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Razão versus superstição

Explicando o “inexplicável” no futebol

– por Nezimar Borges
Arquivo: Felipão em visita santuário Caravaggiana / Foto: Roni Rigon/Agência RBS
Terminada a Copa do Mundo, agora é hora de juntar os pontos positivos e os negativos que a Copa das Copas trouxe para a nação, fazendo um balanço de forma pedagógica para que sirva de aprendizado e provoque melhoras no futuro, principalmente para o futebol brasileiro.

No que tange as quatro linhas certamente a maioria dos brasileiros daria nota zero para a seleção, no entanto fora do campo, o país conseguiu mostrar para o mundo o porquê de ser uma das nações emergentes que mais se destaca dentre os Bric´s (Brasil, Rússia, Índia, China e Africa do Sul.

Se fora de campo a Brasil deu “show de bola”, nos gramados, a seleção brasileira foi uma decepção inesperada para o povo decorrente da queda diante dos alemães nas semifinais da competição. Muito se falou sobre a humilhante derrota, decerto que vários fatores contribuíram para a acachapante humilhação: a formação de base de jogadores, enfraquecimento dos clubes; a lei Pelé (que tirou dos clubes o passe dos jogadores e o entregou a iniciativa privada); a máfia da CBF (sustentada por federações comandadas por gente de toda espécie – no AP tem o ex-detento da Papuda Roberto Góes como presidente – dá pra acreditar?), além do mais, só para se ter uma ideia de como o futebol brasileiro está mal representado, o seu comandante mor, o presidente da CBF, José Maria Marin, é acusado de torturar presos políticos durante a ditadura no país (1964/1985).

De todos esses fatores, além de outros, não se leu ou ouviu um item dos analistas de futebol que creio ser de fundamental importância para quaisquer luta, seja na política, na vida ou no jogo: a ra-cio-na-li-da-de.

Em qualquer competição, não só em uma de alto nível como uma Copa do Mundo, a razão é de suma importância para a vitória. Para melhor compreensão, se se tem dois elementos numa luta, um “forte” e um “fraco”, se o primeiro estiver de posse da racionalidade, dessa forma, não deixa quaisquer possibilidades de vitória para o time supostamente fraco. Mas se a suposição for invertida e o mais fraco estiver de posse da razão. No entanto, a possibilidade do time fraco vencer o favorito existe se e somente se ele estiver com a razão diante de um time que embora forte estiver em posse da superstição.

É fácil analisar um fato depois do acontecido, porém diante de tantos textos na imprensa tentando, como dizem “explicar o inexplicável”, vejo somente uma explicação, substanciada neste argumento – e aqui exponho a lamentável e exacerbada superstição do técnico brasileiro que sempre trazia consigo um amuleto debaixo dos braços.

A vitória é avassaladora quando uma equipe tão forte em talentos quanto na utilização da racionalidade, a Alemanha; perante um grupo fraco e supersticioso, a seleção brasileira. O que corrobora, dentre outros equívocos, para esse exercício de análise foi a surpreendente escalação do ponta de lança, Bernard. Ora, pensa o supersticioso, “se Bernard, mineiro, ´estourou` nos gramados do Mineirão, herói de tantas vitórias locais, então, pode também ser o herói contra a forte máquina alemã”.

Pode se contestar este argumento, já que o Brasil venceu cinco vezes (pentacampeão), algumas delas com técnicos com níveis de superstição elevada, caso de Zagallo. O contra argumento: time com excesso de talentos.

Cá com meu modesto entendimento de futebol, o técnico de uma seleção pentacampeã que entende muito mais de futebol do que eu deveria perceber que os alemães eram mais completos. Nesse caso, só haveria uma alternativa, a de retrancar a cabeça de área e o meio de campo. Jogar por uma oportunidade de contra-ataque.

A regra desse raciocínio prevaleceu na finalíssima quando a seleção alemã deteve quase 70% da posse de bola. Os argentinos sabendo de que a balança tenderia para o lado dos  Alemães, utilizaram o contra-ataque como arma diante da superioridade do adversário. Quando acontece de dois times jogarem racionalmente, o jogo tende a ser duro. No caso da decisão da Copa, a Argentina poderia até sair campeã, se tivesse contado com um pouco mais de sorte.

Uma lição dorida pelo menos se espera depois do fiasco canarinho: a reformulação do futebol nacional. A começar por optar por um técnico que compreenda o quão a racionalidade é importante na vida e no jogo.

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Razão versus superstição Razão versus superstição Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on terça-feira, julho 15, 2014 Rating: 5

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