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O garoto prodígio

Bananal viu a banda passar

Via Coluna do Ancelmo Góes

O “Suplemento Literário de Minas Gerais”, criado há 50 anos pelo contista Murilo Rubião (1916-1991), tem uma pérola na edição atual, dedicada à cidade de Cataguazes. Estão lá três crônicas escritas por um adolescente de 15 anos chamado Bananal, para o jornalzinho “O Pirilampo”, do Colégio Cataguazes.

O jovem autor era, na verdade, o menino Chico Buarque, que, naquela altura da vida, sonhava mesmo em ser cronista. Chico, nascido no Rio e criado em São Paulo, passou uma temporada na cidade mineira por decisão dos pais, o historiador Sérgio Buarque de Holanda e dona Maria Amélia. Os dois, como conta Humberto Werneck em “Tantas palavras”, mandaram o menino para esta espécie de exílio depois que ele foi cooptado por um jovem professor do Colégio Santa Cruz, em São Paulo, adepto de um catolicismo retrógrado. O exílio funcionou.

E foi lá que ele virou cronista. Na primeira crônica, Bananal fala da sua modéstia e faz poesia com a falta de assunto. Na segunda, critica e elogia o Rio, “a melhor cidade do mundo”. E, na terceira, compara um velho relógio à vida real. “Certas pessoas estão por todo lugar, estão sempre marcando presença. Aparecem nas manchetes dos jornais, parecem personalidades invulgares. Mas há alguém por trás, obscuro, apagado, que lhes dá sentido. Essas pessoas vivem ocultas, não conhecem a glória, mas são elas que marcam, são elas que deixam rastros.”

Aliás, foi em Cataguazes, como conta Humberto Werneck, que Chico viu uma banda passar pela primeira vez. Mas aí é outra história.
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O garoto prodígio O garoto prodígio Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on terça-feira, janeiro 07, 2014 Rating: 5

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