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Adalberto Ribeiro: no professor reside a 'chave para a sociedade' se desenvolver.

Adalberto Ribeiro publica artigo, no perfil do Facebook, neste 15 de outubro - dia do professor - em que ressalta que os salários dos docentes  "já foram piores". Ele afirma que o professor é a "chave para a sociedade' se desenvolver.


Ribeiro reconhece que "quanto mais o professor distribui o conhecimento mais ele, o professor, acumula".  E aponta: 'É por isso que, neste caso, é tão importante compartilhar. E ao fazer essas coisas o professor ainda forma as gerações futuras, ainda contribui para o futuro da Nação'.

PROFESSOR! Singularidades e desafios *Adalberto C. Ribeiro.

Hoje é 15 de outubro, o Dia do Professor. Geralmente em um dia como esse a pergunta é: o que temos a comemorar? Depende do ponto de vista. Para alguns não haveria nada a comemorar, para outros, alguma coisa pode-se comemorar. Eu faço parte do segundo grupo.

Em um dia como hoje também inquieta àquela velha situação que na minha opinião até já virou clichê: “...é uma profissão desvalorizada e não reconhecida”. Concordo em parte. Do ponto de vista financeiro os indicadores salariais nacionais publicados revelam que os professores ganham muito aquém do que deveriam. Mas, já foram piores. A Lei do Piso vem proporcionando gradualmente uma elevação acima da inflação, ano a ano. Contudo, não nos enganemos: existe um teto. Tanto que o “gatilho” anual da Lei do Piso já não estabelece patamares tão interessantes como ocorreu em 2012, por exemplo. Para os economistas da educação o gatilho do piso deve vigorar para tornar a profissão um tanto atrativa já que a situação salarial era tão descabida que poucos jovens queriam ser professores neste país (embora eu particularmente, considerando as condições estruturais do Estado do Amapá, acho que não é e nunca foi o nosso caso).

Do ponto de vista do reconhecimento (valores para além da questão financeira) penso que a sociedade é ciente da importância do papel do professor. Tanto que de um modo geral a percepção da sociedade sobre greve de professores transmite uma sensação de relativo apoio aos docentes. Mesmo sendo muito afetados pelas greves os pais dos alunos parecem suportar relativamente bem o desconforto e o prejuízo das greves com suas consequências didáticas e metodológicas em sala de aula. Essa relativa tolerância é um indicador do reconhecimento de que os professores merecem, inclusive, salários maiores e melhores. Mas não se pode negar que o diploma de professor ainda sofre com o seu baixo valor, tanto econômico quanto simbólico , que se revelam por meio de baixos salários e pouco prestígio social.

Em que pese essas dificuldades, ser professor é algo impressionante. Para aqueles profissionais que escolheram a profissão ou que no decorrer da experiência do magistério por ela se apaixonou nós estamos falando de uma profissão fantástica. A natureza do trabalho docente é algo que me impressiona a cada dia. E destaco a matéria prima com a qual trabalhamos: o conhecimento. Com a sua utilidade, seu poder revolucionário, e suas características.

Poucos profissionais fazem do conhecimento o que um professor pode fazer. E não me refiro apenas ao benefício coletivo. É o sujeito que mais pode tirar proveito próprio – individual – da matéria prima que ele usa.

Pelas mãos do professor o conhecimento pode fluir para uma classe inteira ganhando uma condição sine qua non: quanto mais se gasta mais ele rende; quanto mais o professor distribui o conhecimento mais ele, o professor, acumula. É por isso que, neste caso, é tão importante compartilhar. E ao fazer essas coisas o professor ainda forma as gerações futuras, ainda contribui para o futuro da Nação.
Em outras palavras, o professor é chave para a sociedade. Segundo José Marcelino de Resende Pinto, da Universidade de São Paulo/USP “(...) há um consenso mundial que o professor felizmente é um elemento central no processo ensino-aprendizagem”. Eu diria mais. O professor é elemento central para o desenvolvimento econômico de qualquer país. Não qualquer professor. Falo dos bons professores. Um professor ruim fez muita gente achar que não gostava do conhecimento. Mas, um bom professor fez muita gente entrar na universidade, fez muita gente gostar do conhecimento.

Ocorre, que um certo número de bons professores com o tempo, dadas as condições objetivas de trabalho vão perdendo sua capacidade de ensinar porque a barra vai pesando demais. Para além dos salários, são as salas de aula muito quentes, superlotadas, falta de equipamentos para desenvolver uma boa aula, falta de cursos de capacitação vinculados ao plano de carreira e a formas de progressão funcional, e mais ultimamente o fenômeno da violência escolar gerando medo e insegurança. Para muitos professores, depois de 10 ou 15 anos o “gás tá acabando”. Às vezes, até antes. Entretanto, tem outra parte significativa que se alimenta de tal forma da sua matéria prima que são incansáveis porque sabem que seu trabalho transforma vidas. É como se eles ficassem mais fortes com o tempo.
O bom professor é aquele que domina conteúdo, estabelece um clima favorável em sala de aula, mas para isso precisa de condições de trabalho. Condições de trabalho se compõem de, pelo menos, três grandes variáveis: salários atrativos, boa rede física dos prédios escolares, e laboratórios e equipamentos associados a material didático e metodológico. São essas combinações, se bem feitas, tornam o ensino de qualidade.

É razoável considerar que em um país como o Brasil ainda não é possível ter essas três variáveis bem ofertadas e bem combinadas. Quando se tem uma, quase sempre não se tem outra.
O Brasil tem à frente o enorme desafio de melhorar o ensino público, mas precisa resolver essa questão primordial: a valorização de seus mestres. Os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA, na sigla em inglês), divulgados no final de 2013, mostraram que os países com melhor desempenho na educação são aqueles que fazem a carreira docente atrativa aos jovens mais talentosos que saem do ensino médio. Não é o caso brasileiro.

Os Planos Decenais de Educação das três esferas acabaram de ser aprovados. Especialistas estimam que o país precisará de 1,5 milhão a 2 milhões de novos professores até 2023 para cumprir metas de inclusão no ensino médio e de educação integral. Isto é, teremos mais demanda que, por sua vez exigem mais recursos. Não há dúvidas que haverá muito mais empregos públicos para o cargo de professor. Mas haverá melhores condições de trabalho?

Como melhorar as condições dos professores, em especial as salariais, se a sociedade e a estrutura capitalista demandam por mais serviços educacionais ao mesmo tempo?
Precisaremos dos bons professores, de sindicatos fortes e de líderes sindicais inteligentes e sensíveis a sua própria categoria.
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Adalberto Ribeiro: no professor reside a 'chave para a sociedade' se desenvolver. Adalberto Ribeiro: no professor reside a 'chave para a sociedade' se desenvolver. Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on quinta-feira, outubro 15, 2015 Rating: 5

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