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Protestos

A teoria e a prática nos Movimentos de Massa

Os protestos da juventude nas principais capitais do país, ontem, deixa sua marca simbólica, singular e de suma importância para a Revolução Democrática no Brasil, ainda mais porque a juventude parecia estar subjugada aos novos tempos da Revolução Tecnológica; comumente encrostada em uma sala com itens de última linha e fácil acesso a meios alternativos, a internet e as redes sociais. Entretanto, apesar do toda a áurea positiva que cerca este movimento de massa, é preciso destacar a sua volatilidade em relação aos claros objetivos que toda manifestação política tem que ter – o âmago concernente da fonte que torna governos “manetas” em ações que visem à erradicação da desigualdade social.

Um dos pontos que torna a democracia brasileira incipiente e débil, que fragiliza os governos - ainda que conte com mais de vinte anos de sufrágio universal- está marcado pela concentração dos meios públicos de comunicação em mãos privadas, assenhoreados por meia dúzia de famílias, empresários e políticos.

Verifica-se aqui no Brasil uma resistência à Lei de Medios, sendo um dos poucos países a não regulamentar a lei, estando atrasado em relação aos vizinhos, Venezuela, Equador e Argentina, que democratizaram os meios de comunicação, seguindo o exemplo dos franceses, ingleses e americanos que possuem leis que regulamenta este setor.

Felizmente, as manifestações vieram à tona, apesar de todo esforço contrário da mídia brasileira, que num primeiro momento tentou criminalizar o movimento, sendo obrigada a recuar diante da dimensão dos protestos. Certamente a internet e as redes sociais foram fundamentais para adensar uma vontade de expressar nas ruas antigos anseios populares.

Infelizmente, o movimento está mais para a volatilidade do que para a solidez, pois carece de uma raiz teórica conciliada à prática do movimento de massas. Só assim, poder-se-ia vislumbrar uma reviravolta na sociedade em seus modos e costumes, sobretudo na seara cultural.  Contudo, pode ser o início de um movimento que no futuro possa encontrar a teoria desejada para respaldar na práxis do movimento de massa, que por ora, não define claramente seu objetivo, sabe-se, portanto, que visa contra o que está errado na sociedade, sobretudo na política.

Na literatura da ciência política e histórica, o ponto relevante de mudança em diversas sociedades está associado à mescla teórico-prática. Assim se conduziu a ruptura na maior de todas as revoluções, a Revolução Francesa, que teve o Iluminismo como base teórica, tais como nos livros de Diderot, Locke, Montesquieu, Voltaire, Rousseau. Do mesmo modo, a Revolução Russa de 1917 – teorizada nos manuscritos de Marx, Engels ; da Revolução Industrial – com a teórica Capitalista de Smith, Jean-Baptiste Say, Malthus, entre outros.

Assim, diante da problemática que torna os dias difíceis, atribuir apenas aos governos – que são reféns do “grande capital” – a culpa de todas as mazelas é responsabilizá-los antes do principal culpado que é o poder econômico. Esse, sim, deveria ser o foco dos protestos, além da democratização dos meios de comunicação do Estado.

Por fim, o grito dos insatisfeitos vindo das manifestações que pululam nos cantos e recantos do país ecoa mais do que um protesto, ecoa a esperança de um dia ser entoado com a Teoria que faça mudar radicalmente esta sociedade. A Consciência política de classe é o ponto inicial para esta tão esperada mudança.
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Protestos Protestos Reviewed by Nezimar Borges/ Ana Maria Marat on terça-feira, junho 18, 2013 Rating: 5

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