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Rede cameleônica

PARA ONDE IREMOS DEPOIS DO FACEBOOK?

PEDRO MAIA, 13 MAR 2014

Pedro Abbud faz uma reflexão sobre a eterna renovação na internet, a rede de Mark Zuckerberg e o que virá por aí.
facebook
O site está sendo abandonado pelos jovens, dizem os estudos

Facebook compra WhatsApp. Isso me lembra monopólio.

Mas como a internet é linda e livre (ainda), ela sempre se renova. Eu me lembro também de uns tempos atrás, onde os usuários do ICQ acabaram migrando repentinamente para o MSN e então evoluíram para o Skype, e parece que tem um tal de Viber na jogada…

Na paralela surgiu o Orkut, durou uns 2 anos, e então houve a migração em massa para o Facebook.

De fato, ninguém morreu. Você ainda pode entrar no Orkut e mandar um scrap pra sua prima de 11 anos do interior, ou então abrir o ICQ, ouvir aquele som de buzina de navio, colocar seu antigo UIN e sua senha, e com sorte achar um amigo nerd dos tempos de bate-papo UOL.

Então isso sugere que apesar das migrações de usuários de tempos em tempos, plataformas de comunicação tendem a conservar membros.

Em contra-partida, há uma gente mais ansiosa, que já possui um entendimento mais amplo das redes de comunicações, busca novidades, possui seguidores, e já coça o dedo para desativar sua conta do Facebook.

O Facebook, de fato, não morrerá. Entretanto, pelo que o cenário histórico sugere, haverá uma nova migração.

Para onde iremos?

O Google+ já possui um diferencial para quem depende ativamente da internet, ou seja, é vantagem pra quem possui um site.

Pessoas que possuem mais conexões no Google+ na plataforma, tendem a se colocar melhor na lista de resultados de busca, aumentando os acessos. Entretanto isso foge um pouco do conceito de comunicação e se inclina mais para os lados da publicidade. Talvez não seja a melhor alternativa pra quem almeja somente a comunicação social, rápida e segura.

Não tem como falar de comunicação sem citar privacidade, e esse termo vem se destacando cada dia mais, ao mesmo tempo em que fica mais raro. Depois que a máscara dos EUA caiu em relação à espionagem em massa das redes de telefonia e internet no mundo todo, a fé nos mecanismos de comunicação acabou sendo abalada.

Mudarei um pouco os rumos do texto citando uma plataforma que me instigou atenção logo que conheci sua história conturbada e pouco conhecida: a diaspora*.

A propósito, o termo diáspora tem a ver com a dispersão ou migração de povos por motivos de cunho político e social, e o slogan da diaspora* é: “O mundo social online em que você está no controle”
.
A diaspora*, assim como se denomina, é uma plataforma para comunicação social open source, que tive o primeiro contato após ler a notícia sobre a morte de Aaron Swartz, e cheguei até a morte de Ilya Zhitomirskiy.

Aaron Swartz e Ilya Zhitomirskiy possuem algo em comum, eram jovens que queriam a liberdade na internet e trabalharam até o último dia de suas vidas para conseguir isso, e incrivelmente, ambos (se) suicidaram.
Aaron foi o criador do RSS e do Reddit, e era ativista pela liberdade da internet.

Ilya era um dos pilares mais importantes da diaspora*, o qual afirmava que a rede seria 100% segura, e também era ativista pela internet livre.

Uma semana após a morte de Ilya, os outros 3 fundadores da diaspora* abandonaram o projeto para criar um site que facilita a criação de memes (?), mesmo após conseguirem 200 mil dólares via crowdfunding para o desenvolvimento do projeto.

O que a diaspora* promete é lindo: internet livre e você no controle dos seus dados. Mas será que mesmo após a morte do idealizador chave e abandono parcial dos outros fundadores, ela ainda pode vir a ser confiável?

Queira ou não, a plataforma é open source e está de pé. Você pode entendê-la melhor acessando o site oficial: https://diasporafoundation.org/

E o que estes dois jovens têm em comum com Gary Webb?

Gary Webb foi um jornalista investigativo que denunciou a ligação da CIA e a Guerra às Drogas num esquema internacional de tráfico de cocaína. Se suicidou com dois tiros na cabeça.
Voltando ao assunto, citarei Zuckerberg: o espertalhão.

Zuckerberg foi mais esperto: ao invés de clamar pela liberdade, tratou de fazer alianças corporativas e governamentais, e talvez assim tenha escapado com classe da depressão e do suicídio.

Tanta classe, que acaba de comprar o WhatsApp por algo em torno dos 19 bilhões de dólares.
Mas, como a internet é linda e livre, logo após o anúncio da compra do Whatsapp pelo Facebook, houve um aumento exponencial nos downloads do ferrenho concorrente, Viber, que ainda vem com uma promoção inédita de ligação gratuita para telefones fixos em todo o Brasil.

Esse texto já havia sido finalizado, porém acaba de ser anunciado o TOR Instant Messaging Bundle, que com certeza irá estremecer a batalha dos governantes para limitar a internet.

E além disso, o grupo de profissionais de comunicação denominado Midia Ninja, vem usando outro serviço, concorrente do WhatsApp e com a proposta parecida com a da diaspora*. Os desenvolveres prometem a comunicação instantânea, com um servidor situado em Berlim, e mais uma plataforma open source, que prova nada mais, que a internet é linda e ela sempre se renova.
Continuemos alerta.
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Rede cameleônica Rede cameleônica Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on quinta-feira, março 13, 2014 Rating: 5

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