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Waldez Góes diz ser "vítima de perseguição"

'Fui massacrado e humilhado', diz ex-governador preso no Amapá

Ex-governador Waldez Góes foi preso pela PF na operação 'Mãos Limpas'.
Suspeito falou pela primeira vez depois de 3 anos da prisão.
Abinoan Santiago
Do G1 AP

Preso pela PF, em 2010, ex-governador do Amapá diz que perdeu vaga garantida para o Senado Federal (Foto: Abinoan Santiago/G1)Preso pela PF, em 2010, ex-governador do Amapá diz que perdeu vaga garantida para o Senado Federal (Foto: Abinoan Santiago/G1)

Após ser preso pela Polícia Federal (PF) durante a deflagração da operação 'Mãos Limpas', em Macapá, o ex-governador do Amapá Waldez Góes se pronunciou pela primeira vez sobre o assunto nesta terça-feira (10), data em que a operação completa 3 anos. Em entrevista ao G1, Góes disse que a vaga que concorria ao Senado Federal, em 2010, estava 'garantida', mas foi perdida por causa da humilhação que teria sofrido com a operação.

"Eu me sinto vítima de uma perseguição implacável. Eu fui massacrado e humilhado no processo eleitoral. Jamais vão devolver a minha vaga de senador que estava garantida", declarou o ex-governador.

"É lamentável que os meus adversários, que também são investigados, como é o caso do atual governador [Camilo Capiberibe] tentem usar a operação para brincar com a inteligência da população", acrescentou Góes.

Procurado pelo G1, o governador Camilo Capiberibe informou através da sua assessoria de comunicação que preferia não comentar o assunto.
Imagens da chegada a Brasília dos presos da Operação Mãos Limpas, da Polícia Federal (Foto: TVGlobo/Edson Cordeiro/Edvaldo Lachu/André Scoralick)
Imagens da chegada a Brasília dos presos da Operação Mãos Limpas, da Polícia Federal (Foto: TVGlobo/Edson Cordeiro/Edvaldo Lachu/André Scoralick)

A operação 'Mãos Limpas' foi deflagrada em 10 de setembro de 2010, 23 dias antes do dia marcado paras as eleições daquele ano. Waldez, que foi governador do Amapá de 2003 a 2010, deixou o cargo para se candidatar ao Senado Federal e ficou em 4º lugar na disputa, com 106.751 votos.

Ele e mais 17 pessoas, incluindo a esposa Marilia Góes e o então governador Pedro Paulo Dias, foram presos pela PF, em Macapá, e levados a Brasília. Os 3 retornaram ao Amapá apenas em 20 de setembro de 2010.

"Fomos vítimas de perseguição política tramada nos gabinetes de Brasília, Pernambuco e sítios em Macapá. Colhemos várias informações sobre esse aspecto, que aproxima os esclarecimentos desses fatos", declarou Góes, referindo-se à suspeita levantada por ele de que a operação foi deflagrada de forma estratégica em período eleitoral.
Dinheiro apreendido pela PF na Operação Mãos Limpas (Foto: Divulgação/PF)
Dinheiro apreendido pela PF na Operação Mãos Limpas (Foto: Divulgação/PF)

Mesmo após 3 anos da operação, o inquérito ainda continua aberto no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele está sob responsabilidade do ministro Otávio Noronha.

"Eu e minha esposa [Marilia Góes] queremos que tudo seja esclarecido. Esperamos que isso pare de ser palanque aos meus algozes e opositores", comentou.

Atualmente, o ex-governador é servidor no Ministério da Fazenda no Amapá e lançou, neste mês, a chamada 'Caravana do Desenvolvimento', para reconstruir a própria imagem para as eleições de 2014, com viagens pelo interior do estado. A caravana também é composta pelo ex-senador Gilvan Borges e o ex-deputado estadual Jorge Amanajás. Segundo Waldez, o nome dele está à disposição para disputar o governo do Amapá nas próximas eleições.

"Somos os mais interessados em saber da verdade. Também é lamentável que adversários políticos tentem utilizar o fato para se promover, esquecendo que um senador, por exemplo, tem o filho, a nora e a irmã envolvidos nas investigações", declarou a ex-primeira dama e atual deputada estadual Marilia Góes.

'Mãos Limpas'

Na operação foram mobilizados 600 policiais federais para cumprir 18 mandados de prisão temporária, 87 mandados de condução coercitiva e 94 mandados de busca e apreensão. Todos expedidos pelo STJ.
Preso pela PF no Amapá por suspeita de corrupção, o governador Pedro Paulo Dias (PP) desembarca em

Brasília de avião da PF em avião chega em Brasília (Foto: TV Globo/Edson Cordeiro/Edvaldo Lachu/André Scoralick)
Preso pela PF no Amapá por suspeita de corrupção, o governador Pedro Paulo Dias (PP) desembarca em Brasília de avião da PF em avião chega em Brasília (Foto: TV Globo/Edson Cordeiro/Edvaldo Lachu/André Scoralick)
Preso pela PF no Amapá por suspeita de
corrupção, o então governador Pedro Paulo Dias
desembarcava em Brasília em avião da PF
(Foto: TV Globo/Edson Cordeiro/Edvaldo
Lachu/André Scoralick)
As apurações da Polícia Federal revelaram indícios de um esquema de desvio de recursos da União que eram repassados à Secretaria de Educação do Amapá.

Foi constatado, de acordo com a PF, que a maioria dos contratos administrativos firmados pela Secretaria de Educação não respeitavam as formalidades legais e beneficiavam empresas previamente selecionadas.
Durante a apuração, a PF informou que o mesmo esquema era supostamente aplicado em outros órgãos públicos. Foram identificados desvios de recursos no Tribunal de Contas do Estado do Amapá, na Assembleia Legislativa, na Prefeitura de Macapá, nas secretarias de Justiça e Segurança Pública, de Saúde, de Inclusão e Mobilização Social, de Desporto e Lazer e no Instituto de Administração Penitenciária.
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Waldez Góes diz ser "vítima de perseguição" Waldez Góes diz ser "vítima de perseguição" Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on terça-feira, setembro 10, 2013 Rating: 5

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