCÊ TEM ALGUMA NOTÍCIA PARA COMPARTILHAR, ENVIE PARA O WHATSAPP (96)98135-3197.


O Diário do Meio do Mundo é um site de jornalismo independente. Contribua para mantê-lo online. Obrigado! Se você não tem uma conta no PayPal, não há necessidade de se inscrever para doar ou assinar, você pode apenas usar qualquer cartão de crédito ou de débito. Para quem prefere fazer depósito em conta: Banco do Brasil; Agência: 2825-8; CC: 219.880-0.


Post AD