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No fim, o discurso para as paredes

Sarney se despede do Senado, diz que MA é vanguarda e chama golpe de revolução

Vazio
O ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP)

Leandro Prazeres
Do UOL, em Brasília

Em seu último discurso na tribuna do Senado, na tarde desta quinta-feira (18), o senador e ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP), disse que seu Estado natal, o Maranhão, “está numa vanguarda” do país. Sarney, que não disputou as eleições neste ano, não terá mandato parlamentar em 2015. No Maranhão, o candidato apoiado por ele nas eleições de outubro perdeu para Flávio Dino (PC do B).

Sarney subiu à tribuna para um plenário praticamente vazio e disse que não gostaria de fazer um discurso de despedida. Ao agradecer ao povo do Maranhão, Sarney citou índices econômicos e sociais do Estado e lamentou a forma como a mídia o retrata. Em sua fala, ele chamou ainda o golpe militar de 1964 de “revolução”.

“Esses números sem dúvida chocam porque a nossa mídia faz parecer que o Maranhão é exemplo de um crescimento menor, mas na realidade, ele está numa vanguarda”, disse.

Reforma política

Sarney criticou o atual sistema político brasileiro e defendeu a reforma política. Foi neste contexto que chamou, indiretamente, o golpe militar de 1964 de “revolução”. “Acabaram as lideranças no Brasil. Talvez a coisa pior que a revolução fez no Brasil foi ter acabado com os partidos no Brasil”, disse o parlamentar.

“Há muito eu defendo o voto distrital (…) Ele (voto uninominal) é o responsável… é uma reminiscência do século XIX, que vem das ideias lançadas por Assis Brasil e esse voto uninominal é a causa do que nós temos (hoje) e constitui a grande causa do atraso do Brasil”, afirmou.

O voto uninominal é o voto dado pelo eleitor direto no candidato escolhido, e não em uma lista.

Sarney disse que apesar de avanços econômicos e sociais, o Brasil regrediu na política. “Na área política, nós regredimos e esse é o grande entrave que o país sofre hoje (…) Chegou a um ponto que não podemos tolerar mais esse impasse. Não podemos tolerar mais. O sistema político brasileiro é responsável por todo o resto do que acontece em nosso país”, disse o senador.

Sarney também criticou o que chamou de “proliferação” de partidos políticos. “Precisamos evitar a proliferação dos partidos que hoje constituem verdadeiros registros eleitorais e só servem para negociações materiais”, afirmou. “A maioria deles é dirigida por comissões provisórias, maneira encontrada para criar feudos pessoais”, disse o parlamentar.

Sarney, que já havia se manifestado contra a reeleição em outras oportunidades, voltou a criticar o dispositivo. “Precisamos levar a sério o problema da reeleição. Que precisa acabar, estabelecendo-se um mandato maior. Sou crente que o mandato de quatro anos é muito pequeno. Nós devemos ampliá-lo para cinco ou talvez até para seis anos”, afirmou.

“Arrependimento”

O senador e ex-presidente diz estar arrependido de ter assumido cargos públicos após ter sido presidente da República. Segundo ele, é preciso proibir ex-presidentes de assumir cargos públicos, até mesmo os eletivos, após deixarem o comando do país.

“Até fazendo uma mea culpa, arrependimento. Penso que é preciso proibir que ex-presidentes ocupem qualquer cargo público mesmo que seja cargo eletivo. Nos EUA é assim e eles passam a ter uma função que é uma função que serve ao país. Eu me arrependo, eu acho que foi um erro que eu fiz ter voltado depois de presidente à vida pública e esse arrependimento me trouxe a convicção de isso é uma das coisas necessárias”, disse Sarney.

Ao falar sobre seu tempo na Presidência, Sarney disse ainda ter “cicatrizes que ainda sangram” referentes ao período em que governou o Brasil (1985-1990). “Só Deus é testemunha do que isso me custou e das cicatrizes que ainda hoje sangram”, disse.

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No fim, o discurso para as paredes No fim, o discurso para as paredes Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on quinta-feira, dezembro 18, 2014 Rating: 5



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