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50 anos do Comício da Central do Brasil

Viúva de Jango participa de seminário sobre reformas de base propostas pelo marido

Do O Glogo: ‘Tive muito medo’, diz Maria Thereza Goulart ao relembrar Comício da Central


JULIANA CASTRO E LETICIA FERNANDES

RIO – A ex-primeira-dama Maria Thereza Goulart disse nesta quinta-feira, ao chegar para um seminário no Rio sobre as reformas de base propostas por seu marido, o ex-presidente João Goulart, que teve medo de participar do Comício da Central. O ato completa 50 anos hoje.

- Eu tive muito medo porque estava uma pressão muito grande, ele não estava bem de saúde. Também havia boato de que haveria um atentado – afirmou a viúva de Jango.

Consultor-geral da República no governo João Goulart, o vereador Waldir Pires comentou a visão sobre o comício dentro do governo naquele ano e o amplo apoio popular que o evento teve.

- A percepção daquele dia foi admirável. Eu e Darcy Ribeiro (antropólogo então chefe de Gabinete Civil da Presidência) conversamos com ele 15 minutos antes no Palácio das Laranjeiras. Era uma convocação popular, foi o maior comício público que já se fez no Brasil, e ali ele fez afirmações básicas, as reformas de base, esse discurso dele é primoroso – disse Pires, afirmando ainda que a democracia brasileira é muito recente, e que é preciso ter calma para implementar inteiramente as reformas de base:

- Ainda é muito cedo, temos que ajudar a construir a democracia, em nenhum momento abandoná-la. Ela só tem 200 anos, e a humanidade tem 6 mil anos de história escrita.

O Comício da Central foi proposto pelo ex-presidente como uma forma de tentar pressionar o Congresso Nacional a aprovar uma série de reformas, como a agrária e a eleitoral. Duas semanas depois do evento na Central, Jango foi deposto pelos militares. O ex-presidente morreu no exílio, na Argentina, em 1976. O corpo de Jango foi exumado no fim do ano passado para que peritos verifiquem se ele morreu envenenado ou de um ataque cardíaco.

Emoção marca fala de viúva de Jango

Em fala breve e emocionada, Maria Thereza Goulart disse desejar que os jovens lutem pela paz e pelo futuro do Brasil.

- A todos, meu muito obrigada pelo carinho e pela lembrança de que vivemos aqueles momentos de um passado tão marcante na história do nosso país. Acho que foi Deus que me deu ajuda para estar aqui nesse momento, 50 anos depois, para uma reflexão do Brasil de Jango, que tanto sonhou com muita esperança para o povo. Meu tempo já é pouco, mas aos jovens desejo que lutem pelo futuro do Brasil e pela paz – disse com a voz embargada pelo choro.

- Hoje, estamos com os mesmos problemas que poderíamos ter resolvido há 50 anos – disse João Vicente Goulart, filho de Jango, reclamando que 95% do lucro das teles vão para suas matrizes, fora do Brasil.
- A reforma agrária proposta por Jango em 64 está empacada hoje, estamos confundindo reforma agrária com reforma fundiária – completou.

Denise Goulart, também filha do ex-presidente, ressaltou a importância de se resgatar a memória para esclarecer o momento histórico do pré-golpe de 1964:

- Lembrar fatos como esse não representa só um resgate, mas esclarecer um momento histórico que foi brutalmente interrompido. E que o golpe de 64 nunca mais volte a acontecer, vamos lembrar sempre desses fatos.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), pré-candidato à Presidência, criticou o que chamou de “gananciosos, mascarados de frases patrióticas”, citando trecho do discurso de Jango no Comício da Central.

- Ele disse que não se intimidava diante das forças da reação. Disse mais: “não tiram o sono as manifestações de protesto dos gananciosos, mascarados de frases patrióticas, mas que traduzem na realidade propósitos antissociais e antipatrióticos”. Não é diferente o que fazem até hoje, se vestem de patriotas para mascarar seus interesses antinacionais. O Brasil de João Goulart estava dando certo, era um Brasil mais perto da igualdade. O Brasil era invejado, temos certeza que ele se tornaria potência nacional – disse, acrescentando que a família Goulart foi a primeira vítima da ditadura:

- Nenhuma família sofreu mais por amar o Brasil do que a família Goulart. Eles foram as primeiras vítimas do mais cruel capítulo da história desse país. Gostaria de cumprimentar a que foi a mais bela, mais guerreira e mais elegante primeira-dama que o Brasil e o mundo dos anos 60 teve. Coisa nenhuma de Kennedy – disse, referindo-se à primeira-dama norte-americana e símbolo mundial de beleza, Jacqueline Kennedy.


O seminário sobre as reformas de Jango acontece na UERJ. Mais tarde, às 17h, um ato na Central vai lembrar o comício.
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50 anos do Comício da Central do Brasil 50 anos do Comício da Central do Brasil Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on quinta-feira, março 13, 2014 Rating: 5

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