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Carta aberta aos jornalistas do Amapá

Caros jornalistas,

Carta
Com os últimos acontecimentos que revelaram a teia que entrelaçava pessoas notórias da nossa sociedade num esquema milionário de corrupção consumindo recursos públicos, veio à tona, como já era esperado, o chororô de profissionais da comunicação beneficiados pelo esquema que desviou milhões do Estado.

Peço que não confundam o espernear de alguns “profissionais” da imprensa - que se justifica diante do fim do contrato ilegal de mais de R$40 milhões entre a SEED e a empresa de vigilância de Luciano Marba da Silva, a LMS – com a atividade séria e honesta de muitos profissionais que insistem numa profissão por paixão e respeito ao jornalismo comprometido com a informação verdadeira e transparente dos fatos.

Àqueles que ultimamente têm se dedicado a uma lamúria sem fim e que representam uma parte minoritária da imprensa, minhas mais sinceras condolências pelas contas boqueadas da Assembleia Legislativa, ALAP, principalmente pelo bloqueio judicial do contrato de publicidade de vários meios de comunicação, que afetou os “jornalistas” oportunistas pagos para propagar informações levianas e convenientes que interessavam somente aos seus verdadeiros chefes.

Jornalista sério está ao lado de quem luta contra a chaga da corrupção, porque reconhece a importância desta profissão para o desenvolvimento da sociedade. Em contrapartida, quem vislumbra esta profissão apenas como uma fachada rentável para garantir acordos lucrativos, empresta a voz ou dedica a pena em defesa dos interesses do patrão. Por isso chora inconsoladamente, já que o prejuízo do patrão é o seu próprio prejuízo. Usar da pena, da imagem ou da voz para defender corrupto que se locupleta comprovadamente de recursos públicos, é prova incontestável da lealdade ao seu patrocinador. Concordam?

Recentemente, os “jornalistas” que têm se empenhado em criticar o Ministério Público e o Governo, vêm manifestando uma conduta previsível, não se poderia esperar o contrário dos inimigos dos que estão na vanguarda da luta contra a corrupção no interior de algumas instituições do Estado.

Faz-se necessário observar que comumente “Estado” é confundido com Governo. Estado compreende Executivo, Legislativo e Judiciário, portanto quando um governo – que é responsável de gerir políticas públicas – se depara com um Estado podre, corroído pela mazela corruptiva na “Assembleia do Povo” e pela corrupção presumível de alguns agentes do Judiciário, decerto que o governo fica engessado. Por isso é de suma importância que o Governo e o MPE obtenham êxito nesta empreitada de diminuir a corrupção dentro do Estado. Certo?

Por ser uma classe que desempenha um importante papel na sociedade, sendo responsável, sobretudo, pela divulgação do interesse público sempre em detrimento aos interesses individuais ou de grupos políticos, é lamentável ver uma ínfima parte de profissionais da imprensa vestir a carapuça quando alguém tem a coragem de declarar publicamente que há jornalistas omissos diante de tanta corrupção.

Acredito na luta contra a corrupção. Reconheço o valor de uma instituição quando a ela se encontra ligada a imagem de pessoas que restringem sua prática dentro dos limites da honra, da ética e da idoneidade, como a figura impoluta da procuradora Ivana Cei, Procuradora Geral do MPE – mesmo sob o ataque de quadrilhas organizadas.

Acredito, ainda, que o principal compromisso de um jornalista está muito além do simples ato de comunicar; transmitir uma notícia só por transmitir, não faz da profissão grande coisa, mas, buscar a informação com uma postura ética e compartilhar a notícia com responsabilidade reflete o compromisso assumido com a sociedade e garante ao verdadeiro jornalista a confortável sensação do trabalho realizado com ética e decência, por saber-se portador de um instrumento que influencia de maneira contundente para o bem ou para o mal da coletividade.

Por fim, senhores Jornalistas comprometidos com a causa social, não me refiro aos “jornalistas” que se aproveitam da profissão para representar seus “próprios” interesses, refiro-me aos verdadeiros Jornalistas que abdicam de interesses particulares pelo bem da coletividade: Senhores Jornalistas, que vêm acompanhando os fatos que esculpem a história política do nosso Estado, a volta do grupo político que causou tantos danos a nossa gente representaria ou não representaria um retrocesso para a sociedade amapaense?

Nezimar Borges – jornalista
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Carta aberta aos jornalistas do Amapá Carta aberta aos jornalistas do Amapá Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on domingo, maio 18, 2014 Rating: 5

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