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O fim de Rachel Sheherazade

O destino da Rachel Sheherazade de Murdoch

Murdoch e sua ‘Scheherazade’
Ao refletir sobre a dúvida que certamente tomou Sílvio Santos sobre o que fazer com Rachel Scheherazade, me lembrei de um caso semelhante que acompanhei em Londres há algum tempo.

O roteiro era parecido: um patrão octogenário, uma jornalista jovem que o encantava e o clamor da opinião pública pela cabeça da favorita.

No caso, eram Rupert Murdoch, dono de uma das maiores empresas de mídia do mundo, e Rebekah Brooks, a carismática editora ruiva que marcara época no comando do Sun, o tabloide mais lido da Inglaterra.

Murdoch era louco por Rebekah. Quando estourou um escândalo jornalístico no ninho de Murdoch – a monitoração criminosa da caixa postal de milhares de pessoas – a demissão de Rebekah foi reclamada pela voz rouca das ruas.

Murdoch relutou, sofreu, mas afinal entregou, como Salomé, a cabeça vermelha de Rebekah numa bandeja.

Não foi suficiente para aplacar os ânimos. Entre as medidas que tomou para dar uma satisfação à sociedade, Murdoch fechou um tabloide de mais de 100 anos, o News of the World, sobre o qual pesavam as piores acusações no escândalo das escutas telefônicas.

Provavelmente foi mais fácil para Murdoch liquidar o jornal do que mandar embora sua pupila, uma jornalista agressiva, insinuante, adulada e invejada no circuito político e jornalístico londrino.

Sílvio Santos fará o mesmo que Murdoch, ou preservará sua favorita mesmo que sob um cenário de formidável desgaste para ele e para o SBT?

Tecnicamente, Scheherazade morreu como comentarista ao falar do marginalzinho preso a um poste, ainda que tenha recebido apoio do que existe de pior no Brasil, de blogueiros da Veja teleguiados por Olavo de Carvalho a fundamentalistas como Marcos Feliciano, para não falar de analfabetos políticos que proclamam, com saliva na boca, que bandido bom é bandido morto.

Inclua nessa lista também Lobão, Tuma Jr etc.

Claramente Scheherazade ultrapassou uma fronteira ao apoiar, teatralmente, justiceiros que lembram no espírito o infame Esquadrão da Morte que atormentou o país à sombra da ditadura militar.

Ela era já um desastre prestes a acontecer. A forma ofensiva como se referiu aos rolezinhos mostrou que Scheherazade estava já numa louca cavalgada que não poderia terminar bem.

Fora da extrema direita, ela é agora rejeitada, desprezada e odiada. Até uma pacata e despolitizada locutora da Globo colocou em seu Twitter que Scheherazade é uma “vergonha” para os jornalistas.

E os patrocinadores do jornal, o que eles estarão pensando? Não é agradável ver sua marca ligada a quem defende criminosos que querem fazer “justiça” com as próprias mãos.

A não ser que viva em outro planeta, Scheherazade sabe que a besteira que fez simplesmente não tem volta.

Ainda que ela se ajoelhasse no telejornal e pedisse perdão ao garoto amarrado ao poste, isso não resolveria o problema.

Sem conhecer nada do menino, ela disse que a ficha dele é “mais suja que pau de galinheiro”.

Murdoch demitiu Rebekah, mas o poder da opinião pública na Inglaterra é muito maior.

A biografia de Sílvio Santos sugere que ele deixará este problema para seus sucessores resolverem.

Mas isso, caso se confirme, não mudará o fato de que Rachel Scheherazade acabou.

Paulo Nogueira
Sobre o Autor

O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.
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O fim de Rachel Sheherazade O fim de Rachel Sheherazade Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on segunda-feira, fevereiro 10, 2014 Rating: 5

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