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Homenagem especial no Macapaba

Resistentes à ditadura militar serão homenageados no Cidade Macapaba

O Governo do Estado do Amapá, por meio da Comissão Estadual da Verdade Chaguinha, solidário às famílias cujos parentes foram torturados, vítimas de violações dos direitos humanos durante a ditadura civil-militar ocorrida no período de 1964 a 1985, fará homenagem nesta primeira etapa de instalação do conjunto habitacional Cidade Macapaba, a 12 militantes que lutaram intensamente contra o regime ditatorial implantado no país. Desses, cinco são amapaenses e os outros sete são do cenário nacional.
Homenagem aos resistentes à ditadura - reprodução
Essas personalidades terão seus nomes nas placas de identificação das ruas e da avenida principal do conjunto. Em cada espaço de convivência do residencial, os moradores terão acesso às informações sobre a vida e a trajetória de luta dos homenageados.

A criação do Memorial da Verdade no Macapaba é a forma encontrada pelo Governo do Estado do Amapá e da Comissão Estadual da Verdade Chaguinha para a efetivação do direito à memória, a verdade e a reparação pública a esses bravos resistentes.

Confira abaixo, o nome e a biografia dos homenageados:

Carlos Mariguela (1911-1969)

O baiano Carlos Mariguela foi um dos maiores símbolos da luta política contra a ditadura. Cursou Engenharia na Escola Politécnica da Bahia, participou ativamente de guerrilhas urbanas. Considerado o "inimigo número 1" pelos militares, foi perseguido, preso e torturado. Em 1969 foi assassinado a tiros pelos militares.

Miguel Arraes de Alencar (1916-2005)

O cearense Miguel Arraes foi um dos maiores expoentes da esquerda brasileira. Formado em Direito foi economista, deputado estadual, federal e governador. Em seu primeiro mandato como governador foi deposto pelos militares e teve de se exilar na Argélia, em 1985, retornando ao Brasil em 1979, beneficiado pela Lei da Anistia. Morreu em 2005.

Leonel de Moura Brizola (1922-2004)

Nasceu em 1922, em Cruzinha (RS), foi considerado o herdeiro de Getúlio Vargas e de João Goulart. Leonel Brizola foi um dos mais destacados líderes nacionalistas. Durante o regime militar, Brizola foi cassado, exilando-se no Uruguai. Com a Anistia de 1979, voltou ao Brasil. Em 1982 e 1990, elegeu-se governador do Rio de Janeiro, em 1989 e 1994 foi candidato à Presidência da República. Morreu em 2004 aos 82 anos.

Herbert Souza, o Betinho (1935-1997)

Sociólogo e ativista político mineiro, de Bocaiúva, fundou o Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) e criou a Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida. Betinho engajou-se na resistência contra a ditadura, exilou-se no Uruguai, voltando ao Brasil em 1979. Em 1991, ganhou o Prêmio Global 500 do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep). Betinho morreu em 1997.

Rubens Paiva (1937-1975)

Político e engenheiro paulista foi eleito a deputado federal, em 1962, pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) do Estado de São Paulo, tornando-se vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito que investigava irregularidades praticadas por generais do Instituto Brasileiro de ação Democrática (Ibad) órgão anticomunista. Por seu envolvimento na CPI, teve seu mandato cassado pela ditadura. Rubens Paiva foi considerado como desaparecido pelo exército. Sua morte só foi confirmada depois de mais 40 anos, em 1975.

Vladimir Herzog (1937-1975)

Jornalista, professor e teatrólogo de origem iugoslava naturalizou-se brasileiro e estudou na USP. Com o golpe militar, em 1964, Vladimir viajou para a Inglaterra onde conseguiu trabalhar na BBC de Londres. Em 1968, retornou ao Brasil e foi convocado a depor no DOI (Destacamento de Operações de Informações). Herzog foi encarcerado, submetido a torturas e morto nas dependências do DOI-Codi. De acordo com o Exército, vítima de suicídio por enforcamento, porém, de acordo com testemunhas, Vladimir foi assassinado sob torturas.

Zuleika Angel Jones – Zuzu Angel (1921-1976)

Zuleika Angel Jones nasceu em Curvelo (RJ). Foi um ícone da moda nos anos 70 e, também símbolo da luta contra a ditadura no Brasil. Sua maior luta começou com o sequestro político de seu filho Stuart Angel Jones, ativista no Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8).

Stuart desapareceu depois de ter sido preso, em 1971, por militares. Ele teve sua morte narrada por um, também, preso político. A busca de Zuzu Angel pelos culpados e pelo corpo do filho só terminou com sua morte em 1976. Em 1998, a Comissão Especial dos Desaparecidos Políticos julgou o caso e reconheceu o regime militar como responsável pela morte da estilista.

Homenageados do Amapá

Francisco Das Chagas Bezerra, o Chaguinha

Francisco das Chagas Bezerra, o "Chaguinha", nasceu em 1907, em Quixadá (CE). Apesar de ter apenas o curso primário, conseguiu desenvolver uma profunda consciência política, levando-o a defender ferrenhamente os ideais socialistas. Vivenciou e resistiu ao período ditatorial amapaense, sempre defendendo opiniões contrárias as dos militares. Foi preso, em 1964, acusado de ser comunista. Em 1973, é novamente preso e levado para Belém suspeito de envolvimento no caso "Engasga-Engasga". Contudo, nada foi provado pelos militares. Sempre vivendo humildemente, lendo e interpretando a história amapaense, Chaguinha tornou-se ícone da resistência contra o regime militar.

Jorge Fernando Ribeiro, o Jorge Padeiro (1919-1985)

Nasceu em 1919, em Maracanaú (CE). Jorge Padeiro, junto com seus companheiros se tornou um dos ícones da resistência do regime militar no Amapá. Foi cozinheiro da mineradora Icomi durante a construção da estrada de ferro de Serra do Navio. Em Macapá, trabalhou no ramo da panificação,  tornando-se um dos maiores distribuidores de pães em Macapá e Santana. Filiado ao PTB, em 1973, Jorge Padeiro foi preso inocentemente pelos militares, sendo levado para Fortaleza de São de Macapá, acusado de comunismo e envolvimento no caso "Engasga-Engasga". Morreu em 1985 em Belém.

Meton Jucá Junior (1948-2014)

Nascido em Macapá, em 1948, Meton Jucá, simpático aos ideais socialistas, sempre sentiu a necessidade de lutar contra as injustiças sociais da ditadura civil-militar no Amapá. Em 1971, tornou-se sócio do bar "A tenda", onde se reunia com outros companheiros de resistência como o jornalista Elson Martins, Leonardo Gazel, Aldonir Araújo (Babá) entre outros, para discutirem a respeito da conjuntura política e a forma arbitrária com que os militares administravam o território. Saiu às ruas com outros jovens escrevendo palavras de ordem contra os militares e contra a exploração desenfreada de minérios pela empresa Icomi. Foi preso várias vezes por ser contrário à ideologia política ditatorial no Amapá. Ele morreu em março de 2014.

Aldony da Fonseca Araújo (1946 /2003)

Também conhecido como Babá ou Balufa, nasceu tucujú e negro, em Macapá, Estado do Amapá, no dia 26 de outubro de 1946 e cresceu no entorno da Praça da Matriz São José de Macapá. Sua história política começou no Colégio Amapaense, quando fundou o primeiro jornal estudantil de Macapá que se tem notícia, "o Balufa", como seu apelido. Foi um homem inteligente, culto, engraçado e afetuoso. Sua trajetória política sempre foi ousada e voltada para a esquerda. Foi diretor da União dos Estudantes Secundários do Amapá, época em que se filiou ao Partido Comunista Brasileiro. Após a conclusão do curso secundário, foi para Belém estudar Economia na UFPA e lá, junto com outros jovens amapaenses militantes de esquerda, orientados pelo mestre Chaguinha, passou a integrar as fileiras da ALN - Aliança Libertadora Nacional, de Carlos Marighela. No início dos anos 70, Aldony foi trabalhar no Banco da Amazônia (Basa) em Marabá, no Pará, cumprindo missão guerrilheira. Era informante, contato e formador de quadros para a Guerrilha do Araguaia até ser preso, em um aparelho, em 1971, por militares do Exército, e passou mais de um ano no antigo Presídio de São José, hoje transformado em museu com o nome de São José Liberto. Fundou o PSDB junto com outros companheiros da época. Aldony destacou-se, ainda, como jogador de basquete. Morreu de enfarte aos 57 anos, em 16 de setembro de 2003, em consequência dos traumas sofridos nos longos e obscuros anos da ditadura civil- militar.

Leonardo Antônio Gazel Teixeira (1948-2001)

Nasceu em Alenquer, Estado do Pará, em 3 de janeiro de 1948. Quando tinha dez anos, mudou-se com a família para Macapá (AP). Na adolescência, Gazel recebe formação política de Chaguinha. Nesse período, ele também fundou, junto com outros colegas, um jornal para fazer oposição ao governo militar e também para instruir os colonos. Quando completou 18 anos, teve que fugir do Amapá, porque começou a ser perseguido pelos militares e, para não ser preso, a família o enviou para estudar em Belo Horizonte-MG, onde deu continuidade a sua militância política, filiando-se inicialmente na ALN - Aliança Libertadora Nacional. Em 1969, veio para o Pará, onde participou da Guerrilha do Araguaia, permanecendo ali até 1971, período em que foi processado pelo AI-5, no entanto, não chegou a ser preso, pois fugiu para o Chile no final de 1971. Nesse período, viajou por diversos países, ao mesmo tempo em que inicia um processo de entrada e saída pelo Brasil. Morou em todos os Estados brasileiros, sempre se utilizando de identidade falsa. Com o nome de Luiz Alberto, consegue formar-se em Economia no Rio de Janeiro e posteriormente trabalhar em várias empresas em Minas Gerais. Em 1979, com a Lei de Anistia, assume novamente sua identidade como Leonardo Gazel, quando, então, voltou a residir no Amapá. No entanto, em 1985, retornou ao Estado de Minas Gerais, indo trabalhar na Christian Children's Fund, onde se aposentou. Em 1995, regressou definitivamente para Macapá, onde veio a falecer no dia 7 de setembro de 2001, com 53 anos

ASCOM/GEA
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Homenagem especial no Macapaba Homenagem especial no Macapaba Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on sexta-feira, junho 20, 2014 Rating: 5

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