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'Poderia ter usado dinheiro para pagar deputados', diz Camilo Capiberibe

Governador do AP encerra gestão após enfrentar forte oposição por 4 anos.

Do G1 AP

A poucos dias de deixar o governo do estado, Camilo Capiberibe encerra o mandato após marcar por duas vezes o próprio nome na história da política amapaense. A primeira foi ao eleger-se o governador mais jovem do Amapá aos 38 anos, em uma disputa com direito a virada no segundo turno em 2010. Quatro anos depois, em 2014, Camilo entrou na história novamente ao ser o único governador amapaense a não conseguir a reeleição nas urnas. Mesmo avaliando ter concluído 70% das promessas de governo, o gestor admite que faltou diálogo com a população.

Com forte oposição na Assembleia Legislativa do Amapá (Alap) e em parte das organizações civis organizadas, Camilo Capiberibe foi categórico ao afirmar que mesmo se tivesse a chance de recomeçar o mandato, adotaria as mesmas medidas tomadas na atual gestão. A declaração foi dada ao G1 e TV Amapá, em uma de suas últimas entrevistas como governador do estado, na residência oficial, lugar onde morou por quatro anos com a esposa e os dois filhos do casal.

“Poderia ter usado dinheiro para pagar os deputados, para calar a imprensa, os apresentadores de rádio que passam o dia falando mal da minha gestão. Mas se fosse assim, eu não teria construído escolas e hospitais. Fiz o que tinha que ser feito e hoje tenho muita tranquilidade com a minha consciência porque o dinheiro disponível, investi para melhorar a vida do cidadão. Se a população, por alguma razão não compreendeu, talvez eu não soube explicar o que aconteceu. Agora, saio do governo de forma limpa. Vou aos municípios e vejo obras em andamento. Se passasse quatro anos e não fizesse nada, estaria em uma situação difícil”, afirmou Camilo Capiberibe.

Segundo o governador do Amapá, a única alternativa de ter o apoio dos deputados era fazer com que eles fizessem parte da gestão, com divisão de cargos, algo que para ele, causaria "problemas com a Polícia Federal".

“Para os deputados ficarem satisfeitos, eles querem cargos no governo. Mas isso quebra a lógica do compromisso que assumi no meu palanque. Falei que faria um governo voltado à comunidade e não aos parlamentares. Chegar ao fim do mandato sem nenhum problema com a Polícia Federal é uma satisfação porque se eu tivesse tranquilidade na Assembleia, poderia ter problemas com investigações. Acredito ter tomado a escolha mais correta”, afirmou.

Bacharel em direito com mestrado em ciências políticas pela Universidade de Montreal, no Canadá, Camilo Capiberibe tem outros planos além da política para o início de 2015. Ele adiantou que pretende tirar dias de férias com a família e ter em mãos a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para exercer a profissão.

"Vou tirar férias em janeiro e a carteira da OAB. Isso é a única certeza para o próximo ano, que é buscar o meu caminho. Meu futuro, vou pensar a partir do próximo ano”, disse o chefe do poder executivo.

Camilo Capiberibe nasceu em berço político e seguiu os caminhos dos pais, o ex-governador do Amapá e senador João Capiberibe e a deputada Janete Capiberibe, ambos do PSB, partido no qual o governador está filiado desde a juventude. A sigla será usada, segundo ele, como carro-chefe para a oposição a ser traçada contra a próxima gestão comandada pelo governador eleito Waldez Góes (PDT), rival histórico da família Capiberibe. "A oposição que eu farei não vai ser irresponsável, nem melhor ou pior", resumiu.

Gestão de impasses

Camilo Capiberibe enfrentou no meio do mandato, em 2012, uma das mais longas greves da maior categoria de profissionais do estado, a dos professores. Ao longo de quatro meses, escolas da rede pública fecharam as portas por causa do movimento sindical que cobrava o cumprimento do piso salarial.

O impasse gerou até supostas tentativas de agressões físicas a Camilo Capiberibe em um evento de lançamento do edital do campus da Universidade Estadual do Amapá (Ueap). Professores teriam tentado atirar objetos contra o governador na saída da instituição. O caso aconteceu em abril de 2012. O movimento sindical só interrompeu a greve após decisão judicial. O calendário da rede pública está até hoje comprometido.

Indagado sobre o diálogo com a categoria, Camilo Capiberibe afirma que o professor amapaense recebe um dos melhores salários do Brasil. “Eu dei aos professores 24% em quatro anos. O Governo Federal conseguiu 15% em cinco anos. Atualmente, o professor do Amapá recebe o segundo melhor salário do país”, comentou.

Outro impasse vivido na gestão pessebista foi com o comércio. Ao longo de quatro anos, uma das frases mais faladas na mídia foi “o dinheiro não circula na cidade”, o que para o governador do Amapá, é o recurso da corrupção que passou a ser investido em obras. Uma das medidas tomadas por Camilo Capiberibe que desagradou o comércio foi a substituição tributária, que faz o empresário pagar antecipadamente os impostos das mercadorias, sem garantia de vendas.

“Foram anos difíceis para o Brasil, e claro que isso refletiu no Amapá. Para isso, tivemos que tomar medidas, a exemplo da modernização da arrecadação. Afinal de contas, o servidor quer receber o seu salário do fim do mês”, afirmou o governador do estado.

Adepto do termo “arrumar a casa” por dizer que pagou dívidas de gestões passadas, Camilo Capiberibe afirma ter cumprido cerca de 70% das metas de governo. Um dos carros-chefes foi a habitação, com a inauguração do Macapaba, um conjunto com quase cinco mil unidades entre casas e apartamentos. O evento contou com a presença da presidente Dilma Rousseff.

Outros empreendimentos pontuados pelo governador do Amapá estão na área da saúde, com a construção da Unidade de Pronto Atendimento da Zona Norte, e ampliação do Hospital da Criança e do Adolescente (HCA) e Alberto Lima (HCAL). Além de investimentos em estradas estaduais e início das obras da ponte sobre o rio Matapi, entre Santana e Mazagão.

Todas as obras são resultados de empréstimos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), algo que para a oposição, é tratado como acúmulo de dívidas com a União.
“Eu como governador nesses quatro anos, só de empréstimos ao BNDES feitos pela última gestão, quitei R$ 400 milhões. A CEA, por exemplo, tinha uma dívida de R$ 2 bilhões. Coube ao meu governo fazer a gestão desses débitos. Isso é o que mais dói pra mim como governador: pagar dívidas de irresponsabilidades e falta de decisões. Esse recurso que pegamos do BNDES gerou obras. Isso que chamam de dívida, eu digo que é uma antecipação de receita”, comentou.

Na segurança pública, Camilo Capiberibe garante ter conseguido aumentar o orçamento da Polícia Militar, passando-o para quase R$ 10 milhões em quatro anos. Mas frisa não ter realizado tudo da vontade popular na referida área de governo.

“Tudo é algo difícil de conseguir. Digo até que é uma utopia realizar tudo que a população quer, mas conseguimos chamar mais de 700 novos policiais, compramos e alugamos equipamentos, além de implantar as Unidades de Policiamento Comunitário (UPCs). Peguei a Polícia Militar com um orçamento executado de R$ 1 milhão. Vou deixar o governo com a execução de R$ 10 milhões”, afirmou Camilo Capiberibe, que confirmou presença na passagem de faixa para o governador eleito Waldez Góes, marcada para o dia 1º de janeiro de 2015, às 16h, na Assembleia Legislativa.
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'Poderia ter usado dinheiro para pagar deputados', diz Camilo Capiberibe 'Poderia ter usado dinheiro para pagar deputados', diz Camilo Capiberibe Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on sexta-feira, dezembro 26, 2014 Rating: 5

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