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Marat: 'O temor de Sarney — a prisão de Tártaro'.

A socióloga e professora, Ana Maria Marat, escreve nesta segunda-feira, 6, sobre a "via-crúcis" de um dos mais influentes políticos da República brasileira dos últimos 50 anos   — José Sarney   — delatado por seu amigo de mais de vinte anos, Sérgio Machado, que acusa o ex-presidente de receber R$20 milhões em propinas desviados da Petrobrás.


Leia.
O temor de Sarney: a prisão de Tártaro - por Ana Maria Marat.

Os bastidores da velha política brasileira revelam (mais uma vez) as artimanhas do modus de agir do ex-presidente José Sarney, envolvido até as entranhas da Lava Jato, por sólida amizade de mais de vinte anos.

A delação de seu amigo, companheiro, Sérgio Machado leva agonia ao oligarca, ao ser visto transitar no submundo do poder de maneira apavorado, melancólico, lamentável para uma figura política em fim de carreira e de vida. Seu medo deve se a iminente prisão de Tártaro  — local onde o crime encontra seu castigo.

Conta a lenda greco-romana que Tártaro é o lugar para onde são enviados os pecadores e enganadores do povo.

O poeta romano Virgílio Moro o descreve como um lugar gigantesco, rodeado pelo rio de fogo, cercado por tripla muralha que impede a fuga dos falsos.

É o lugar cabível perfeitamente para sepultamento da velha política, junto com sua figura mais proeminente, se se queira de fato refundar a República.

A comparação do modelo político exausto, putrefato, com a “lenda” Sarney é vã tentativa de distanciar as duas partes como se fosse possível, pois uma não sobrevive sem a outra. Elas fazem parte do mesmo corpo em estado avançado de terminação.

A coerção do oligarca ao cadafalso de Tártaro jamais seria possível em ambiente diferente por qual passa o país, da implosão do sistema político vigente.

A ponta do iceberg é o pagamento de propinas por Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, de aproximadamente R$ 20 milhões para Sarney, durante o período em que esteve à frente da estatal subsidiária da Petrobras.

Há relatos da sadia amizade entre Machado e Sarney, os dois eram tão próximos que o primeiro chamava o segundo de pai. E com frequência almoçavam e jantavam juntos.

Relatos das gravações feitas pelo ex-mandante da Transpetro durante esses encontros mostram a preocupação do ex-presidente com a Lava Jato.

Sarney quis saber se uma ajuda que ele próprio recebeu de Machado era do conhecimento de mais alguém.

 — Mas alguém sabe que você me ajudou? Pergunta Sarney.

Machado responde.

  — Não, sabe não. Ninguém sabe, presidente.

A “ajuda” refere-se à propina de R$20 milhões desviadas da Transpetro.

O diálogo revela a superfície a que pode desembarcar a espécie humana em casos de naufrágios, quando o rolar dos acontecimentos pode revelar caráter que oscilam de firmes comandantes a covardes ratos, os primeiros a pular do barco, enquanto aqueles permanecem para desfecho do grande final da hecatombe.

Diante do iminente desespero, o temor da figura que fora importante à sustentação do falido modelo político é que outros Machados, acuados diante da Lava Jato, podem revelar o resto submerso do iceberg e outros graves desvios de recursos da nação — se vierem à tona, resta-nos tapar as narinas para não suportar tanto ar desagradável.

Até este momento, espera-se que Sarney se encontre finalmente com seu castigo: a prisão de tártaro, lugar onde falsos deuses e pseudo líderes padecem por justa causa.
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Marat: 'O temor de Sarney — a prisão de Tártaro'. Marat: 'O temor de Sarney — a prisão de Tártaro'.  Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on segunda-feira, junho 06, 2016 Rating: 5

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