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O verdadeiro motivo da condenação de José Genoíno

O papel definitivo, intransigente e equivocado de Joaquim Barbosa no caso “Mensalão”

Nezimar Borges - Jornalista
História. José Genoíno algemado, ao ser capturado no Araguaia: deputado esteve na primeira campanha da guerrilha / Arquivo Forças Armadas
As definições do cumprimento das penas do processo da Ação Penal 470 suscitam debates decorrentes da lamentável prisão de José Genoíno. Em outras circunstâncias este insigne blogueiro já escrevera de forma dura sobre “A política de José Genoíno e José Dirceu no Amapá”; expôs em outra ocasião a ojeriza das ilegalidades que permearam todo o processo da AP/470, nas linhas fundamentadas que considera o “Mensalão, um estupro jurídico”.

O paradoxo que me leva a dialogar com meus botões está voltado para a questão levantada por vários blogs nos últimos dias, sem, no entanto, analisarem o paradigma imoral e ilegal de Paulo Maluf - um dos poderosos da ditadura militar de direita, assumidamente corrupto e impedido de desembarcar nos Estados Unidos ou na Suíça, caso contrário será preso- que transita impunemente no plenário, nas salas refrigeradas e corredores do Congresso Nacional, enquanto José Genuíno é mandado para a prisão.

Para compreender essa comparação, basta observar tratar-se de uma preocupação de dois dos principais setores da elite brasileira (mídia e judiciário) que se sentem ameaçados com a permanência de um partido de origem popular no poder por tantos anos. Fato este que podemos comprovar se retrocedermos a 2010 e observarmos que oportunamente, logo após a eleição da Presidente Dilma Rousseff, a AP/470 volta à cena com força total. E que, curiosamente, há apenas três dias antes das eleições municipais de 2012, acompanhamos a condenação de figuras proeminentes do Partido dos Trabalhadores – bodes expiatórios que confirmaram o sistema político podre - deferida pelos ministros do STF. O mais curioso, ainda, seria alegar que não houve, desta forma, a tentativa de influenciar os resultados daquelas eleições em todo o país.

A conclusão do “Mensalão” não terminaria numa dimensão catastrófica para setores progressistas da sociedade não fosse a atuação definitiva, aguda, intransigente e lamentável do ministro Joaquim Barbosa! Explico. Embora este escriba seja um assíduo defensor dos direitos humanos, especialmente em relação à dívida histórica com os afrodescendentes, e, reforce apoio a qualquer iniciativa que diminua o racismo e sobressalte o negro como protagonista dos destinos de sua própria história, lamentavelmente ousa atribuir a Barbosa um papel inexoravelmente oportunista. Por um lado se apossou da figura vingativa, talvez a forra por quase cinco séculos de escravidão, assim, tornando-se o algoz da legalidade, endossa condenação sem provas ou ignora “caixa dois” que todos os partidos praticam. Contudo, não obteria êxito se não tivesse o apoio da mídia, desesperada por conter os anos de poder do PT.

Como protagonista dos eventos que levam Genoíno ao cárcere, Joaquim Barbosa torna-se figura admirada por milhões de analfabetos políticos que acreditam que desta forma a corrupção no país irá terminar ou diminuir, sem saber que na verdade esta chaga perpassa pelo financiamento público de campanha.

Assim, os dividendos para os afro-descendentes, a inversão do papel do negro com o poder da caneta, serão imediatos. A efêmera percepção sensorial equivocada atribuída a Barbosa, o EXEMPLO a ser seguido. Com o decorrer dos anos, entretanto, será presumível o desvanecer inequívoco diante do exaurir do apelo da elite (mídia) que influencia milhões que estão à mercê dos interesses por detrás dos fatos. Provavelmente, o tempo por excelência poderá trazer Joaquim Barbosa como “persona non grata” ao se constatar o oportunismo em detrimento dos Direitos Humanos, sobretudo, da Razão.

Argumentos equivocados? A percepção de mundo aponta para uma direção contrária, infelizmente.  Não se pode remediar uma injustiça com outra injustiça.

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O verdadeiro motivo da condenação de José Genoíno O verdadeiro motivo da condenação de José Genoíno Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on sexta-feira, novembro 15, 2013 Rating: 5

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