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Lula — o animal político de Aristóteles.

A vitória de Rodrigo Maia é a vitória de Lula?

Do Editor.

Aristóteles, grego que cresceu na Macedônia e estudou em Atenas, fincou seu nome na história pela capacidade intelectual em analisar como o seres humanos se organizam, foi o primeiro a observar que eles são animais como a abelha e o gado, com tendência natural para formar famílias, e famílias formam vilas, e vilas formam cidades agrupando colônias ou bandos. Mas foi na seara política sua precípua contribuição: ‘O homem é por natureza um animal político’. Atualmente há no Brasil um ‘monstro’ nesta área que nos faz escrever na madrugada sobre suas jogadas no tabuleiro político — Luiz Inácio Lula da Silva.

Inegável  — atualmente não há jogador com habilidade intelectual comparada a dele, “Lula  — o animal político de Aristóteles”, aqui abreviado “LAPA” para não cansar pela repetição. Clarividente, na articulação da disputa convencional, no uso das armas legais na luta pelo poder, se caso utilize as armas convencionais não tem para nenhum adversário do metalúrgico, pelo menos é a percepção deste escriba que entende pouco sobre as mulheres, sobretudo sobre a luta política diária.

A maior derrota do animal político de Aristóteles foi sem dúvida a queda da sua cria Dilma Rousseff, cassada por um processo político parlamentar. O que teria acontecido ao LAPA? Como o mais estratégico jogador “deixou-se” vencer num processo tão traumático e previsível, o impeachment. Aonde falhou?

No boxe quando não se consegue vencer o adversário de forma alguma utiliza-se a estratégia do “golpe baixo”, aquele direto desferido abaixo da cintura em que atinge parte da genitália, levando o adversário ao nocaute. No jogo político quando não se vislumbra possibilidade de vencer o adversário utiliza-se do mesmo expediente, aqui denominado “golpe da ilegalidade” externo ao jogo político.

Enumera-se pelo menos dez golpes baixos antes do processo do impeachment. Pelo menos dois deles vindo de fora da luta política convencional levaram ao nocaute a estratégia de LAPA: (1) a condução coercitiva e (2) a divulgação dos grampos das conversas entre Lula e Rousseff. Houve outros não tão relevantes quanto estes, como a liminar que impediu o ex-presidente de tomar posse na Casa Civil, ele não era réu em processo algum, mas ainda assim, decisão monocrática do STF usurpou função constitucional do Executivo.

Fato político recente saltou os olhos deste aprendiz: a articulação de LAPA em torno do candidato do Democratas, Rodrigo Maia, para presidência da Câmara dos Deputados. Qual a estratégia de Lula para o futuro do país em tempos de predadores corroendo o que é público? Por que ajudar eleger presidente da Câmara que foi um dos principais colaboradores do golpe parlamentar contra Dilma Rousseff? Qual a estratégia de LAPA neste caso?

Para tentar entender o processo, veja a conversa ao telefone entre Lula e o deputado Rodrigo Maia do DEM/RJ, na segunda-feira (11), quarenta e oito horas antes da eleição na Câmara.

 —Alô.. Alô.. Rodrigo? È o Lula, querido.

 — Fala presidente.

 —Meu filho, queremos ajudar na sua eleição... sabe, precisamos conversar sobre isso..
Rodrigo Maia toma um surto de perplexidade misturado com satisfação e alegria como se tivesse em mãos um cartão premiado, e interrompe.

 — Presidente... fico muito... muito agradecido pela ajuda, precisamos tirar de lado nossas diferenças políticas  e... o senhor mostra a sua grandeza com esta atitude. Qual é a sua estratégia, presidente?

 —Olha, sei que você é um jovem político que tem compromisso com o país, você deve pensar também no seu futuro lá no Rio [de Janeiro]... sabe, eu conversei com nosso líder na Câmara e sua eleição vai precisar dos votos do Centrão ... [deputados de partidos médios e pequenos] para se eleger.

 — Sei presidente, mas estou curioso sobre seu empenho nesta empreitada...

 —Olha, querido, vou precisar de um nome de peso lá no Rio em 2018 e… sabe, você tem tudo para frear o ímpeto da turma do [Michel] Temer e do [Eduardo] Cunha...

 —Mas como assim, presidente?

 —Olha, com a sua eleição, se você conseguir frear o desmonte das políticas sociais conseguidos nos últimos anos, já o credencia para o governo lá [Rio de Janeiro], em 2018.

 —Ok, ok .. presidente. Eu trago cerca da metade do Centrão e 80% dos votos do PSDB, então podemos fazer aliança...

 —Certo. Olha, querido, daqui pela nossa articulação podemos consegui cerca de 70% do partido [PT]. O PMDB vai rachar também...

[A ligação cai].

Esta conversa é ilustrativa para compreendermos o que estaria por trás da articulação do ex-presidente em torno do nome do parlamentar Rodrigo Maia  — ferrenho adversário do PT e de Dilma, um dos articuladores do processo de Impeachment da presidente.

Com esta mexida na peça do tabuleiro político toda esquerda se fragmentou lançando vários candidatos. LAPA passou por cima de nomes históricos, como Luíza Herundina,  Orlando Silva e da própria candidata do PT, Maria do Rosário.

Lula sabe que, na maioria dos casos da política brasileira, não se vence uma eleição senão pela via do pragmatismo. Este episódio demostra mais uma vez a capacidade do ex-presidente para virar, um jogo perdido, em seu favor. Ele pavimentou ponte no presente ao aguçar ego do jovem parlamentar em direção ao futuro político, insuflado pela articulação real para se chegar ao poder.

Lula arquitetou as duas eleições de Sérgio Cabral ao governo do Rio de Janeiro, içou da direita predadora também o jovem e inexpressivo deputado federal, Eduardo Paes, apoiando-o nas duas eleições à prefeitura do Rio. Em todas venceu.

Lula é a essência do “animal político” de Aristóteles, para vencê-lo será difícil, talvez seja invencível, utilizando armas convencionais. Daí a esperança dos adversários por fatos extrínsecos ao xadrez político, denominados de golpes baixos. Aqui entra os trabalhos do juiz Sérgio Moro  —a desgraça nacional — para o jornalista Paulo Nogueira.

Adversários de Lula — o animal político de Aristóteles — devem apelar em súplica mais de uma vez: ‘Moro, rogai por nós!’.
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Lula — o animal político de Aristóteles. Lula  — o animal político de Aristóteles. Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on quinta-feira, julho 14, 2016 Rating: 5

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