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BacabaNews: ‘Com Waldez, economia do Amapá anda para trás’

O jornalista Márcio Roney, que assina matérias para o site "BacabaNews", traça mapa da crise no Estado. De acordo com dados da Federação do Comércio e do IBGE, o Amapá alcançou segunda maior taxa de desemprego do país. Comércio e Setor de serviços estão em queda livre, além da previsão do Orçamento encolher cerca de R$ 200 milhões em 2017. 


Do site Bacaba News.

Com Waldez, economia do Amapá anda para trás

O Amapá vive a maior crise econômica dos últimos anos. Desemprego em alta. Comércio em baixa. Servidores com salário parcelado e sem reajuste. Vigilantes ficam até seis meses sem pagamento. Programa “Renda Para Viver Melhor” reduziu valor de benefício e vai cortar 70% dos beneficiários. Quase toda semana a Rua em frente ao Palácio do Setentrião fica fechada para protestos de trabalhadores e prestadores de serviço. Sem nenhum plano concreto para contornar a situação, o governador Waldez Góes foge dos holofotes.

Para 2017, o orçamento estadual será reduzido. O corte deve deve passar de R$ 200 milhões. As receitas cairão de R$ 5,18 bilhões, em 2016, para R$ 4,8 bilhões, no ano que vem.

Esse contingenciamento nas contas públicas deve afetar diretamente os investimentos do executivo em infraestrutura, saúde e educação. Reajuste salariais e concursos deverão permanecer congelados por dois anos, no mínimo.

Como o setor público representa 50% do Produto Interno Bruto do Amapá, paga 70% de todos os salários de empregos formais e emprega mais de 30% dos trabalhadores no estado (conforme dados da Federação do Comércio) a queda no orçamento vai aprofundar ainda mais a crise amapaense. O que tá ruim, deve piorar!

Desemprego em alta

No âmbito do emprego, o futuro também é sombrio. Números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o desemprego em 2016 preocupa muito quem ainda não foi demitido.

De janeiro a março deste ano, o Amapá registrou a taxa 14,35% de pessoas desempregadas. O estado ocupa o segundo lugar no ranking brasileiro, atrás apenas da Bahia, onde o desemprego alcançou 15,5% da população economicamente ativa.

O fechamento de postos de trabalho no Amapá supera a média nacional, com uma larga vantagem. No Brasil, a taxa de desemprego não passou de 10,2%.
Em comparação com 2015, o avanço do desemprego assusta. No primeiro trimestre do ano passado o percentual de pessoas sem emprego foi de 9,6%. Ou seja, a alta foi  4,7%, de um ano para o outro.
Trabalhadores pagam o pato

A crise afeta a capacidade do governo de pagar em dia o salário do seu funcionalismo público. Desde março, os servidores recebem seus proventos em duas parcelas. A primeira é paga no último dia do mês e a segunda só no dia 10 do mês seguinte.

A Secretaria de Planejamento culpa a queda na arrecadação, provocada pela crise econômica que afeta todo país, nos últimos três anos.

Em entrevista ao portal de notícias do governo na internet, o titular da pasta, secretário Teles Júnior, explica que “o ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias) apurado até o último dia 25 de março foi de R$ 48 milhões sendo que no mesmo mês de 2015 o valor arrecadado foi de R$ 59 milhões (sic). Ou seja, só no mês de março o governo acumulou perdas na arrecadação de, aproximadamente, 25 milhões de reais”.

Se não bastasse o parcelamento, o governador Waldez Góes resolveu propor a mudança na data-limite para pagar todo funcionalismo público do Estaduaol. A proposta quer estender até o 8º dia útil o desembolso da folha salarial. Após muita pressão por parte dos sindicatos, o Projeto de Emenda Constitucional (PEC) 001/16 está engavetado.

Os vigilantes são outra categoria que sofre com os desmandos cometidos pelo governo. Os atrasos no salário chegam há seis meses. Desesperados, alguns trabalhadores se acorrentaram nos portões das empresas de segurança para cobrar pagamentos atrasados.

Quando foram protestar pelo direito de receber em dia, a tropa de choque da Polícia Militar reprimiu com violência a manifestação dos trabalhadores. Na confusão ocorrida em frente ao Prédio da Procuradoria do Estado, quatro pessoas foram atingidas por tiros de borracha e tiveram que ser levadas para o pronto socorro.

Servidores de contrato administrativo vem enfrentando uma via-crúcis. Ao assinarem o contrato de trabalho, muitos profissionais foram lotados em localidades de difícil acesso, como o arquipélago do Bailique, que fica há 12 hora de barco de Macapá. Como ficam ate três meses sem receber, a maioria se queixa de grandes dificuldades financeiras. Longe de casa, a saída é entregar o cargo.

“Desisti do contrato. Não dá pra ficar todo esse tempo todo sem receber e, ainda, ter que  trabalhar numa outra cidade, pagar aluguel e comprar a alimentação”, reclamou uma professora que trocou a função temporária no Estado para vender confecções em domicílio.

Comércio e setor de serviços definham

A crise financeira no governo do Amapá criou um círculo vicioso que prejudica todos segmentos da economia local. O comércio e o setor de serviços sentiram fortemente o impacto.
O comércio do Amapá apresenta os piores índices do país. Em março deste ano, a redução das vendas no varejo foi de 22,1%, em comparação com o mesmo período do ano passado. A retração somente no primeiro trimestre de 2016 chega a R$ 21,5%. No acumulado dos últimos 12 meses o declínio é de 18,3%..

O setor de serviços (que envolve empresas do ramo de transporte, comunicação, serviços de beleza, instituições financeiras,etc.) tem o segundo pior desempenho dentro todos os estados do Brasil. Neste ano, março teve queda de 15,3%. Em abril o recuo foi de 12,3%.
Em entrevista a TV Amapá, o técnico do Instituto, Joel Lima, explicou que esse “setor que tá tendo (sic) resultados muito negativos continuamente, há mais de dois anos”.

Se não houver nenhuma mudança na maneira como o governador Waldez Góes conduz a administração do Estado do Amapá, a perspectiva é de que a crise em todos os setores da economia ainda demore passar.
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BacabaNews: ‘Com Waldez, economia do Amapá anda para trás’ BacabaNews: ‘Com Waldez, economia do Amapá anda para trás’ Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on terça-feira, junho 28, 2016 Rating: 5

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