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Eleições 2016: decisão de deputada pode rachar Partido dos Trabalhadores em Santana

Desistência de candidatura da deputada federal Marcivânia Flexa à prefeitura de Santana - além de esboçar possível candidatura do marido - causa mal estar no PT local.

Reprodução Whatsapp
A corrente política do Partido dos Trabalhadores ligada ao ex-prefeito Antônio Nogueira não vê com bons olhos a decisão da deputada federal Marcivânia Flexa de pretender lançar o marido, Odair Freitas, como pré - candidato nas eleições majoritárias em 2016 no município.

O grupo liderado por Nogueira pode dificultar ou mesmo abortar os planos da deputada. Ao menos é o que se pode extrair das linhas do militante político Heverson Castro, nas quais afirma que Marcivania Flexa desrespeita as instâncias partidárias ao decidir lançar nome do esposo "à revelia da construção coletiva que visa a unidade do PT para 2018".

Candidatura de Marcivânia ao senado em 2018 seria o motivo da desistência de concorrer como candidata à prefeitura de Santana em 2016. 

Leia alguns trechos.
A postura do grupo da deputada petista ao lançar Odair Freitas pré-candidato a prefeito, utilizando-se de uma entrevista em blog, quando poderia levar o debate para a direção do partido, abriu brecha para que esse debate se torna-se público.

A decisão do grupo de Marcivânia é isolada e não conta com o apoio da maioria do partido, já que a comissão de lideranças que dialogam pra chegarem em um denominador comum foi avalizada pelo congresso municipal do PT. A postura é vista por diversos dirigentes como uma forma de tentar tumultuar o processo de escolha do partido por meio da democracia interna e da construção coletiva, ignorando e desrespeitando outras lideranças.

Com a desistência de Marcivânia que primeiramente deveria ter sido comunicada a direção do PT em respeito até mesmo a militância e aos dirigentes vai de encontro ao espírito coletivo do petismo. O que seria mais coerente do ponto de vista coletivo, seria apoiar os outros nomes que já estavam colocados (Zé Roberto, Richard Madureira e Isabel Nogueira).

Parece que não é o espírito coletivo que move o grupo político da deputada, mas sim um projeto megalomaníaco de poder que chega se tornar arrogante diante do petismo e até mesmo um projeto que beira a ser de uma pequena oligarquia, prática política no passado criticada pelo casal ao justificar a negativa de apoio ao PSB na campanha de 2010.

Marcivânia e Odair Freitas chegaram a disparar as suas metralhadoras cheias de mágoas contra a Frente Popular, aliança de esquerda do PT com o PSB, acusando o partido de estar a serviço de um projeto familiar e atua postura chegar a ser desrespeitosa, já que pelo menos a decisão do PT de formar uma frente de esquerda foi tomada coletivamente pela maioria dos delegados em congresso.

Diante disso, o que se observa na verdade é que sabendo que a maioria dos dirigentes partidários e militantes petistas não irão apoiar o nome do seu esposo Odair Freitas, a deputada Marcivânia tenta achar um motivo pra que no futuro ache uma desculpa pra não apoiar um outro nome decidido pelo PT.

O certo é que Marcivânia e seu grupo há tempos não respeitam o debate orgânico do PT e atual direção. Isso fica claro na entrevista de Odair Freitas quando afirma que “o grupo tem discutido e apelado para que eu seja candidato”, demonstrando que desrespeita um encaminhamento da Executiva e do Congresso do PT que apontava quatro nomes como pretensos candidatos (Marcivânia, Zé Roberto, Isabel Nogueira e Richard Madureira). Ora, se a deputada não tinha pretensão de ser candidata e desejavam lançar o marido Odair Freitas, por que não comunicaram tal pleito durante o congresso municipal do PT que aconteceu em abril? Isso só demonstra que não respeitam a construção coletiva.

Em outro ponto da entrevista, em tom arrogante e desrespeitoso aos outros companheiros do PT que há meses se colocam a disposição do partido pra serem candidatos, Odair Freitas chega vociferar: “A nossa prioridade é recuperar Santana. Ela não está abdicando de ser candidata. Se chegarmos a determinado momento e percebermos que não existem condições pro nosso nome, ela com certeza será a candidata.”

Observem que Odair Freitas fala como um cacique político que mandasse no PT e que o futuro do partido depende da vontade pessoal dele e de sua esposa que é deputada federal e que o mandato pertence ao partido, mas nunca sequer foi debatido os rumos nas instâncias municipais e estaduais.

A postura do casal é apenas a ponta do iceberg do que vem pela frente. A deputada tinha a prerrogativa de ser candidata porque era o nome mais bem colocado politicamente, mas por conta de ambições de um projeto de poder no futuro, onde deseja disputar uma vaga de Senado, toma essa decisão sem nenhuma construção coletiva, mas de uma prática de um clã político com ares de coronelismo.

Na verdade ambos tentam provocar uma crise interna no partido pra que no futuro tenham motivos pra não apoiar um dos três nomes (Isabel, Richard e Zé Roberto), que deve ser escolhido em breve pela legenda.

Leia a entrevista de Odair Freitas para o blog do Seles Nafes.

PT discute possível candidatura de Odair Freitas à prefeitura por Seles Nafes   

SelesNafes.Com: O PT vai ter mesmo candidato em Santana? O senhor seria esse nome?

Odair: Estamos discutindo a melhor forma de propor isso internamente para que a gente tenha a melhor condição de disputar e administrar a cidade que está numa situação de terra arrasada. O próximo prefeito vai assumir a cidade numa condição muito difícil, de inadimplência. Na gestão do PT, Santana avançou muito….

Por exemplo?

Em urbanização, setor administrativo, educação. Havia um projeto de cidade.

Mas o então prefeito Antônio Nogueira teve recurso federal pra isso…

Teve. Eu diria que foi a administração que mais soube captar recursos federais. Está entre as cinco cidades do Norte que mais conseguiram isso. De cada R$ 10 que eram investidos, R$ 2,50 vinham de convênios federais.

O senhor pode citar alguma obra deixada pelo PT?

Avenida Salvador Diniz, Avenida Santana, essas avenidas foram reestruturadas. Até o valor dos imóveis nessas vias subiu. Bairros como Remédios I e II foram reestruturados e não só com os bloquetes, mas com drenagem, calçamento, sinalização. A cidade em alguns lugares foi reestruturada.

Mas faltou muita coisa. O que não deu pra fazer?

Não deu tempo de melhorar o sistema de saúde, a UPA não foi concluída,  assim como o Teatro Municipal. Poucas cidades tem um teatro, mas não conseguimos equipar o nosso. Hoje a situação é mais complicada. A cidade passa por maus momentos. Você vê atraso de pagamento, o município está inadimplente, deve a Previdência….

O prefeito atual diz que a culpa da situação econômica é da paralisação do setor mineral e da partilha injusta do ICMS feita pelo governo do Estado a partir da gestão passada.

Olha, é possível compensar essas quedas de receita com fundos como o Fundeb, FPM em negociações nacionais, emendas parlamentares que hoje são impositivas e individualmente cada parlamentar pode apresentar até R$ 17 milhões; tem o IPTU, mas faltam gestão, credibilidade e transparência. O cidadão está desestimulado de pagar impostos porque no posto de saúde não é bem atendido, na escola não tem merenda. Santana vinha crescendo num ritmo interessante, mas agora está em depressão. E ainda é preciso pressionar o governo do Estado a ajudar.

Depende de que o senhor ser candidato à prefeitura de Santana?

O grupo tem discutido e apelado para que eu seja candidato. Independentemente de ser marido e esposa, eu e Marcivânia, temos uma relação de confiança e um projeto político que ajudamos a construir para Santana. Temos a confiança que o meu nome reúne as condições técnicas ideais, mas se a candidata for a professora Marcivânia ela será com certeza a nova prefeita de Santana.

O Senado está nos planos da deputada?

Ela tem o perfil para assumir qualquer cargo, tem uma ótima imagem e o povo reconhece o trabalho dela. Mas essa possibilidade não está na nossa agenda de preocupações imediatas. A nossa prioridade é recuperar Santana. Ela não está abdicando de ser candidata. Se chegarmos a determinado momento e percebermos que não existem condições pro nosso nome, ela com certeza será a candidata.

Última atualização 16/07/2015 às 00:07
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Eleições 2016: decisão de deputada pode rachar Partido dos Trabalhadores em Santana Eleições 2016: decisão de deputada pode rachar Partido dos Trabalhadores em Santana Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on quarta-feira, julho 15, 2015 Rating: 5

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