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Branzem: 'A Hora e a Vez de Ruy Smith' .

O engenheiro paraense Sérgio Branzem analisa conjuntura política amapaense; aponta oportunidades de sobrevivência política entre três grupos que disputam hoje o poder no estado. Segundo ele, devido as circunstâncias da crise política e econômica-administrativas, há chance prevalente do socialista Rui Smith, pré-candidato do PSB a prefeitura da capital, sobre os concorrentes.


Leia.

A Hora e a Vez de Ruy Smith — Por Sérgio Branzem

As eleições municipais indicam o Norte para onde devem seguir as alianças objetivando previamente o próximo pleito, o mais importante de um estado federado — a eleição para o Executivo.

O histórico das disputas eleitorais dos anos anteriores, não só no Amapá, mas também no resto do país, mostram que o governante se cerca das precauções com objetivos claros e definidos de fazer as escolhas, e dentre elas qual a forma que o conduz a gastar menos energia para se sustentar no poder.

Nas eleições majoritárias de 2012, três grupos políticos lutavam pelo poder na esfera municipal: um, do espectro do centro para esquerda sustentado pelo Partido Socialista Brasileiro, o PSB, com o governante do Estado dando as cartas nas políticas públicas; por fora corriam duas forças, uma comandada pelo Partido Socialista e Liberdade, PSOL, com Clécio Luís e o senador Randolfe Rodrigues, também com viés majoritariamente de centro-esquerda; e a terceira força comandada pelo ex-governador Waldez Góes e pelo prefeito da capital Roberto Góes, ambos do Partido Democrático Brasileiro, de atuação ideológica centro-direita.

A tradição que se perpetua nas eleições majoritárias municipais, o governador com dois anos de mandato não consegue fazer o prefeito da capital. O mais perto que chega é a colocação do terceiro lugar. Esse fato se dá por causa do desgaste do soberano de plantão, embora tenha decidido quem de fato chega em primeiro lugar.

De fato, aos 47 minutos do segundo tempo da majoritária de 2012 o primeiro grupo político decidiu a eleição de Clécio. Da mesma forma, o esteio do governador Waldez Góes decidiu a eleição pró Roberto Góes em 2008, ainda que com todas as dificuldades e desgastes de seis anos de mandato. O regresso a 2004 também mostra a eleição do prefeito João Henrique sendo beneficiada pelo “príncipe” de plantão.

Em cada momento o governante se atenta para a força que mais o ameaça para poder agir com ações certas de enfraquecê-la, ou quando tem oportunidade líquida e certa, de destruí-la.
Há alternativa neste caso, a de juntar-se à força poderosa e, com isso, subjugar-se para não derreter totalmente o patrimônio político, ou entregar os anéis para não perder os dedos. Importante ressaltar que neste último caso jamais aconteceu no Amapá.

Pode-se compreender que se o soberano estiver tão enfraquecido, ao ponto de surpreender seus súditos, fazer aliança com quem mais o ameaça. Mas aqui há um problema: esta ação vai de encontro ao conselho do Pai da ciência política.

Para Maquiavel quanto mais cedo se identificar quem (mais) ameaça o governante, mais possível será remediar ou – paradoxalmente - destilar o veneno para destruí-lo.

A prudência conta bastante para identificar o mal maior que ameaça a sustentação do poder. O mandatário deve estar atento aos males que nascem em sua jurisdição para poder liquidar os intrusos. Se houver delonga pra reconhecer o inimigo, se o adversário cresce favoravelmente na mídia, já pode ser tarde demais, e contra ele pode não haver mais solução – é o poder que se esvai entre os dedos.

Hoje, a primeira força poderosa que ameaça o atual governador é o segundo grupo, comandado pela tríade; prefeito Clécio, senador Randolfe e o pretenso candidato ao governo Davi Alcolumbre, político egresso da mesma horda de Waldez e que atua no mesmo espectro político ideológico de convergência no centro-direita, portanto, desta forma não há como polarizar duas forças do mesmo campo político, sem que uma comece a disputa enfraquecida.

Pelo que se percebe, com auxílio da crise que se abate sobre as contas orçamentárias, o grupo capitaneado por Waldez e companhia é quem mais tem possibilidade de perder os dedos, devido as circunstâncias das adversidades administrativas do momento.

O governante de plantão não pode cometer o crime de lesa-política, auxiliar o grupo “mais forte ” (Davi e aliados) e solapar o “mais fraco” (Rui e companhias). Aqui, convoca-se mais uma vez regra geral de Maquiavel que raramente falha, que é: aquele que promove o poder de um outro forte, perde o seu. Simples como a aritmética da subtração.

E por isso que o pré-candidato Rui Smith, do PSB, tem todas as possibilidades de personificar no Cavalo de Tróia nos campos minados das outras forças políticas.

Na outra ponta, a possibilidade plausível do governador Waldez Góes se sustentar no poder, tarefa árdua, é trabalhar para escolher o “melhor” adversário para 2018. Requerer a pretensão de enfrentar a força política que polarizou em outras oportunidades e venceu.

Assim a história mostra que o governante prudente deverá constantemente seguir o itinerário percorrido e perseguido pelos antecessores, imitar aqueles que se mostraram excepcionais para não cair em desgraça.
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Branzem: 'A Hora e a Vez de Ruy Smith' . Branzem: 'A Hora e a Vez de Ruy Smith' . Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on sexta-feira, junho 10, 2016 Rating: 5

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