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Caso Marba

MPE/AP CONVOCA ENTREVISTA SOBRE PRISÃO DE EMPRESÁRIO

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O Ministério Público do Estado do Amapá (MPE/AP) marcou para esta quarta-feira (13),entrevista coletiva de imprensa para dar esclarecimentos sobre a prisão do empresário Luciano Marba Silva : Vão participar da coletiva os promotores de Justiça da Promotoria de Investigações Civis e Criminais, da Promotoria do Patrimônio Público e da Promotoria do Tribunal do Júri
12 DE NOVEMBRO DE 2013 ÀS 22:53

Paulo Silva / Amapá 247 - O Ministério Público do Estado do Amapá (MPE/AP) marcou para esta quarta-feira (13), às 9 horas, entrevista coletiva de imprensa para dar esclarecimentos sobre a prisão do empresário Luciano Marba Silva e sobre as buscas e apreensões feitas em sua empresa, em um motel de sua propriedade e na casa de uma de suas irmãs. Vão participar da coletiva os promotores de Justiça da Promotoria de Investigações Civis e Criminais, da Promotoria do Patrimônio Público e da Promotoria do Tribunal do Júri.

Luciano Marba foi preso no dia 23 de outubro por ordem do Juízo da 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Macapá, a pedido do Ministério Público, que o tem como principal suspeito pelo assassinato de Hedival Fernando Coelho de Queiroz, até então seu sócio na LMS, executado com seis tiros no dia 23 de fevereiro deste ano. O empresário teve a prisão revogada dois dias depois. Marba chegou a anunciar uma entrevista coletiva, mas recuou.

No final no mês passado, através de nota, o Ministério Público do Amapá informou que Luciano Marba poderia estar envolvido também nos crimes de lavagem de dinheiro, lei de licitações e contratos e estatuto do torcedor, além de ser o principal suspeito do assassinato de seu ex-sócio Fernando Queiroz.

De acordo com o Ministério Público, averiguações preliminares dos documentos e equipamentos apreendidos na casa, na empresa, no motel e na casa de uma irmã de Marba, indicariam possíveis praticas de outros crimes e atos de improbidade administrativa que passaram a ser objeto de procedimento investigatório promovido pelas promotorias de Justiça e delegacias de Polícia Civil e Federal competentes, em conformidade com o compartilhamento de provas autorizado pela Justiça.

Em interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça, Luciano Marba foi apanhado pressionando árbitro de futebol para facilitar resultado em favor do Santos Futebol Clube, agremiação que ele preside; forçar confecção de tabela que o beneficiasse na competição e pagar jogador de time adversário para não atuar contra o Santos. Também foi gravado recebendo pedido de dinheiro feito por um fiscal da prefeitura, sugerindo que tal fiscal apagaria débitos da empresa LMS com o fisco municipal.

O MP ainda informou que no cumprimento das ordens judiciais foram apreendidas as quantias de R$ 165 mil na residência de Luciano Marba e R$ 212.590,00 na sede da empresa LMS Vigilância e Segurança Ltda., bem como diversos equipamentos de espionagem, mídias removíveis, cheques, notas promissórias, computadores e documentos. O dinheiro apreendido foi depositado em conta vinculada ao Juízo.

As investigações sobre o assassinato de Fernando Queiroz foram feitas pela delegada Odanete Biondi, mais tarde apanhada em gravações telefônicas conversando com Luciano Marba e até pedindo favores a ele para atuar junto ao Tribunal de Contas do Estado, onde tramitam processos contra ela. Odanete indiciou a viúva de Fernando e um menor de idade que confessou ser o autor dos tiros e de ter recebido R$ 10 mil para cometer o crime. Em uma das gravações com Luciano Marba, quando conversam sobre o crime, Odanete diz que “eu queria te passar um material”.

Gravações feitas com autorização judicial mostram varias discussões entre Luciano Marba e a esposa dele Sheila, nas quais falam sobre assassinato e chantagem. Numa das conversas, Marba diz a Sheila que “tu me obrigou a mandar matar uma pessoa”. O empresário também afirma que não aceitaria chantagem: “agora eu estou sendo chantageado, eu não vou dar um milhão de reais, nem em sonho eu vou dar um milhão de reais. Já está marcado pra pessoa ir receber só que ela vai morrer. Esse cara vai morrer, ele está morto, ele está andando agora, ele deve estar dormindo essa hora, ele não vai amanhecer.”

Luciano Marba passou a ser investigado como possível mandante do assassinato de Hedival Fernando Coelho de Queiroz, seu sócio na empresa de vigilância e segurança LMS a partir de um depoimento de Edijane de Nazaré Ferreira Brito, viúva da vítima, e da declaração de Andrevaldo Souza Ferreira, o Pimpolho, indiciado como autor dos disparos que mataram Fernando. Acusada na ação penal, Edijane Brito procurou o Ministério Público e prestou depoimento revelando fatos não apurados pela delegada Odanete Biondi no inquérito policial, ensejando investigação, incluindo interceptação telefônica com autorização judicial.

Ainda no curso da investigação complementar, Andrevaldo Dias, na presença de seu advogado, declarou que no interior da penitenciária, quando ali estava preso, foi levado para uma sala onde foi ameaçado de morte pelo agente Herivelton, que de arma em punho, determinou que Andrevaldo “em momento algum mencionasse o nome de Marba no episódio do crime. Quando foi preso, Andrevaldo revelou ter recebido R$ 10 mil para cometer o crime, mas publicamente não disse quem pagou. O dinheiro foi encontrado na casa dele. O agente Herivelton foi preso junto com Marba, mas liberado no dia seguinte.

Para o Ministério Público, Hedival Fernando Queiroz era um arquivo vivo, pois, além de ter acompanhado a construção do império particular de Marba, cuidava de algumas tarefas comprometedoras como a entrega de dinheiro para agentes públicos, como revelou a viúva Edijane. Na avaliação dos quatro promotores de Justiça que acompanham o caso, a insatisfação de Hedival Fernando aliada a exigência de elevada soma em dinheiro (R$ 1 milhão), tendo o real conhecimento dos “negócios” da empresa de Marba, conferem o cenário perfeito para a sua eliminação, assim como a participação de Marba.

“No presente caso, os indícios apontam para a pessoa de Luciano Marba, que em diálogo com sua esposa (Sheila) revela traços da personalidade violenta que possui”, dizem os promotores, apresentando degravações de conversas do empresário. Num dos trechos das quase dez conversas gravadas entre Marba e Sheila, o dono da LMS revela“tu me obrigou a mandar matar uma pessoa”.  

Os promotores também citam os diálogos entre Luciano Marba e a delegada Odanete Biondi, que presidiu o inquérito policial e as investigações sobre o homicídio de Hedival Fernando. Os diálogos, segundo eles, demonstram que Marba e Odanete possuem relação pessoal de amizade, o que pode explicar algumas omissões da investigação.

Quando pediram a decretação da prisão, os promotores afirmaram que Luciano Marba, como ele próprio se define, é pessoa de índole violenta e volta para a prática de crimes. É um homem rico e influente na sociedade, e que a necessidade da prisão temporária dele se justificava pela concreta possibilidade de, estando em liberdade, interferir na obtenção da prova, fosse ameaçado testemunhas ou escondendo documentos, inviabilizando o cumprimento das buscas e apreensões. Segundo o advogado de Marba, Valdenes Barbosa, as ameaças de morte disparadas pelo empresário não passariam de “bravatas”.
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Caso Marba Caso Marba Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on terça-feira, novembro 12, 2013 Rating: 5

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