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Eleições no Maranhão

Permanência de Roseana no governo expõe fragilidade política de Sarney

Por Sérgio Santos

O enredo estava pronto: o vice-governador, que não era de total confiança do clã, virou conselheiro do Tribunal de Contas do Estado; a governadora Roseana Sarney renunciaria; o presidente da Assembleia assumiria o cargo provisoriamente e convocaria uma eleição no parlamento estadual; o candidato da família Sarney, Luís Fernando – secretário de Infraestrutura do governo – seria o novo governador e candidato à reeleição. Mas, se estava tudo acertado, o que foi que deu errado?

Segundo fonte que frequenta as antessalas do Palácio dos Leões, o que deu errado foi a incapacidade do chefe da oligarquia, senador José Sarney, em centralizar os seus antigos comandados.

A tese que corre solta pelos corredores palacianos é de que Sarney está em fim de linha e a sua sucessora, Roseana, não consegue credenciar-se como a nova líder do clã. A prolongada doença, a gestão desastrada do governo maranhense e a forte influência do marido sobre ela teriam desgastado a governadora junto à base do PMDB. No vácuo, lideranças do partido se apresentaram como postulantes ao espaço que ainda pertence a Sarney, ainda que, flagrantemente, fragilizado.

Teria sido por isso que o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Arnaldo Melo (PMDB), desafiando o poder do senador, contrariou a ordem do chefe e resolveu, ele mesmo, ser o candidato ao governo do Estado. Com essa situação inesperada, totalmente fora do enredo, Roseana não teve alternativa a não ser permanecer no governo para tentar eleger o seu candidato e conter as insurgências internas.

Melhor sorte não tem o senador Sarney

A sobrevivência política da oligarquia maranhense fica mais complicada quando se observa o quadro político no Amapá. Sarney tem postergado o anúncio se vai ser ou não candidato à reeleição. E por quê isso? O senador, que tem 83 anos, sabe que não tem mais idade para se aventurar numa eleição em que as condições objetivas de vitória não estejam dadas. Para isso, ele teria que aglutinar em torno da sua candidatura o maior número de aliados possíveis. Cenário cada vez mais difícil de ser construído.

O velho senador não está conseguindo o mesmo apoio que já teve em outras eleições. O PT, por exemplo, lançou a vice-governadora Dora Nascimento como pré-candidata ao Senado e não demonstra a menor intenção de recuar do pleito, angariando, inclusive, apoio da Executiva Nacional do partido.

Na indecisão do senador, até mesmo candidaturas dentro da sua base política foram postas. Exemplo disso deu o deputado federal Davi Alcolumbre (DEM), que, inclusive, já lançou publicamente a sua pré-candidatura ao Senado.

Seja qual for o resultado das eleições de outubro de 2014, uma coisa é certa: a oligarquia poderosa, que um dia comandou o triste destino de um dos mais pobres estados da Federação brasileira, chegará ao fim sem deixar nenhuma saudade para os maranhenses, os amapaenses ou qualquer outro brasileiro.
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Eleições no Maranhão Eleições no Maranhão Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on terça-feira, abril 08, 2014 Rating: 5

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